Lista de Poemas

O RIO QUE CORRE

O rio é água

A água do rio

Que corre

O rio, a água...

O rio que corre.

Correndo sempre

A água do rio.

415

FLORES DA PRIMAVERA

Nas águas rasas do rio Parnaíba
Este vento espalha flores da vida.
E canto eu cá, com o rosto paíba,
Estando com saudades, ó querida!

Vejo rosas neste campo de abril!
Colho flores de alegria vivida!
Observando este belo orvalho inútil,
Esquecendo-me da vida sofrida.

Eu amo a terra muda e solitária
Que tais anjos deram-me de presente.
É como sentir esse vento quente!

Nestes louvores vejo a fantasia
Tentando fugir deste paraíso,
Onde se tem flores em demasia.
424

MULHER EM FRENTE AO ESPELHO

Joga o cabelo pro ar 
a balancear.
Gira o corpo para o bumbum olhar,
arrebita com as mãos os seios levemente...
dá um suave tapinha na bunda
e não se conforma.

E novamente ao espelho volta a se olhar.
Puxa um pouco a blusa para baixo
abrindo um belo sorriso
e fazendo pose a se admirar.

Não se contenta com o que vê...
Troca novamente de roupa.
Isso se repete por dia várias vezes.
Mulher é um bicho vaidoso.
Prefiro mulher do mato... Bicho do mato!
Igual as índias Caraíbas
que vivem em árvores a se “trepar” nuas
e em riachos totalmente despidas a tomar banho
sem saber o que é um espelho.

__ O que você está fazendo mulher?
__ Estou me emperiquitando.
__ Emperiquitando? O que é isto?
__ É vaidade. É beleza. É raridade.

Mulher em frente ao espelho,
acho que isso vai demorar.
Já zerei o cronômetro e já vou contar 
os minutos que você passará
em frente ao espelho.
404

CHUVA DE SAPOS

Não consigo falar só de pensar... Eita inverno...

Todo inverno é a mesma coisa na minha casa,

Cai um sapo do telhado, um repugnante sapo

Um sapo asco...

 

Calado cai em cima de mim, um sapo...

Splesh... ouço sapos caindo ao chão.

Tem sapo em cima do sofá

Sapo em cima do colchão

Tem sapo dentro do copo

E do copo sapos caem ao chão

Em busca de novos abrigos

Para a diversão...

 

Mas sapos são sapos, não tem discussão.

Se são bonitos ou não eles caem ao chão...

Sapos frios, frios sapos do verão

Que aparecem no inverno

E vários caem do telhado...

Será uma chuva de sapos?

 

Sapos malditos que se espatifam neste chão

E pulam sempre sem uma exata direção...

Mexendo com tudo e todos

Uma verdadeira ilusão.

SaPoS saltitantes, uma só sensação!

 

Splesh... Opa! Caiu outro sapo ao chão.

 

436

ESTRADA DA VIDA

Na estrada real da vida
Sinto uma energia de despedida
Ouvindo lamentos de povos antigos.
E vendo o presente virar passado
Bebo corajosamente o orvalho do capim.

Sei que não valho tanta coisa assim,
Pois na verdade não sou nada,
Mas quando do meu corpo sair minh’alma
Poderei assim viver a eternidade.

Não sei se deixarei marcas ou saudades
De um tempo pouco aproveitado.
Sinto falta de minhas responsabilidades,
De meus tempos de escola, estudar para as provas
E no intervalo jogar bola.

A estrada vou desenhando vagarosamente...
Com um lápis na mão rabisco o papel em branco.
Faço uma linha reta sobre um plano,
Com muito cuidado na hora do cálculo
Para que eu possa fazer o caminho mais viável
Sempre com meus projetos em mãos.
403

A ERA APOCALÍPTICA

Numa desilusão eterna

Vejo um fim calamitoso.

Ponho as mãos na cabeça,

Uma dor contundente me move.

 

E num desapego fraterno

Entre o céu e o inferno

Canto minhas melódicas canções

Cheias de trevas, de mágoas e de dor.

 

Tudo está prestes a virá pó.

É como uma corda a dar um nó,

Um desvario a se esclarecer,

Um pungente grito de socorro.

 

E quem dera neste juízo final

Seremos julgados ao lado infernal!

Sob a morte ao fim de uma vida,

Todas as espécies de Deus estarão extintas!

437

HOMENAGEM AO FOTÓGRAFO

Para eu acordar deste pesadelo medonho

Preciso primeiro refletir a vida,

Deixar de lado a dor sofrida

E fotografar o que é simples,

Pois é na simplicidade que existe a beleza!

 

Ter um belo olhar para o mundo,

Onde o pequeno pode tornar-se grande,

O escuro tornar-se claro,

O feio tornar-se belo...

 

O fotógrafo concentra-se bastante,

Tem uma paciência incrível

Para conseguir um bom macro

De um simples lagarto na grama.

 

Ah, este profissional merecia mais reconhecimento,

Que vive atrás do vento

Procurando algo belíssimo para registrar.

 

Fotografar também é arte!

Ser fotógrafo realmente é incrível!

Profissional que se dedica ao máximo

Por amar as cores, a luz e os efeitos.

443

VELHO PALHAÇO

Do coração surgem risos

Como um rio d’água límpida.

Aquele que sente a alegria

N’alma com risadas sem espinhos.

 

O velho palhaço, de sonhar, anda sorrindo.

Ele também ri com o público

Sob os aplausos da imensa plateia,

Na maior monotonia que existe em si.

 

Há tantos palhaços tristonhos!

Que fazem brotar da dor a alegria

Lapidando pedras preciosas.

Oh palhaço velho! Tão lascivo!

Além-mar vão seus pensamentos

Voando pelo tempo e pairando nas nuvens.

471

CÂNTICO DOS PARDAIS

Ouço as cores e o som melodioso!

Um Encanto! Uma Beleza! Uma Suavidade!

Que Magnitude! Que Alvura!

É o som melódico dos pardais.

 

E no compasso da melodia

Balançam os galhos da caramboleira,

Num ritmo alucinante!

Fantástico! Esplêndido! Brilhante!

 

Voando as serras bem distantes

Voam para o infinito em busca de paz,

Cantarolando sempre, esses tais pardais!

 

Essa mistura de sentidos

Encantam meus ouvidos,

Levando-me ao paraíso sem fim...

484

IGREJA DE UNIÃO

Seus belos traços tão antigos

hoje se encontram ref ormulados .

E seu belo formato me faz lembrar

daquelas grandes igrejas medievais.

Somente nela está guardado

o segredo do Estanhado,

o grande mistério do proprietário

da antiga fazenda de gado

hoje a ilustre cidade de União.

E é somente esta belíssima Matriz

Sob a invocação de Nossa Senhora dos Remédios,

que embeleza ainda mais os católicos

que vivem cantando sempre no ritmo...

mas é no ritmo do sino!

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Antonio Félix da Silva Neto nasceu no dia 02 de setembro de 1993, numa pequena cidade chamada União, no estado do Piauí, Brasil. Possui vários poemas publicados em concursos literários, dentre os quais de destacam: IX Prêmio Literário Livraria Asabeça (2010); X Concurso Literário Poesias Sem Fronteiras (2014); Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos vol. 108 e 109; Entre outros.
Atualmente, faz um curso de Licenciatura em Filosofia pela Universidade Federal do Piauí (UFPI).