Vagarosamente envelheceu (soneto)
Vagarosamente envelheceu (soneto)
Vagarosamente envelheceu
Conheceu a solidão, acordado,
E ao lado do sono se estendeu
Se apaixonou, sem nunca ser amado
Sem nenhum carinho, e sem ternura
Esvoaçou na idade, e o que sobrou
Não passou de momentos de ventura
Tão poucos, que nem os enumerou
Uma dor insolúvel e estranha
Se apoderou do seu ser e da alma
Que parece queimar as entranhas.
Fazendo-o sentir fisgadas lancinantes
Que não param, nunca param, nem acalma
- Coração apaixonado e conflitante
São Paulo, 05/09/2018 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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Vivo num oceano, (soneto)
Vivo num oceano, (soneto)
Vivo num oceano, que me queima,
Tristes caminhos, rasgando meus versos,
Que sobre as ondas caminham dispersos
Decerto, viver deste jeito é uma toleima
Vencido e mil vezes desejando
A morte, tão estranha e honrosa
A esta vida, fingida cor de rosa,
Que mil segredos a dedo foi pintando
Nas entranhas da trama a solidão
Que o silêncio inacabável mudou
Num gesto desigual ao que passou
Empurrando pra longe o coração,
Escondendo no horizonte a lucidez
É isso, que ela fez, com sordidez !
São Paulo, 04/09/2018 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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Tua ingratidão, (soneto)
Tua ingratidão, (soneto)
Tua ingratidão, é a dor que me consome
Já não posso mais pronunciar teu nome
Foste um cântico triste e lento que passou
Rompendo nas trevas aquele que te amou
Sutilmente, tu geraste o esquecimento
E foi a ele, que estendeste o meu tormento
Sonho entre visões, de um eterno bem
Que só tu, podias dar-me e mais ninguém !
Sofre o meu coração, esta imensa dor
Meu peito, não tolera a falta de amor
E só tu, podes entender esta amargura
Amortalhei na confiança o pensamento
E achei em vez de paz, esquecimento
Que levar-me-á por certo à sepultura!
São Paulo, 27/08/2018 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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Niilismo imanente (soneto)
Niilismo imanente (soneto)
Ao *niilismo **imanente foi jogado
Aquele belo sonho, tão almejado
Que ocultei com ***pundonor da vida,
Ante o sofrimento da despedida
Segui rumo diferente ao almejado
Tu, caminhaste para um outro lado
Nossas estradas jamais se cruzaram
As lembranças, nunca te olvidaram
Nos perdemos, nos nadas da ilusão
De nada valeu tão grande paixão
Caminhei sem rumo, e tu ... também !
Perdi-me, pensando no amor d’alguém
Que as reminiscências usufruem
Sem atingir a ****insight compreensão !
*Redução a nada
**Que existe sempre em um dado objeto e inseparável dele
***Dignidade; brio; honra
****Compreensão repentina em geral intuitiva
São Paulo, 11/10/2016 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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Na nudez do destino (soneto)
Na nudez do destino (soneto)
Acúleos espinhos perfurando o peito
A carne dilacerada exangue
Na nudez do destino imperfeito
No emaranhado de veias sem sangue
Madeiro moldado esta minha cruz
Dobra-me a cerviz o fardo pesado
Quem sabe um dia, se acenda uma luz
As trevas urdidas, serão o passado !
Vertem lágrimas do próprio coração
Ante tamanha prostração, abatimento
Resultante da doença na perna e mão.
Só quem pelo infortúnio já passou
Pode aquilatar a dor física e moral
De quem hoje, em si, vê o resto que sobrou
São Paulo, 14-09-2016 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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Foi um cheiro do céu (soneto)
Foi um cheiro do céu (soneto)
Dar-me-ei inteiramente ao teu amor
Tu, dar-te-ás ao meu desejo atreito
Porque amor, separar não teve jeito
O desejo de querer, criou a dor !
No intento estreito do vil destino
Dar-nos-emos satisfeitos, saber
Que num e noutro o âmago de viver
Consiste num amor de peregrino
Foi um cheiro do céu que evaporou
Deixando, porém, toda sua essência
Até quase final d’extinta existência
Inda se sente o olor inebriante
Da coisa mais linda, o teu semblante.
Pena amor, que o sonhou terminou !”
São Paulo, 17/10/2016 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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Nas sombras lúgubres (soneto)
Nas sombras lúgubres (soneto)
Envolto nas sombras lúgubres da tristeza
Caminha na desventura o ancião
Seu rosto de mágoas cheio, com certeza
Por sonhos, por quimeras e ilusão
No calado momento, inoportuno
Onde maldiz, o maligno fado duro
Por seu rosto, escorrem lágrimas, soturno
Ante o injusto cerne, tão escuro.
Cobra-lh’a retidão d’alma cada ato
Ao brotar dos sentimentos a noção
De sabedoria, conhecimento pacato
Demonstrando experiência em cada fato.
- Caminha com a paz no coração
E pensa, porque o mundo é tão ingrato !
São Paulo, 20/09/2016 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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De ver o corpo inerte, (soneto)
De ver o corpo inerte, (soneto)
De ver o corpo inerte, minha alma chora
As lágrimas que verte, são puro sentimento
Do tempo de glória, que se foi embora,
E meu corpo agora, amarga o sofrimento
Por minhas faces cansadas, escorrem
Grossas lágrimas, do desdém desta vida
Ante tamanha prostração, já morrem
As esperanças porventura possuídas,
Em outrora, no tempo que passou
Face ao nada, que hoje sou, resultante
Da doença que o infortúnio me tomou
No deserto paradoxal da coincidência
Por campos amargos, decrépito caminhante
Perdido na vida... perdeu a paciência !
São Paulo, 14-09-2016 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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Amor; (soneto)
Amor; (soneto)
se é que esta palavra tem sentido
após intensa vivência amorosa,
como forma de sublimar o indefinido
de um momento pleno, cor de rosa
projeção impar da síntese perfeita
no apogeu magnético do amor
quando a palavra amor, se estreita,
dando lugar à rival, chamada dor !
sonhos projetados esvoaçando no ar.
no voo dum pensamento intermitente
alçado à lúbrica ceia, vagamente
nos *paroxismos que o desejo faz criar
no **hipocondríaco cérebro sedente
do amor, que ame, verdadeiramente !
*exaltação máxima de uma sensação
**tristeza profunda; melancolia
São Paulo, 10/06/2016 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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O Dom da ubiquidade (soneto)
O Dom da ubiquidade (soneto)
Tivesse eu o Dom da *ubiquidade
Estaria a teu lado neste momento, amor !
Mas, por ser um Dom inerente a Deus
A não ser no pensamento, ninguém o invade
Esse Dom da ubiquidade só se impregna
Se representado pelo pensamento **bergsoniano
Jamais materializado no campo ***teluriano
Pois a realidade é séria e não admite ironia.
Quisera eu, meu amor tê-lo por um só dia
Para minimizar minha louca fantasia,
De poder beijar-te, cheio de alegria,
Acariciar teu seio, sentir teu perfume
Arder de desejos, como madeira no lume,
Oh! quem me dera transpor incólume !
* Que está ao mesmo tempo em toda a parte;
**a ubiquidade do pensamento por Bergson
*** da terra
São Paulo, 28/03/2017 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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