Quando no futuro eu tiver um jeito de me lembrar não esquecerei de em ti pensar. E tão logo deslembrado eu memorize acho um jeito que se realize o desejo de te encontrar.
206
Dezembro.
O valioso retrato do teu sorriso
As vezes chega , derrama e transborda em mim
Então eu, copo vazio que sou
Me vejo ocupado por uma felicidade sem fim.
231
Questão para um motivo.
Por que só escreves sobre amor estúpido poeta?
O poeta reflete e responde:
- Que outro assunto torna a vida mais leve sem te exigir um motivo que a justificasse?
237
A Flor da persistência.
As vezes do amor não se espera nada
Ele tem a habilidade de se esconder entre os rostos
De se esconder entres as pedras, entre as fendas
Por anos e anos a fio.
E como a flor da persistência, um dia ele brota
Manso e cuidadoso.
No momento certo
Se fazendo presente, sem ser convidado.
Ele persiste em ficar, sem esperar ser amado
Assim como deve ser: um sentimento que mais doa do que recebe doado.
259
Inventário.
Quando o passado faz estorno
Me lembro das tardes de calmaria
Quando o amor nos esclarecia o futuro
Talvez nunca tenha te lembrado
Mas naquele pôr do sol
Ficou a minha mais pura intenção
Escrita na calçada das palavras
Que até hoje cultivas no coração.
181
Vivo Encantado.
Vivo encantado falando com passarinhos
Perseguindo flores
Imaginando acordes
Fotografando sentimentos.
Vivo encantado como quem vive morrendo
Pra renascer vivendo
Esse ano morri
No ano que vem não me lembro.
Vivo encantado por ti
E para isso não há consolo
Apenas alegria por onde piso
Mais vivo do que morto.
207
O Amor segundo Paulo de Tarso.
Quando tiveres tu de mim
O mais profundo servir
A doar no teu acolher
Sem esperar o teu devolver
Hei de amar sem distinção
Perdoar sem aflição
Até que o tempo
Coe o sentimento de devoção.
No mais puro estado
De amar
Sem receber
Sem procurar entender
Por não precisar explicar
O motivo do porquê?
253
O Presente.
Ama sempre. Mesmo quando não fores amado Este será teu legado: Amar o ausente.
Assim o melhor de ti Será o que tu sentes E apenas isso Será o suficiente.
A.
204
2020
Talvez todos tenhamos adoecido um pouco Sinais de desgaste Efeitos nocivos do verdadeiro ser que nos habita.
Nosso pior lado se mostra O que somos revela -se Cai o pano, cai a máscara Apenas nós, a sós, com nós mesmos.
A água nunca foi limpa E o que se vê no espelho não agrada Sem perdas meu amor Ganhamos um novo olhar na paisagem lá de fora.