O Pastor
O Pastor
Humilde, simples, homem camponês
Guiado pelo sol e pelos astros
Ele leva seu gado para os pastos
Do acúleo terreno montanhês
Desde o romper da aurora ao por do sol
Atravessa prados e serranias
Sem ir ao povoado passa dias
Vivendo em seu mundo, sem escol.
Coração simples, alma ingênua a sua
Que não maltrata, que não critica
Não joga, nem sabe de política
Só almeja o sol, e à noite a lua
Tem de dia os mansos cordeirinhos
E o gorjeio poético das aves
O sussurro suave pelos ares
Do vôo manso dos passarinhos
Tem o verde dos prados, tem as flores
O olor do alfazema e do alecrim
O aroma do lírio e do jasmim
Matizando os prados multicores.
Armando A. C. Garcia
S.P. 12/08/1964 (data da criação)
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O Vento
O Vento
E o vento, o que o vento passa...
Entre nuvens de espessa fumaça
Ninguém sabe, ninguém, jamais, viu!
Ninguém quer saber o que ele sentiu.
E o vento, lento ou forte se desloca
Bruma suave, ou rajada que passa
O vento não pára um só momento
É como no homem o pensamento.
E o vento alando-se ao infinito
Levado por um sonho bendito
Sem saber se o que lá o espera,
Se miasmas, nuvens, ou cratera
E na sua missão nobre e boa
Em que afasta a trovoada que ecoa
Também, leva a semente caída
Que dará vida a outra vida.
E o vento que parece mau e inútil
Todos o encaram como coisa fútil
Entretanto afasta as miasmas de doenças
A fumaça e a poluição intensas
Armando A. C. Garcia
S. P. 04/10/1964 (data da criação)
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Vitória injusta
Vitória injusta
Não vence quem a vitória injusta conquista
O tributo que aufere inda será tornado
Vitupério algum será troféu de artista
E um dia... verá não ter sido admirado !
O remédio não defenderá seus passos loucos
Esforço, empenho, bravura e atrevimento
Não serão ajuda, o dar-lhe ouvidos moucos
Mesmo que tomado de bom comportamento.
Armando A. C. Garcia
São Paulo 13/12/2001 (data da criação)
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A Última Cartada
A Última Cartada
Já cantam os galos, madrugada é alta
A luz no seu quarto contínua acesa
E na sala, o candeeiro sobre a mesa
Espera apagarem as luzes da ribalta
A noite caí. E no silêncio profundo
Aumenta o seu desespero a sua dor.
Na espera interminável do seu amor...
Do próprio companheiro deste mundo.
Que no cassino àquela hora, embriagado
Já perdeu até o último vintém.
E para última arriscada põe, também,
Em jogo, o apartamento mobiliado.
Pois na magia das cartas trapaceiras
Perdeu tudo, naquele jogo foi lesado
Deixando todo seu lar prejudicado
A troco de infamantes bebedeiras.
Armando A. C. Garcia
S.P. 31/08/1965 (data da criação)
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Bem-vinda sejas
Bem-vinda sejas
Pétalas de flores brotarão à tua passagem
Olor de perfumes cobrirão a aragem
E impregnarão lá no alto os feitos teus
Para toda a eternidade, habitares os céus.
Tua alma áptera alar-se-á ao infinito
Onde os anjos, os íncolas celestiais
Terão para ti, honras e glórias divinas
Pelo teu viver cheio de paz e bendito.
Gozarás de toda a glória, de toda a ventura
Que por séculos e séculos, nos céus perdura
Para as almas pulquérrimas e benfazejas
E como a tua, também é. Bem-vinda sejas.
Armando A. C. Garcia
São Paulo, 29/06/1964 (data da criação)
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Não fujas novamente...
Não fujas novamente...
Se me esperas, não há mais porque esperar !
Se o amor te fere, neste teu gesto lindo
Não fujas novamente, deixa alcançar
Que a esperança não fique... só te seguindo
Tiraste do coração o que não tinha
O riso, alegria, desejo de viver
Foste tu, a razão da desdita minha
Destino cruel, imutável sofrer !
Se nem tu, poder fugiste, ao destino
Das juras de amor, guarda prometida
Obedecendo ao ensejo alto divino,
Eis que voltas com a alma redimida
Trazendo em teus deleites esperança
Como prêmio, que a vida dá, lá no fim
Da imensa angústia, da desesperança
Chama do amor, jamais apagada em mim.
