Lista de Poemas

Gravatá

Com a exuberância do Gravatá
que floresce em abril, 
Existe uma festança que não
permite ser o que não sou;
Com o olhar voltado 
para a estação eu estou. 

Feminina, arraigada e devota
ao que é da minha terra,
Não preciso de enfeites 
porque minh'alma amorosa
o Hemisfério Celestial Sul 
com orgulho secreta. 

Pequenos jardins não tem
a minha mínima afinidade,
Só me encontro onde há 
floresta em liberdade,
na beleza que se discreta 
com plenitude e serenidade. 
 

14

Terra de Paz, Sem Redomas


No andar dos princípios universais
onde todos os povos são iguais,
sob a copa do Pau-Brasil e de tantas
outras árvores não é nenhum
esforço buscar o entendimento,
junto de quem não está entregue
de corpo e alma à supremacia;
não estou falando nada demais
ou que viole o direito à vida digna.

A lei da Nação do Chuí ao Caburaí
que cabe aos povos deste território
jamais pode vir a ser comutada,
mascarada ou desprezada,
por outra lei que coloque
qualquer povo envolto
e protegido por uma redoma,
porque aqui é terra de paz,
e nos lemos entre os nossos
como iguais mesmo os mais intransigentes,
não somos e jamais seremos
procuradores de guerras de outras gentes.

Por qual razão estou falando nisso?
Parece que uns além de ignorarem
o próprio solo gentil - andam ignorando
o que é de declaração universal
sob o manto do Hemisfério Austral;
Sim, é verdade, estou alertando,
para que não nuble o cérebro,
não tapem os ouvidos,
não nos vendam os olhos,
não amordacem os lábios,
para que amanhã não seja tarde demais.

Para que no futuro não nos sobre
o vazio de nós mesmos sobre
os pratos da balança da justiça.

 

6

Tulipa Selvagem

Deixar-se levar pelo tempo
onde os homens olham 
para os relógios não desafiam,
porque fazer o refúgio 
que protege o sagrado,
o paraíso e o profundo,
faz das vidas dos impérios 
não mais serem as mesmas,
é mister abrir as tais fendas. 

Permitir que os sonhos 
deslumbrantes incendeiem 
sem deixar que se extinguam 
à guiar-se pelo caminho 
que as estrelas conhecem,
e iluminam o único exército 
que se curva diante de Deus.

Faça Sol ou faça Chuva,
ciente de que sou 
a que é total fora da curva,
sem temer nenhum abismo,
no teu peito escrevi o destino,
que nós não podemos controlar;
a florescida tulipa selvagem 
em todas as estações de amar.

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Canela-guaicá

Calar sobre o que é injusto
mesmo não sendo
na prática o outro lado,
pode vir no futuro custar
um preço muito caro,
e por cumplicidade passiva
se tornar a real condenação.

Quando se cala o justo
se cala um aliado
para caminhar lado a lado,
quando for se deparar
com o que for tumultuado.

Vivo sob a Canela-guaicá,
não permito calar nem sobre
tudo aquilo que não gosto;
pois não existe conforto
quando se habita no injusto,
e por mais desconfortável
que seja a verdade rendo culto.

Onde há dor do povo, do meu jeito
abraço e continuo falando
para que a injustiça e a indiferença
no nosso meio não enraízem.
Deixo falar o que falarem,
mas ao aceleracionismo dou
minha jura de agulha no palheiro:
para que o êxito não alcancem,
porque não há mundo derradeiro.
 

26

Ouro

Sentir a brisa do Oeste Catarinense 
sempre que cruzar a estrada,
Não esquecer da resiliência 
da imigração italiana;
do que Nossa Senhora mostra, 
e jamais nos engana.

Enlevar a memória da sobrevivência
do Vale do Contestado, 
das lavouras às criações;
Viver de sol a sol com o peito
apaixonado pelo povo,
e festejar com quando 
chegar a Festa do Colono. 

Sob a benção do Rio do Peixe 
lembrar que um dia foi Capinzal, 
e se ergueu como Ouro;
Banhar-se nas águas termais 
valiosas como um tesouro,
e derreter-se de orgulho. 

Agradecer constantemente 
por ter chegado, nascido
ou escolhido neste lugar 
viver n'amplidão das aves a voar,
que é todo feito de beleza,
para amar, respirar, serenar 
e com tranquilidade para morar.

2

Laelias de outono

O firmamento do céu de abril
ilumina para demonstrar que
nem sempre é regra ou flâmula 
de deterioração o silêncio 
mesmo diante do que é grave,
A bondade e a tolerância
não são diferentes de tudo 
o que têm os próprios limites. 

