Não tenho nada, nada levarei Afora isso, o que trago comigo Me faz mais rico do que um dia jamais serei É certo que todos tem No mesmo lugar onde encontrei.
162
Um Amor Autista.
Nesse mundo cinzento
Vejo tudo colorido
Sei colher estrelas sem sair do chão
Aprendo com vagalumes a ter luz própria
Enquanto organizo os sapatos na multidão.
Em meu coração
Todo ponto é definido
Onde jaz breve
Encontro o infinito
Não sou pouco, muito menos incompreensível
Apenas...
Amo mais, do que consigo.
226
Silêncio Fraterno.
Se o motivo for liberdade de expressão E ferir teu irmão Melhor o silêncio Que o som da tua razão.
191
O Poema ensina.
Quando caio... se eu entendo
Eu aceito.
Se aceito
Me adapto
Se me adapto
Eu controlo
Se controlo
Eu continuo
Se continuo
É porque superei
Se superei
É porque me venci.
186
As Cigarras.
Nesse verão as cigarras estão cantando mais alto
Talvez inspiradas pelos retornos
Estão entoando mais confiantes
Talvez seja isso
Ou quem sabe
Por estarem emotivas
Mais sensíveis aos avisos da natureza
As estações não são mais as mesmas
A humanidade tumultuou o meio ambiente
Tudo anda tão diferente...
- Seria Deus falando com a gente?
Mas uma borboleta de salto
Num momento de descanso me contou
Que as cigarras cantam mais alto
Pra avisar que você voltou
Daquele momento pesado por qual passou
Todos talvez tenhamos passado...
E agora de novo:
O passo é a medida de tempo
E a direção é o caminho do dia
De tudo que você sofreu e superou.
189
O Meio é o caminho.
O poema nem sempre tem razão
Mas ele tenta
Dar sentido aquilo
Que não tem explicação.
- Como porque aquele pingo d’agua que caiu do céu
nunca tocou o chão?
Pelo menos na rima
Busca aliviar teu coração
E o texto fica pra ti
Dar luz a interpretação.
Assim o poeta na tua distância linear
Faz esses versos de solidão
Vai recolhendo todo o sal do mar
Para te oferecer e presentear
Quando voltares no verão.
163
Um Pé de Sorriso.
No fundo do meu quintal
Plantei um pé de sorriso
Para sempre me lembrar
Que minha fé
É maior que qualquer abismo
Que eu possa habitar.
Quando penso e preciso
Dele me aproximo
Para conversar
E agradeço de volta
O sorriso que todo dia
Ele empresta a me ensinar:
- Que prosseguir, também é uma forma de acreditar
174
O Garoto que perdeu o sorriso.
Na estrada quebrada da vida
Finda a viagem da partida
Retorno aquela esquina
Que um dia ao encontrar te vi
E quando te revejo é como se lembrasse ao meu rosto
Que ainda posso sorrir.
190
Soneto.
Lembrança é o tempo andando para trás
Saudade é algo que não tem vontade de ir embora
Memória é fotografia preservada do passado
Daí faz – se necessário sorrir com leveza
Respeitar a própria natureza
Amor de papel de seda
Renda branca da fé na janela
De quem sabe que precisa acreditar
É ciranda no tempo
Ficando, indo e voltando
Procurando acertar
E por fim revelar, que há de encontrar
Que não se perdeu, que ainda há, e está:
- Lá onde, os passarinhos aprendem a cantar.
191
O Tolo Confiante.
A Intolerância é filha do radicalismo.
A Raiva a véspera da agressão.
Observe com atenção o quão longe te encontras
Do amor distante em teu coração
Tal distância evidencia o limite
entre o orgulho e o egoísmo sem razão.
- Afinal toda certeza, tem sua cota de imprecisão.