Lista de Poemas

Selfs


Selfs

Em um sol errante do fim de tarde
ressoavam gemidos e alaridos
num desenho de pura e complexa arte
jazia no asfalto frio um homem caído

Na rua que a pouco estava vazia e lenta
agora fervilha louco bulício
espocavam selfs na cena violenta
eram rostos, risos um que de hospício

Morte, sangue que manchavam chão frio
Num tempo que perdeu todo o sentido
é somente uma Self para um perfil

o que é que no tempo ficou perdido
porque o moderno torna tudo sombrio
nada afeta nosso olhar apodrecido.

Alexandre Montalvan
79

Castelo de Areia


Castelo de Areia

A cada poça de silencio meu corpo
edificava-se nas sombras da
fumaça do incenso.
A alma perambulava nos extremos;
Ao abrir de portas,
entre o êxtase e o desengano,
desprezando a carne ali exposta.

Era o final de um gozo lento, mas 
passageiro e mais despedaçado
que inteiro, só me restavam incertezas.
Foram beijos e trocas de saliva que 
permearam aqueles instantes, caricias
enoveladas de amantes extremados.

Era talvez o sentimento ficcional de
corpos gravados na memória de algum 
sonho, feito de fumaça de incenso
sem nenhuma realidade palpável ou fundamento
onde eu ponho...este meu sentir imenso.

Mas alguma coisa começa a morrer dentro de mim
E agora em minha volta a solidão permeia
Vejo rosas que estão murchando no jardim
E as poças se desfazem como um castelo de areia.

Alexandre Montalvan
110

Ocaso


Ocaso

Abandonei-me à essência da eternidade
em uma macies sedosa da branca cal
nesta procura geral por uma verdade
tantas taças loquazes do ventre do céu

O acinzentado espectro do definhamento
fórceps de uma vida que não quero mais
com todo o terror de um sentimento
das dores absurdas que deixei para trás

São tantos os amores que no peito arde
num mundo folheado de falsos atores
prefiro o sol no ocaso invernal da tarde

Pois eu amo a morte e todas as suas cores
e a sombria ventania. Oh! Deus me guarde 
deixe eu morrer num jardim de negras flores.

Alexandre Montalvan
111

Soneto dos Olhos Azuis


Soneto dos Olhos Azuis 

Que preciosa obra prima
criada pela natureza, que se traduz
por uma luz vinda de cima
e da pureza de um corpo na cruz 

E o céu que nos traz esta rima
que pela pobreza da palavra não produz
o efeito que esta bem acima
do esplendor deste raio de luz 

Brilha lindo azul na noite escura
um brilho que me lembra jesus
traga a minha alma toda candura 

e a emoção que esta imagem traduz
que desvanecem na escultura
destes lindos olhos azuis. 

Alexandre Montalvan
83

A Minha Vida


A Minha Vida

Oh Deus! Porque me deste a vida
mostrando-me o feio e o belo
debaixo deste sol de luz ardida 
que aquece casebres e castelos

Porque nas noites que são escuras
na plenitude entre ódios e amores
tão fácil é ouvir risos e agruras
alguns recebem dor e outros flores

Oh Deus! Feche meus olhos pra vida,
e tudo que existe deixara de existir
eu do mundo apenas consegui feridas
Até o amor apagou meu sorrir

Que pode ser a vida nesta imensidão
que explode sem uma aparente razão,
e que força é esta que a governa
Será a vida um fugaz raio de luz que
ilumina a escuridão eterna?

Alexandre Montalvan
98

Noites Sombrias

 
Noites Sombrias

Nas noites sombrias um uivo longo

Que procura nas noites a lua
Brilhante e nua
Ao triste uivo eu não respondo 

No ar uma tenebrosa indolência
Cai no chão a leve pluma
Apenas uma
A coruja pia na mais completa inocência 

Reza a lenda toda a sua ferocidade
Dos dentes que amarelos rangem
Mas não restringem
As luzes brancas vindas da cidade 

Dorme criança

Que cedo ou tarde noite sombria se evadi
E a historia chega ao fim
Então assim
Finalmente chega a hora da verdade. 

Alexandre Montalvan
102

Dobram os Sinos


Dobram os Sinos

Dobram os sinos pelas mãos do artista
que soam suaves em uma rara beleza
reluzem estrelas a ofuscar a vista
quando dobram os sinos na noite acesa.

Ri o artista somente por um momento
no alto da torre vive na sua solidão
os sinos que soam são os seus pensamentos
eles lançam sombras sobre o seu coração.

Ficam nos céus as cores da sua vida
também na escarpa da rocha empobrecida
porem toda as dores se desfazem no ar.

Ele vive a sua natureza sensitiva
este artista é igual a um barco a deriva
que navega sem rumo na imensidão do mar.

Alexandre Montavan
85

Flor Maravilhosa


Flor Maravilhosa 


Quando ouvires a voz na noite, apura
teus sentidos e não se esconda nas sombras
onde o luar termina e não se descortina. 

Permita-o que ilumine a tua figura
e caso tenhas medo, flor maravilhosa,
inspire teu aroma de rosa, pois ele te fará segura
e cheia de mistérios e a ti estará unido,
será teu equilíbrio. 

Não se permita na noite florescer,
aquilo que se esconde não sabe,
que logo haverá o amanhecer. 

Que todo seu esplendor seja de rosa
que desabrochou
porque todo e qualquer sentido
só terá sentido no limiar infinito do amor 

Alexandre Montalvan
124

Eterno Retorno


Eterno Retorno 

O mundo agora flutua
contingente e não observável
iludido pela realidade da lua
que ilumina na noite a sua rua
e pela tua elucubração instável. 

Recordo-me de ti meu amigo
da tua vasta cabeleira encaracolada
teus olhos gordos de suíno
teu sorriso fino
teus pensares agudos ressoando na madrugada. 

Se foi cego de um todo permanente
dissolvido em liquido pastoso
amarrado por poderosa corrente
enterrado em suado chão rochoso
libertado deste eu consciente. 

O mundo agora flutua
no mais completo abandono
e nada que possua
poderás levar para
teu eterno retorno,
apenas a alma que é leve.

Flutua o mundo flutua, mas em seu entorno...
é a alma que agora flutua,
uma luz que ilumina o mundo
em sonhos durante o teu sono. 

Alexandre Montalvan
103

Conjunção Carnal


Conjunção Carnal

Toco-te, oh esplendor,
em um mar de brancas espumas
num odor frenético de flores
e renasço a cada sensação
levado por forças noturnas
me deleito no enleio sensual
do teu baixo ventre acetinado
quando nossos corpos se fundem
em conjunção carnal 

Cresce o fogo, nas ardentes labaredas
sinto o jogo do teu corpo pálido e macio
envolve-nos um oceano de safiras
que vira um oceano águas azuis cristalinas
nos sons do nosso tormento
o teu cheiro de menina
lentos gemidos entrecortados indefinidos
ecos de uma profanidade divina 

Peco pelo amor que me transforma
mas minhas mãos são teu porto
estrela brilhante e luminosa
são tantas as tuas formas
e os desenhos do teu rosto 

O teu olhar perdido refletido no vidro
que me olha com um amor incontido
teu beijo, tua boca, eu te quero comigo
sem você a vida não tem
nenhum sentido. 

Alexandre Montalvan
105

Comentários (2)

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thaisftnl

És um poeta magnifico, poesias lindas, parabéns!

Alexandre tua poesia fala com a alma, transborda de amor pleno , puro que exala ternura . Parabéns !!!