No final tem mesmo a ver
com o histórico injustificado,
prolongado e sistemático 
de hostilidade contínua,
que tem a capacidade 
de manter viva a simpatia. 

Embora buscando a tentativa 
de cavar uma culpa moral,
Onde nem nunca houve 
na realidade o porquê 
nem nunca foi sequer real.

O distanciamento protetivo
e a dívida moral invertida, 
levaram à tona e sem disfarce 
para serem publicamente lidos
que entre os interessados 
não mais sequer existem idos.

Não aprenderam com o passado,
ignoraram efetivamente o ditado:
"Quem procura acha",
Perdendo a autoridade da queixa,
ao terem desfeito da boa fé alheia.

Florescidas como laelias de outono
a apatia reativa e a erosão da empatia,
fazem parte do ciclo natural,
Principalmente quando a linhagem 
arriscou a própria vida,
e em troca a ingratidão e a ofensa
se transformaram de forma sistemática 
e ofertaram como banquetes prolongados.

7

Orquídeas de Outono

As expectativas românticas 
seguem intocadas mesmo
que digam que sejam tardias 
ou transformadas em ilhas. 

Florescem na Mata Atlântica
com as orquídeas de Outono 
na bela Santa Catarina, 
assim mantém-se a poesia. 

Cultivar tudo o que faz sorrir,
inspirar, não desistir e sonhar,
é imperativo para caminhar.

Não importa a estação,
o importante é manter vivo 
o que faz bem ao coração. 
 

9

Cattleya intermedia

A tez, o sangue e o perfume 
são de Cattleya intermedia,
Do Sudeste ao Sul, tudo meu,
inclusive a visível poética.

Os tempos seus, na verdade,
são mais meus do que seus;
Não preciso de pressa porque
confio plenamente em Deus. 

A preparação da travessia 
do meu peito ao seu tem 
algo de Via Láctea que ilumina,
e os olhos rejeitam perder a vista.

Quando você chegar não faço 
nenhuma questão de ser forte,
Ou até mesmo ter razão absoluta;
para mim, o suficiente é ser sua.

3

Ribeirão Garcia

Na companhia da Lua,
do Sol e das estrelas, 
na Serra de Itajaí 
nasce o Ribeirão Garcia
todo cheio de vida.

Esse Ribeirão Garcia 
que permite que tenhamos 
vida em abundância,
e beija a Mata Atlântica.

Tão precioso para as vidas 
não apenas das capivaras, 
lontras e garças, 
que o ribeirão enfeitam,
e os olhos encantam. 

Muitos sem notar 
que este ribeirão 
que amavelmente festeja
a querida Blumenau
desagua no Rio Itajaí-Açu 
do nosso destino,
por isso todos os dias 
celebro este ribeirão tão querido.

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Sálvia-da-serra

Nos campos de altitude 
e encostas serranas,
sou a tua Sálvia-da-serra
espalhada e em flor,
no coração que é terra 
que ninguém pisa.

Tua atitude de beija-flor,
é o que vai me capturar
Porque sou poetisa,
com as palavras sei lidar,
e sei bem me segurar.

O que espero mesmo
é uma demonstração
de real interesse e amor,
que dos pés ao íntimo 
venha inteiro me acariciar.

Se não for deste jeito,
não adianta tentar,
porque se não for assim
admito que não quero,
o melhor é o que espero.

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Comentários (21)

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Eu moro no interior do Estado de Santa Catarina. A minha vida é na pacata cidade de Rodeio, Médio Vale do Itajaí.

Eu moro no interior do Estado de Santa Catarina. A minha vida é na pacata cidade de Rodeio, Médio Vale do Itajaí.

Minha cara poetisa... sabe como gosto de teus textos... as vezes comento as vezes não... mas ver as estrelas como tu a vê...somente pelo meu sonhos que em uma noite parecia que meu corpo estava acima das nuvens , onde tinham tantas estrelas pequeninas e acordei com esta forte comossão. ( me parece que tu viajas muito ) ? bem abraços e muita saúde. A todos os seus. Ademir.

Olá amiga Poetisa.... belo texto poético ... estás a procura do bem viver , mantendo o significado de seu bem querer. pessoalmente , acho teus versos um encontro da natureza que frutifica teu belo coração. Parabéns. Ademir.

Olá cara poetisa.... tu fizeste bem fazer da paz uma rebeldia , em poema de grande alegria. abraços.