André Medeiros

André Medeiros

n. 1967 BR BR

n. 1967-10-22

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A Rosa Amarela do deserto.



 

Fui na feira comprar flores pra ela

Ela queria uma rosa do deserto amarela

O feirante não tinha a rara flor

Pra não desagradar a minha bela

Trouxe na sacola todo o deserto pra ela.

 
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Poemas

154

Um poema para Margot.



 

Margot gostava de um poeta

Mas o poeta era inconstante

Ele gostava dela.

Mas também das flores e dos passarinhos

Não dava a ela a atenção que merecia

Então ela, aflita

Desmanchou o namoro.

 

Ela perdeu o namorado

Mas ganhou um poema.
323

Um Mapa para a distancia.



 

No trajeto da vida

Diante da pertinência dos fatos

Equívocos são escritos por quem tenta acertar.

Com carinho e angústia,

Levo comigo sementes e vou plantando

Ora se transformarão em flores, ora em espinhos indesejáveis.

 

Pensar em desistir das pessoas

É não acreditar na vida.

Por isso creio no bom pensamento do Cristo

Na leve intenção do que é honesto e puro

Mesmo que as vezes, eu me engane ou esteja equivocado.

 

Não se importar,

parece de pouca humanidade.

Amar é o único caminho,

Perdoar imprescindível,

Principalmente para se libertar.

 

Por isso é preciso caminhar.

 

E sem questionar o sentido

Buscar a estrada do encontro,

Mesmo quando as vezes eu me veja perdido

Tentado te achar.

 

Teu sorriso ainda será o melhor motivo para lutar.

324

Harmonia.



Vai ser de vez em quando assim:

Quando você precisar, eu vou te ver

Quando eu precisar, você vem me ver

E enquanto ficamos distantes e sós

Passarinhos cantam

Fazendo companhia pra nós.
357

Onde brilhem os olhos teus.



As vezes descanso no olhar dela

É como um refúgio

Nele volto a ser criança

A soltar pipa

Corro pela sala

Aprumo meu pensamento

Até onde a vista alcança a expressão.



Enquanto isso ela espalha perfume pela casa 

Põe música para agradar

E prepara seu prato mais saboroso.



Quando ela adormece e cerra os olhos

Deito ao seu lado, encantado

No tapete dobrado, do seu coração.
395

O Poema analfabeto.




As vezes as palavras de poema

Saem como balas de prata

Sem direção

Sem vírgula

Sem acento de exclamação

E submeter-lhe

A gramática ortográfica

É arrancar – lhe a emoção prática

Da concepção.

 

Ele se comunica como veio ao mundo

Sendo objeto para análise alheia e sua dedução.

 

Não cabe assim,  vestir – lhe um terno de aceitação

Ele está pronto para a festa em que for convidado a dançar

Seja lá, quem for lhe interpretar.
376

Com ciúme do vento.



 

Esse vento constante

De certa forma desrespeitoso

Afaga os teus cabelos sem a tua permissão

E me deixa com ciúmes.

 

Esse vento insistente 

De certo contente

Pois te toca e acompanha

Dia após dia:

Diariamente.

 

Enquanto isso eu faço contraponto, longe de ti

Na fronteira do outro lado da cidade

Solitário, mas vigilante a intervir

 

Sopro brisa de amor contrária

Pra embalar teu sono e proteger

Em oposição a esse vento inapropriado

Que insiste em te tocar.

 

Pra quem sabe, ele ir embora

E você voltar a caminhar

Sem ser incomodada

Na orla que adora ver você amanhecer.
329

Lembrete para a vida.

Para o caso de você esquecer

Devo te lembrar:

Que não me esqueço de você.

 

Então não esqueça,

Que não esqueço de você.

 

E com isso lembrar sempre, de nunca esquecer

Que sempre vou lembrar de você.

 

Vou lembrar inclusive, quando de você eu esquecer...
367

Parábola.

Perguntaram ao Mestre:

Como amar sem machucar?

Ele respondeu:

- Colha uma rosa no jardim

E trate o espinho dela

Como se fosse a flor.

209

Arrumando a casa.

 

 

O endereço é o mesmo

Os móveis estão no mesmo lugar

As fotos se olham

Mas a morador

Esse mudou..., não de moradia...

Mas como se vê

E o futuro é um sorriso

Que lhe espera conhecer.

138

O Poeta e a IA.

 

 

As vezes o poeta não entende o presente

Tem dificuldade para aglutinar o sentido das coisas

Ele não é um ser tecnológico

Ele é movido a sentimento.

 

E por ser um sujeito arqueológico

O Calor humano lhe é mais patológico que o algoritmo

Para ele, o Amor é algo necessário e insubstituível.

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Comentários (1)

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Prestes e Silva

Encantada.