André Medeiros

André Medeiros

n. 1967 BR BR

n. 1967-10-22

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A Rosa Amarela do deserto.



 

Fui na feira comprar flores pra ela

Ela queria uma rosa do deserto amarela

O feirante não tinha a rara flor

Pra não desagradar a minha bela

Trouxe na sacola todo o deserto pra ela.

 
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Poemas

154

Os Não - Namorados.

Repara no tempo
No galho, a folha solta que cai, distraída
Tem seu motivo
Sua rota definida.

Os Não – Namorados, não namoram
Eles se observam e conservam
O Amor que não podem abraçar.

E o sentimento guardado que eles deixaram
Na gaveta da espera
Adormecido pra não incomodar, quieto pra não esquecer
Um dia talvez servirá para lembrar
Que no futuro possa lhes querer.
141

Nós e os outros.



 Pessoas gostam de ouvir que estão certas

Abolir o ódio é aprender a amar de novo

Encontrar um novo sentido e resgatar as amizades perdidas.

 

Perdoar é esquecer como nunca houvesse acontecido

Livrar – se das algemas da culpa

Porque as vezes a culpa é do mundo.

 

Tudo está diferente, embora óbvio como sempre.

Toda dor é uma oportunidade

De recuperar a humanidade.

 

Você não sabe, mas acredita.

O que importa é como tratamos uns aos outros

Aí mora o sentido da vida.

 
155

Uma Canção.



 

Queria fazer uma canção pra ela

Mas não sei tocar um instrumento

Então pra mostrar meu sentimento

Cantei pra ela o silêncio.
190

A Jornada.

Ela repara no tempo que descortina
As janelas se abrem para o nascer do sol
E embora aflita ela borde sapatinhos
E tenha receio do amanhã
A certeza de que tudo dará certo
Já está fecundado no caroço da maçã, que depura.

Então ela percebe:
Que toda jornada de dor
Também é uma jornada de cura.
223

Um Coração Manso.



 À Medida que caminhas

Distinguindo a fantasia

Tu saltas e te iluminas

Enxergando o que não vias.


No apêndice da ignorância

No tempo da intolerância

Esgotada a paciência

Ainda que tamanha a distância, aprenderás:

- Que mesmo não se dando conta

O Amor sempre esteve lá.
156

O Nada e o Nunca.

O Nunca se encontrou com o Nada para conversar.

 

Em meio a um silencio absoluto o Nada indagou: porque a gente nunca termina o que começa, sempre ficamos no meio do caminho?

 

O Nunca respondeu: Talvez seja egoísmo, difícil abrirmos mão dos nossos pontos de vista definidos.

 

- Você nunca aceita mudar

- Eu nada faço para aceitar.

 

- E o que faremos com isso?

 

-  Precisamos aprender a amar.
165

Poeminha.

Sem o teu sorriso

Nada faz sentido

Nem o carnaval

Nem um retiro

 

Sem o teu sorriso

Não há motivo

Pra ser feliz

Pra ter destino.

 

Sem o teu sorriso

Não há nada

Nem tudo isso.
183

Epitáfio.

Não sabia de nada

Pensava de tudo

Só queria ajudar

Mas atrapalhava de vez em quando.

 

- Cometia pequenos excessos amorosos.

 

Foi feliz quando possível

Se o amor não lhe sorriu

Espalhou poesia sempre que pode.
229

A Janela.

Tenho pensado em um presente pra ela

Mas ela já tem tudo...

 

Vou comprar uma janela

Por em cima de seu muro

Abrir e sorrir pra ela

 

Quem sabe então assim

Ela não muda de ideia

E arruma tempo pra mim.

 
174

Encontro.



 

A vida ensina

as vezes a gente aprende

as vezes não.

Nossas paredes de convicção

Ainda prendem a nossa atenção.

 

E ficamos por aí

Como quem gosta de ninguém

Mas as vezes a gente entende

E o amor vai mais além.

 

Deixa de ser receio e dúvida

E torna – se paz.
157

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Prestes e Silva

Encantada.