Armando A. C. Garcia
São Paulo 13/12/2001 (data da criação)
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O Velhinho
O Velhinho
O sol! sol abrasador de meio dia
Caía em cheio no caminho deserto
Não havendo uma sombra, ou um coberto
Onde descansar do calor que fazia
E, naquele sol impiedoso, escaldante
Caminhava a pouco e pouco já cansado
Apoiando-se a muito custo no cajado
Aquele velho andrajoso caminhante.
As borboletas são as suas flores do espaço
E as plumagens coloridas dos passarinhos
São como seus cantares, únicos carinhos
Que cheios de ternura, o envolvem num abraço!
Caminhando só, enfrenta a natureza
Virá uma brisa, encontrará uma fonte
Encontrará um vale, descido o monte.
E, onde possa saciar sua fraqueza!
E quando às vezes a noite caí no caminho
Fica dormindo ao relento, noite aberta
Fitando as estrelas doiradas da coberta
Que espiam dia a dia o seu caminho.
Armando A. C. Garcia
São Paulo 18/03/1964 (data da criação)
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Pé de Chumbo
Pé de Chumbo
Os ferros serão retorcidos, quebrados
Das grades frias de cadeias e prisões
Não haverá mais severas punições
Como não haverá eternos condenados.
Os espíritos do umbral, serão afastados
Da face da terra para um novo planeta
Numa missão expiatória de capeta!
Ao tártaro niilismo condenados...
Como os homens primitivos das cavernas
Pleurisseculares íncolas da terra...
Cruéis, sanguinários, sedentos de guerra
Serão sua índole, suas regras internas
Do Pé de Chumbo, primitivos habitantes
Planeta esse que em órbita já entrou
E o homem, ainda, não qualificou...
Por ficarem suas rotas tão distantes.
Se os homens prestarem atenção nos pólos
Verão que o eixo da terra se abalou
E o clima bastante se modificou
Como podem comprovar os próprios solos.
Mas quando esse planeta se for aproximando
Serão pela força magnética atraídos
Para serem do seio da terra expungidos
Esses espíritos que Deus está separando.
Aí separar-se-á o joio do trigo
Como está escrito nas velhas profecias
Como o anunciou o próprio Messias
E como meus irmãos hoje, eu vos digo.
Haverá na terra grande transformação
O homem praticará o evangelho
Haverá respeito pelo moço e pelo velho
E da gula e da ganância abolição
Não haverá espíritos perturbadores
Todos querer-se-ão como irmãos
Porque Deus os separou com suas mãos
E a ajuda dos espíritos Superiores.
Armando A. C. Garcia
São Paulo, 27/07/64 (data da criação)
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Sonho sem sentido
Sonho sem sentido
Iníqua tanta, tamanha e dura covardia
Que vingar da sorte eu queria ter podido
Mais que a ira e piedade a morte prometia
Fiado na promessa do amor comprometido.
Se tão bela era quanto imaginar eu posso
Lancei no negro esquecimento adormecido
Alegres apetites no interno do meu fosso
Dos quais não tive gosto, sonho, nem sentido ...
Adormecido no bruto sonho interno meu,
Nos anos a fio que descendo vão a fundo
Vens agora, despertar quem já sofreu
Quanto sofrer, a alma pode neste mundo.
Encontras em mim uma sombra do passado
Tão mal apagado o fogo do amor está
Por ti abatido, foi morto, sepultado !
Cumpra-se o destino. Põe nele a cal de pá.
Nos versos que escrevo, em vão pretenso intento
Foste imenso lago, no reino fundo de meu peito,
Imenso amor, intenso e diáfano pensamento.
Tu, cheia de medo e de receio do meu leito!
Não venhas agora aprisionar meus curtos dias
Não haverá quem ao amor, reserve resistência...
Nem o corpo, nem a mente lhe ordenaria,
Aquele que foi vencido, lutará com renitência.
Armando A. C. Garcia
São Paulo, 13/12/2001 (data da criação)
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O Sol
O Sol
Nos pináculos do zênite o sol dourado
Resplandece orbívago alcandorado
Projetando em catadupas a luz do dia
Rompendo as trevas na amplidão da utopia.
E nas pulquérrimas asas do Empíreo
Vives alado na imensidão do sidéreo
Por miríades de anos enamorado
Tens sido até pelo homem idolatrado
Na amplidão cerúlea, cercado de estrelas
Tu és o Rei perene entre as coisas belas
Habitas entre Deus, as estrelas e os céus
Os páramos celestiais, domínios de Deus!
Lídima é porém, essa tua morada
Pois foi Deus que te colocou na sua alçada
Para dares calor, luz e vida ao mundo
Demonstrando que até tu és oriundo.
São Paulo, 18/04/1964 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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