André Medeiros

André Medeiros

n. 1967 BR BR

n. 1967-10-22

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A Rosa Amarela do deserto.



 

Fui na feira comprar flores pra ela

Ela queria uma rosa do deserto amarela

O feirante não tinha a rara flor

Pra não desagradar a minha bela

Trouxe na sacola todo o deserto pra ela.

 
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Poemas

152

Ampulheta quebrada.


Se eu pudesse voltar no tempo, nunca mais voltaria para o futuro.
Presentemente estudo e mudo hábitos
Tempo é questão de prioridade.
E vejo que nada é mais belo
Que o sorriso nos teus lábios.

Repare que o mar está sempre em constante movimento de tentar
Ele nunca desiste de ondular.

- A natureza tem sempre razão
Não há o que questionar.
184

O Presente.

Estava eu a embalar o Pôr do Sol para presentear - lhe

Quando o Sol Nascente me repreendeu

Por que ele e não eu?

Respondi: É que a dama que vou agraciar

Sem perceber, em mim chegou

Tão definitivamente presente

Que foi como se o dia, houvesse terminado para sempre.
172

Jantar para dois.



 

Enquanto lá fora o mundo tenta se curar

Fui a feira e ao feirante pedi meio quilo de alegria

Queria preparar - te uma refeição com um pouco de folia

Na mesa algumas flores

A toalha de renda branca

Espantei o medo com aroma de café

Muita certeza e epifania.

 

Naquela noite intacta

Era apenas a vida se movendo

No fim de mais um dia

Pra te abordar com calma e poesia

E dizer que depois do inverno

Se apresentariam os recomeços que sempre derivam

Do fim das tempestades perdidas.

 

Te rever será outra vida.

 
174

Nossos dias.

Nossos dias.

 

Enxergar a beleza

Mesmo quando ela não estiver lá

Nos relacionamentos um sempre é o jardim

E o outro o jardineiro.

- Para florescer é preciso ser inteiro

Como a grama que se entrelaça

Pra agasalhar o canteiro.

 
210

Morada.

A Casa era um pretexto

Pouco e tudo no mesmo contexto

Sem motivo

Sentimento recíproco

Sem promessa

Apenas a vontade de estar

E seguir

Não é preciso teto

Para morar em você.
150

O Presente e o Propósito.

Ela trouxe um presente de despedida

Era dia da partida, de adiar

Envelhecer é abdicar do tempo

Viver sem machucar

Andar sem se ferir

Ao desembrulhar, agradeci

E tive cuidado ao me despedir.

Com o propósito de amar.
185

A Má Água ( Mágoa )



 

Coe o seu pensamento

Não perdoar adoece

Água parada no peito

É lago sujeito a infecção

De quem conserva mágoa

Na represa do seu coração.

158

A Arte de amar as diferenças.



 

As vezes somente de olhos fechados enxergamos um caminho

Que ainda não estamos prontos para ver

Surdos, ouvimos sons silenciosos, tentando compreender

Qual a hora de colher o amor proposto, no jardim da confiança

Que sem percebermos, por baixo da mágoa, voltou a florescer.

 


 
171

Nós e os outros.



 Pessoas gostam de ouvir que estão certas

Abolir o ódio é aprender a amar de novo

Encontrar um novo sentido e resgatar as amizades perdidas.

 

Perdoar é esquecer como nunca houvesse acontecido

Livrar – se das algemas da culpa

Porque as vezes a culpa é do mundo.

 

Tudo está diferente, embora óbvio como sempre.

Toda dor é uma oportunidade

De recuperar a humanidade.

 

Você não sabe, mas acredita.

O que importa é como tratamos uns aos outros

Aí mora o sentido da vida.

 
152

Os Não - Namorados.

Repara no tempo
No galho, a folha solta que cai, distraída
Tem seu motivo
Sua rota definida.

Os Não – Namorados, não namoram
Eles se observam e conservam
O Amor que não podem abraçar.

E o sentimento guardado que eles deixaram
Na gaveta da espera
Adormecido pra não incomodar, quieto pra não esquecer
Um dia talvez servirá para lembrar
Que no futuro possa lhes querer.
139

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Prestes e Silva

Encantada.