Alento na vida
Nem a indiferença de tantas almas vazias,
Nem os flagelos da morte de todos os dias,
Nem a má conversação das pessoas iníquas,
Podem apagar as sublimes alegrias
De quem ora com um coração singelo
Em noites onde emana um fervor sincero.
Nem a decepções de quem não esperamos,
Nem as amargosas descobertas,
Nem as corrupções de milhares de vidas humanas,
Podem fechar as portas abertas
De nossa plena e inequívoca confiança
Na verdade do amor a soprar o vento da esperança.
Nem as guerras pelo mundo afora,
Nem as divisões que só criam desafetos,
Nem os muros étnicos, culturais ou raciais,
Podem atrofiar a integridade dos corações mais repletos
Da paz celestial indestrutível como uma fortaleza
Irradiante de uma aura de grande beleza.
A inexorável certeza da morte
A morte desfaz nossas ilusões mais evidentes
E diante dela todas as inseguranças evanescem;
Vivemos, enquanto os sinais do tempo aparecem,
Em despedidas irreversíveis e frequentes.
A vida é uma chama tremulante e incerta,
Enquanto a morte: inevitável é a sua aparição!
E ao olharmos lacrimosos à imensa constelação,
Ínfimos nos sentimos com a nossa alma desperta.
Amar é o objetivo mais elevado da existência,
E a maneira de sermos guiados pela luz da eternidade
É enfrentando a morte com esperança e sapiência.
Sem a consciência plena de nossa mortalidade
E sem o sonho de uma vida em perene permanência,
Quão absurda é uma vida resignada na fatalidade!
Paradoxos
O meu coração é um túmulo aberto de segredos...
As saudades, as memórias e as antigos sonhos
São revisitados enquanto bebo na nascente
Das mais perfeitos devaneios e inspirações.
Num turbilhão de sentimentos contrastantes,
Aprendo a cada dia conviver com tantos paradoxos...
Em meio a esse caos, navego sem pestanejar
Pelos mares ignotos do meu ser...
Como permanecer com as antigas certezas
Quando descubro profundamente quem eu sou?
Como ainda posso me manter indevassável
Quando me deparo com os abismos da minh'alma?
Eu sou como o mar sereno que, mesmo na sua calmaria,
Repentinamente se transforma em colossal tormenta.
Percebo que em mim a paz e a guerra se mescam,
Formando uma totalidade estranha e complexa.
Eu sou como o azul do céu que, mesmo azulado,
Pode se revelar estranho, soturno e acinzentado.
Em mim, há exultação, onirismo e paixão pela vida;
Mas também melancolia, lutos e angústias no coração.
Eu sinto despertar em mim um ímpeto de lucidez
Que me faz ter uma desconcertante percepção
Dos tesouros enterrados no meu coração
E das minhas aspirações em incansáveis renovações...
Eu vivo com a certeza das minhas incertezas
E em tranquilidade com as minhas terríveis inquietudes.
Eu sou uma profusão de paradoxos apenas admissíveis
Para quem sabe degustar o vinho inspirador da poesia.
Sonhar novamente
Nos momentos de uma inesquecível solitude,
Faço florescer a rosa dos meus sonhos
Enquanto clamo por uma luz de plenitude
Na escuridão dos meus dias mais tristonhos.
No curso de uma vida de angustias lancinantes,
Luto para que os sonhos possam reviver
Esperanças de alvoradas marcantes
Por onde a minh' alma consiga se fortalecer.
As saudades são revividas no reencontro sincero
De duas almas que se amam profundamente;
Assim também são os sonhos em que persevero
Para concretizá-los enquanto bebo na sua nascente.
Como um triste vale de ossos ressequidos
Passíveis de reviverem pelo amor de Deus,
Os mais belos sonhos um dia perdidos
Renascerão como a fé excelsa dos profetas judeus.
Uma palavra extasiante
Deixei ecoar uma palavra de redenção
Que vibrou até nas minhas entranhas
Para dar, como chuva temporã, a minha consolação
E para me livrar de ideias infundadas e estranhas.
Senti no meu íntimo o êxtase dessa palavra gloriosa,
A qual encheu de alegria o meu coração.
Nela, há uma sabedoria imperiosa
Contra os sutis perigos que só levam à destruição.
Foi daí que surgiu em mim uma necessidade
De descansar os meus sonhos
No seu aconchego procedente da eternidade,
Cuja paz me fez triunfar sobre os dias enfadonhos.
Hoje eu reconstruo o meu viver
Com a redenção vinda dessa palavra inesquecível.
Ela é um presente dos céus para renascer
Na minha existência uma luz invencível.
Todos los días
TODOS LOS DÍAS (PARTE I)
Todos los días encuentro fuerzas
¡En ti, Ó Dios amado, que eres lleno de amor!
Todos los días encuentro un dulce aliento
¡En ti, mi mestre Jesús, hacia superar todo mi dolor!
Todos los días una nueva esperanza
Surge en mi corazón pesado y lloroso.
