Lista de Poemas

Coisas sem importância VI

Acredito que um dia os Homens descubram, entendam que o maior valor da vida é a sua própria dignidade e o respeito por todos os seres humanos e não o dinheiro que tudo corrompe que tudo justifica, que faz o homem ser predador dos seus iguais numa sociedade, a nossa, cada vez mais medíocre, mesquinha, mais amoral, mais sem ética. Tenho de acreditar. Quero acreditar.

António Patrício Pereira

153

Todas as noite

À noite os homens
acendem a inquietação
no peito,
e esperam que o breu
amadureça claridade
para ganharem mais um tempo de
esperança.

António P. Pereira

153

Todas as noites

À noite os homens
acendem a inquietação
no peito,
e esperam que o breu
amadureça claridade
para ganharem mais um tempo de
esperança.

António Patrício Pereira

156

Um dia chegarás

Um dia chegarás, sem tempo definido,
vestida de planícies,
cansada de ausências.
Nas mãos um punhado de palavras,
no peito as sementes d'um verbo
na voz tantas memórias, tanto chão...

Será na vida que rasgarás uma janela
passagem para a claridade d'um poema
feito de ternas paisagens,
tecidas em fina saudade.

António Patrício Pereira

179

Coisas sem importância IV

Depois dos tempos, tempos viram. Nada será concreto, e tudo o vento dispersará sobre a terra pelos tempos do tempo.

António Patrício Pereira

151

Coisas sem importância II

Ao olhar uma poça de água há quem consiga ver o céu imenso; há quem só consiga ver o seu reflexo… e há aqueles que não vêm nada.
Há, ainda, quem nem se dê ao “trabalho” de olhar para uma poça de água… esses estão mortos e não sabem.

António Patrício Pereira

157

Coisas de gatos

Ali estava ela, mais uma vez, muda nos gestos.
Não sei se contemplativa se letárgica…
Somente o abandono se manifestava nas horas,
lentamente…
Exílada ficava a cor que morrendo se perdia na imobilidade tardia.

No quintal dois pequenos gatos brincavam com o tempo
na tentativa vã de agarrar um momento de vida.
Um pássaro deu-lhes a fuga num sobressalto piado.

De tão suspensa entregava,
sem um lamento, a clepsidra à noite
que branda entrava pelos olhos dos corpos agitados;
num desespero de quem não quer perder a sombra,
efemeridade da matéria.

Dos pequenos gatos ficou a bailar na penumbra
o movimento de uma corrida feita rumor.
O que resta é o jardim, perdido nas trevas.

Agora era já a noite que impunha o seu querer
feito de todos os sobressaltos.
E a nós, barcaças de estreito calado,
restava-nos segurar, de órbitas secas,
a vida, por desepero mantida.

Amanhã voltarão os pequenos gatos…
para brincar ao futuro.

António Patrício Pereira

168

Refúgio

Envelhecem-me os pulsos
todas as noites…
por desespero
seguro a vida que apodrece
nas horas rezadas
a um qualquer Deus
que vai revelando não ser o meu.

Na branda cadência das palavras adormeço
debruçado no muro da memória;
Estilhaços de sangue vão povoando
fantasmagóricos
o grito estrangulado que comigo trago.

Só o calor do teu corpo… terra arada;
E refúgio final das minhas tempestades.

António P. Pereira

152

Navios perdidos

As saudades são navios perdidos
num mar de areia,
esquecidos de navegar,
à espera de um qualquer caís em pedra talhado.

Das outrora cores vivas,
resta-lhes o desbotado da imobilidade.
Da clara silhueta resta a memória
corroída pela ferrugem…

Faltam-lhe pedaços;
lapsos de tempo, esqueleto níveo à vista.
Resta-lhe, projectada na areia revolta,
fiapos de sombra;
estilhaços amargos de um pranto adiado…

De olhos abertos
só o absurdo disforme te fere as veias,
mas se cerrares as palpebras e olhares
verás a saudade por inteiro
a navegar no teu peito magro.

António P. Pereira

156

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Sou (ou tento ser), uma pessoa igual, e diferente, de todos os outros.
Na bagagem levo já amores (uns ganhos outros perdidos), dores (o quanto baste), e algumas, outras, lutas por começar.
Nasci… Tenho alguns anos de vida…
E ainda não morri!
É a vida!!!

E agora, se me permitem, vou continuar a respirar; que a viagem é longa e a vida muito curta para a completar.