E poeta é qual vinho envelhecido
Em antigos tonéis de carvalho
Por alguns será bebido,
Por outros, só degustado !
São Paulo, 10/09/2009
Armando A. C. Garcia
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Se o poeta rasga os versos
Se o poeta rasga os versos
Sem coragem de mostrá-los
Seus pensamentos dispersos,
Não têm força para amá-los
Se o poeta rasga os versos
Não acreditou no que dizia
Ou eles são tão perversos
Que turvam a luz do dia
Se o poeta rasga os versos
Seus sonhos, ele viu morrer
Pois eles são o universo
De quem gosta de escrever
Se o poeta rasga os versos
Algo neles quis esconder,
Ou ele é ruim de converso
Ou como eu, perde o dizer
Se o poeta rasga os versos
Por certo já decaiu
E em funda tristeza imerso
Do que falava, mentiu
Se o poeta rasga os versos
Ao lusque fusque da aurora
Seu âmago está disperso
De sua musa inspiradora
São Paulo, 21/09/2014 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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O Legado do Pai !
Sentei-me neste banquinho
Esperando por vocês
Cada qual por seu caminho
Não chega nenhum dos três
Nem Paulo, nem Eduardo,
E nem mesmo o Francisco
Vêm visitar este fardo
Que já, do fim está *prisco
O tempo passa e não chega
Nenhum dos filhos queridos
Cada um em si carrega
Dois pesos descomedidos
O dinheiro e a ambição
Tomam conta de suas vidas
Nunca lhes faltou o pão
Pra essa corrida enlouquecida
Eu, contínuo esperando
Já no limite da vida
Vocês ficam tateando
Na loucura ensandecida
Perderam de vez a razão
Esquecendo de vosso pai
Um velho e fraco ancião
Que neste banco se esvai
Foi muito amor e carinho
Que na infância vos deu
Três doutores. Esse o caminho,
Que para vós escolheu.
Hoje, aqui abandonado
Sentado espero a morte
Como já não sou lembrado
Vos desejo melhor sorte !
E neste breve legado
Vos deixo meu sentimento
Deste pobre desprezado
Relegado ao esquecimento
A morte já bate à porta
Despeço-me de vocês,
A caligrafia está torta,
Tal como a vida dos três.
Salvador, 16/09/2014 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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*antigo; vetusto
A dor da solidão
Tive a dor da solidão por companheira
Ante a tua ausência súbita, inesperada
Mudaste o curso de minha cachoeira
Para turvar a água cristalina; Que cilada !
Deixaste-me de mãos atadas, com a dor
É detalhe que não importa na caminhada
No paradigma entre o ódio e o amor
Sem pressa, na vida longa, angustiada.
Como posso olvidar a mor verdade
Sem pesar toda a essência fulminante
Aquela que doeu atrás, na mocidade
E até hoje faz parte desta história
Tão profundo o amor que ainda debate
E inflama esta pobre oratória !
Porangaba, 31/08/2014 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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Amor que o vento levou...
Não tem nada que amenize
O amor que o vento levou
É uma constante crise
Que nem o fogo queimou
Só quem perdeu um amor
Pode então avaliar
A imensidão dessa dor
Que não para de abalar
Oh! Que destino malvado
A vida nos apresenta
Carpir a dor deste fado
Nenhum cristão agüenta
É ferida que não cicatriza
A perdição de um amor
É chaga que martiriza
De manhã, ao sol se pôr !
Esta cruz de expiação
Deixa a alma descontente
E o pobre do coração
A carrega, tristemente
Soluça a ilusão perdida
Negro e profundo pesar
A felicidade é interrompida
Dando lugar ao penar
Vão-se sonhos e esperança
Nas asas da desventura
Porém a alma não cansa
De pensar na criatura
É um laço que manieta
Ao que o fogo não queimou
É a ilusão completa
Do nada, que lhe sobrou !
Essas cinzas que restaram
São escombros do passado
São saudades que ficaram
De um sonho sepultado !
São Paulo, 04/09/2014 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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Sulcos pelo chão
Ver-te-ei, ainda, certamente
Carpindo os momento de amargura
Se na vida, o ser não é prudente
Acaba colhendo da semeadura
Por isso, não sejas negligente
Age com dignidade e amor
Não deixes tua cruz aumentar
Tem fé e esperança no Criador
Se afeito às mágoas e sofrimento
Envolvido no ceticismo e dor
Tua vida, é verdadeiro tormento
O qual deves afastar pelo amor
Abduz de vez todo desalento
Sai da rua sombria d’amargura
Lá reside o desencantamento
E toda ilusão cria desventura
Se fraco ou exausto de lutar
Não ergas tu, um altar profano
E se um dia cansado de chorar
Lembra-te que um dia não faz ano
Mas, trezentos e sessenta e cinco, sim
Neles, procura a felicidade
O amor, com o cheiro de jasmim
E do passado, sentirás saudade !
São Paulo, 02/09/2014 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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Murmura a cachoeira
Murmura a cachoeira
Ao som das águas em queda
Do alto da cabeceira,
Em sinfonia se enreda
Cobre-se o horizonte
Co’a bruma da cachoeira
E o arvoredo defronte,
A absorve inteira
É linda e estimulante
A queda d’água pura
Espetáculo exuberante
Emanando paz e ternura
É de singular beleza
Contemplar sua caída
Encanto da natureza
Apoteose da vida
Que nossas almas invade
Com delicada candura
Perde-se a ansiedade
Ante a paz serena e pura
Quietude gratificante
A beleza do lugar
Paz serena dominante
É Deus, a abençoar !
Porangaba,07/09/2014 (data da criação)
ArmandoA. C. Garcia
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Escola bendita !
Eu percorri mil caminhos
Em busca da paz e do amor
Sabe aonde os encontrei
Na palavra do Senhor
É este o caminho correto
De quem busca a felicidade
Não seja um analfabeto,
Na procura da verdade !
E nessa escola bendita
Encontrarás alegria
Ao que estuda e confia
Mundo novo descortina
Sê fiel, ama e perdoa
Fé em Deus e confiança
Mesmo que a alma te doa
Não percas a esperança
Tem afeição e carinho
Consola no sofrimento
Semeia luz no caminho
Terás certo o pagamento.
São Paulo, 05/09/2014 (data da criação)
ArmandoA. C. Garcia
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Corredor do tempo
No longo corredor do tempo vejo os dias
Passarem obliquamente dissimulados
Como se o nada da vida, que é o tudo
Tivessem sido pelo tempo estiolados
Na noção do presente, do passado e futuro
No mesmo interstício, das partes desse todo
Sopra o vento da maldade e do apuro
Da coragem, do valor e do denodo
O estertor d’angustiosa ânsia dá anseio.
Somente nas horas, o dia é projetado
Da vida, o tempo futuro é o esteio
Não volve de novo o tempo passado
O tempo bebe rápido a luz dos dias
Logo chega a soturna noite negra
Quando a sombra se projeta no luar
No imutável curso que segue sua regra
Na rígida e irretratável caminhada
No corredor, sem janelas que o detenham
Irretroativo na contagem acumulada
O tempo, dá-nos os dias que convenham
Porangaba,24/08/2014 (data da criação)
ArmandoA. C. Garcia
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Muito belo... harmonioso - e viva a natureza....