Antonio Félix

Antonio Félix

n. 1993 BR BR

Antonio Félix da Silva Neto nasceu no dia 02 de setembro de 1993, numa pequena cidade chamada União, no estado do Piauí, Brasil.

n. 1993-09-02, União - Piauí

Perfil
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O LUTO DA VIDA

Sob incabíveis procedências
Olho para o infinito,
Não há mais tendências,
D’alma sai um grito aflito.

E nesta imponderável dor
Entre calamidades e horrores,
Desditoso infortúnio de sonhos,
Sinto um lúgubre de responso...

Nesta fúnebre infinita de dor
Meu peito explode, sepulcral.
E neste lôbrego de horror
Fico dentro de um abismo imoral.

Entre as coisas inefáveis da vida
Têm-se também as tristes e sofridas,
As contundentes nostalgias,
Os cantos lutuosos de melancolia.

Com este vestuário tão escuro
E flores brancas nas mãos
Meu corpo sente os efeitos 
Da dor e da solidão.
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Biografia
Antonio Félix da Silva Neto nasceu no dia 02 de setembro de 1993, numa pequena cidade chamada União, no estado do Piauí, Brasil. Possui vários poemas publicados em concursos literários, dentre os quais de destacam: IX Prêmio Literário Livraria Asabeça (2010); X Concurso Literário Poesias Sem Fronteiras (2014); Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos vol. 108 e 109; Entre outros.
Atualmente, faz um curso de Licenciatura em Filosofia pela Universidade Federal do Piauí (UFPI).

Poemas

27

MULHER EM FRENTE AO ESPELHO

Joga o cabelo pro ar 
a balancear.
Gira o corpo para o bumbum olhar,
arrebita com as mãos os seios levemente...
dá um suave tapinha na bunda
e não se conforma.

E novamente ao espelho volta a se olhar.
Puxa um pouco a blusa para baixo
abrindo um belo sorriso
e fazendo pose a se admirar.

Não se contenta com o que vê...
Troca novamente de roupa.
Isso se repete por dia várias vezes.
Mulher é um bicho vaidoso.
Prefiro mulher do mato... Bicho do mato!
Igual as índias Caraíbas
que vivem em árvores a se “trepar” nuas
e em riachos totalmente despidas a tomar banho
sem saber o que é um espelho.

__ O que você está fazendo mulher?
__ Estou me emperiquitando.
__ Emperiquitando? O que é isto?
__ É vaidade. É beleza. É raridade.

Mulher em frente ao espelho,
acho que isso vai demorar.
Já zerei o cronômetro e já vou contar 
os minutos que você passará
em frente ao espelho.
415

TEMPESTADE DE MÁGOA

Numa chuva ventosa

Ando numa dolência íngreme...

Apreciando a paisagem tenebrosa,

E os relâmpagos que surgem temo.

 

E num temperamento ineficaz

A chuva geme em uma dor plangente,

Bate forte no telhado em paz!

E numa obscuridade presente...

 

Ah, chuvas passageiras, frias e grossas...!

Soluçando nos telhados,

Chorando ao vento....

Balançando das árvores os galhos.

 

E neste som contagiante

Grito num desespero grande:

─ Parou a chuva delirante!

─ Parou a chuva amante!

 

Nesta chuva tão perfumada

Ouço as gotas, sua grandeza,

Sua forma tão límpida e clara!


E num repúdio tão rejeitado,

Deixo a chuva então de lado,

Fecho meus olhos lasso

E ponho-me a dormir.

428

AMAR, PRA SE AMAR

Conheço tantos poetas do amor!

Que escrevem canções de amar!

Amam com apenas um simples olhar

De ver brotar na terra uma linda flor!

Queria também amar, mas não há sentimentos

Porque não sei o que é amar.

Se eu não me amar como vou amar?

Amar se não amar a vida

Amar o sol, amar a lua, amar a brisa...

Hoje estou afogado no mar dos sonhos

Vendo o tempo passar sem amar

Por que AMAR?

Ah, este sentimento impiedoso, atroz, funéreo

Sinto-me preso dentro de um cárcere eterno...

Não consigo ver a luz no fim do túnel...

Está tudo escuro, um grande mistério!

A verdade do amar é o silêncio...

Um amor não correspondido,

Amar é a mais pura fantasia

Que só me causa agonia

Queria apenas uma vez amar e me apegar

Mas como vou amar se eu não me amar primeiro?

441

ACAMPAMENTO NO ESTANHADO

A Batalha do Jenipapo tem sua marca!

Uma das mais sangrentas batalhas pela independência

já registrada no Brasil, apesar de não ser abordada em

livros de história. Mas bem que deveria.

Todos nós piauienses queríamos a liberdade, a igualdade

e sermos, enfim, independentes de Portugal.

E o Estanhado foi decisivo,

pois Fidié aqui acampara

num matagal expr essivo, onde atravessa depois o P arnaíba,  

acampando desta vez no  Morro das Tabocas, no estado do Maranhão,

e, finalmente, é pego e capturado

consolidando-se, assim, a nossa independência .

435

ESTRADA DA VIDA

Na estrada real da vida
Sinto uma energia de despedida
Ouvindo lamentos de povos antigos.
E vendo o presente virar passado
Bebo corajosamente o orvalho do capim.

Sei que não valho tanta coisa assim,
Pois na verdade não sou nada,
Mas quando do meu corpo sair minh’alma
Poderei assim viver a eternidade.

Não sei se deixarei marcas ou saudades
De um tempo pouco aproveitado.
Sinto falta de minhas responsabilidades,
De meus tempos de escola, estudar para as provas
E no intervalo jogar bola.

A estrada vou desenhando vagarosamente...
Com um lápis na mão rabisco o papel em branco.
Faço uma linha reta sobre um plano,
Com muito cuidado na hora do cálculo
Para que eu possa fazer o caminho mais viável
Sempre com meus projetos em mãos.
415

A ERA APOCALÍPTICA

Numa desilusão eterna

Vejo um fim calamitoso.

Ponho as mãos na cabeça,

Uma dor contundente me move.

 

E num desapego fraterno

Entre o céu e o inferno

Canto minhas melódicas canções

Cheias de trevas, de mágoas e de dor.

 

Tudo está prestes a virá pó.

É como uma corda a dar um nó,

Um desvario a se esclarecer,

Um pungente grito de socorro.

 

E quem dera neste juízo final

Seremos julgados ao lado infernal!

Sob a morte ao fim de uma vida,

Todas as espécies de Deus estarão extintas!

449

MEU ÉDEN POÉTICO

Descrevo o meu gênesis,

 O meu começo, o início de tudo.

Introduzo meus versos repletos de luz!

E no meu próprio Éden desconhecido

Crio meu fabuloso jardim, cheio de árvores...

Mas são árvores do conhecimento, minhas poesias.

 

Reinvento palavras, descrevo sentimentos!

Mergulho num rio sereno,

Mas com cuidado para não me afogar.

O conhecimento é vasto e creio em sua infinitude,

Por isso não mergulho no fundo do rio...

Porque ainda não aprendi a nadar,

Porque há sempre algo a se aprender,

Porque o conhecimento é vasto e infinito!

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