Ela repara no tempo que descortina As janelas se abrem para o nascer do sol E embora aflita ela borde sapatinhos E tenha receio do amanhã A certeza de que tudo dará certo Já está fecundado no caroço da maçã, que depura.
Então ela percebe: Que toda jornada de dor Também é uma jornada de cura.
218
Um Coração Manso.
À Medida que caminhas
Distinguindo a fantasia
Tu saltas e te iluminas
Enxergando o que não vias.
No apêndice da ignorância
No tempo da intolerância
Esgotada a paciência
Ainda que tamanha a distância, aprenderás:
- Que mesmo não se dando conta
O Amor sempre esteve lá.
153
Poeminha.
Sem o teu sorriso
Nada faz sentido
Nem o carnaval
Nem um retiro
Sem o teu sorriso
Não há motivo
Pra ser feliz
Pra ter destino.
Sem o teu sorriso
Não há nada
Nem tudo isso.
178
O Nada e o Nunca.
O Nunca se encontrou com o Nada para conversar.
Em meio a um silencio absoluto o Nada indagou: porque a gente nunca termina o que começa, sempre ficamos no meio do caminho?
O Nunca respondeu: Talvez seja egoísmo, difícil abrirmos mão dos nossos pontos de vista definidos.
- Você nunca aceita mudar
- Eu nada faço para aceitar.
- E o que faremos com isso?
- Precisamos aprender a amar.
162
Epitáfio.
Não sabia de nada
Pensava de tudo
Só queria ajudar
Mas atrapalhava de vez em quando.
- Cometia pequenos excessos amorosos.
Foi feliz quando possível
Se o amor não lhe sorriu
Espalhou poesia sempre que pode.
224
A Falta o tempo faz.
Se corro ele me persegue Se paro ele me atropela Se evito ele me desgasta Se não vou ele me arrasta
Me falta tempo Ele não cabe no meu dia Ou sou eu que faço do meu dia Mais do que eu posso carregar?
Só sei que falta tempo Para ter tempo de observar Do que realmente precisamos Do tempo para usar.