A veces una respuesta para mis preguntas
Alegra mi alma en un momento lluvioso.
Todos los días quiero en paz alabarte
Y demonstrarte una profunda gratitud
Por salvarme del abismo de la desesperación
Cuando aún yo no sentía la luz de tu plenitud.
Todos los días me levanto en preces...
Al despertar en sueños hermosos
Sé que puedo vivir más que triunfante
Y un día pasar por camiños gloriosos.
Todos los días yo soy testigo
De tu misericordia por mi vida animada
En la contemplación de tu formidable creación
Llena de colores para toda alma enamorada.
TODOS LOS DÍAS (PARTE II)
¡Tu eres, Ó padre que estás en los cielos,
El radioso sol de las maravillosas bendiciones
A calientarme todos los días del frío
De las más terribles desilusiones!
¡Tu eres, Ó creador de todas las cosas,
La dulce sombra que me refresca del calor!
¡Y todos los días eres una estrella
Alumbrando mi oscuridad con su resplandor!
¡Tu eres, Ó Dios todopoderoso e sublime,
Mi camiño seguro para vivir un sueño de libertad!
¡Tu eres, además, mi fuente inagotable de amor
A brillar todos los días y para toda la eternidad!
Oración de Alabanza
¡Yo te alabo, excelso redentor, fortaleza de mi vida!
¡Yo te alabo, estrella de la mañana, rey de la equidad!
Tú eres hoy y para siempre serás la luz que prodiga
¡La esperanza para un ardiente sueño de libertad!
Todo lo que existe, lleva tu esplendor;
Todo lo que existe, surge a través de tus ordenanzas
Que de la nada produce bellas creaciones con amor
Y en nuestras almas una lluvia de bienaventuranzas.
Quiero que tú seas todos los días mi guía,
Quiero que tú me enseñas a tener lecciones de sabiduría
Para refulgir en mi ser tu gracia preciosa.
Quiero que tú seas, cuando yo viniere a desfallecer,
Una firme fundación que siempre me has de fortalecer,
¡Sembrando en mi ser tu verdad maravillosa!
En una tierra estraña
Vivo en una tierra extraña,
Una tierra llena de tanta gente
Inalcanzable y incomunicable
Que ya intenté con más fuerza acercarme.
¿Es posible romper las líneas divisorias
Que separan a los hombres
Cuando casi todos duermen
En una agitación desenfrenada?
Vivo un sueño a más para no morir
En las tenieblas de las desilusiones
En eses días tan oscuros
Poblados de miradas vacias.
Vivo una peregrinación casi interminable
En ese desierto cuyas olas extremas
De frío y calor son indiferentes
A un corazón sensible y oceánico.
Vivo mis mejores alegrias y divagaciones
En los cielos cenizas de una ciudad grande
Para sentir el gusto de nuevas emociones
Y el sabor de las dulces passiones.
Hay días floridos que encuentro ganas para luchar...
Al despertar en sueños hermosos, empiezo
A perseverar con más fuerzas y sin temores
Para alcanzar un nuevo aliento de vida.
Soy un estranjero que, en ese exilio,
Ya no habla la lengua
De la mayoría de los hombres
En sus preocupaciones más frívolas.
Mis bellas alegrías y mis profundos amores
¡Son tan intensos en mi corazón!
En un último sorbo de vino, siento
La soledad en mis largos entusiasmos.
Así es como tengo levantado
Mis cimientos de esperanza
En esta tierra extraña que está llena
De tanta gente inaccesible y incomunicable.
Possibilidades
Poderia em átimos de segundo tecer mudanças,
Dessas que marcariam para sempre a minha história...
E assim, semearia as flores noturnas das lembranças
E a consciência sobre uma consequência peremptória.
Poderia cair rapidamente nas encruzilhadas do engano
Através de uma decisão terrivelmente precipitada;
Em seguida, sentiria o remorso mais profano
Como quem se envergonha de sua vida desvairada.
Poderia viver de profundas mágoas em vez de perdoar;
Poderia então resolver com gesto de altivez não abraçar
Aquele que eu deveria plantar sementes de amor.
Poderia optar pela morte e não pela plenitude da vida,
Acreditando que toda a minha dor sentida
Também pudesse ser aniquilada sem qualquer temor.
Livremente
Livremente sonhei com o refrigério do amor
Descortinado em dias tristes e nublados;
Mas houve dias em que senti uma lancinante dor
Enquanto livremente bebia no cálice dos enlutados.
Submergindo na lírica dos poetas apaixonados,
Nutri esperança em dissolver o fel do amargor;
Então, livremente sonhei com o refrigério do amor
Descortinado em dias tristes e nublados.
Livremente, plantei sementes de alento com primor,
A fim de fazê-las crescer na alma dos desamparados;
Nas trevas prolongadas sob as ameaças do temor
E nos dias de sonhos e desejos lacerados,
Livremente sonhei com o refrigério do amor.