Lista de Poemas

Resquícios de lembranças


Resquícios de lembranças


Num lampejo de saudade teu encanto

Irrompe, como cachoeira em livre queda

No turbilhão da correnteza. Onde o canto

da sinfonia das águas, nele se envereda,

No resquício de lembranças, adormecidas

Que fluem de sonhos de amor, de mansinho

Em meio às esperanças, já perdidas

Nas pedras cheias de lama do caminho

Vivo, da triste saudade, sem clemência,

No desejo, que o tempo refaça os anseios

Refazendo o desengano na coerência

Da relação harmônica de meus devaneios

Vaguei na ambivalência mística da idéia

Contemplativa, absorção do pensamento

E como aranha me envolvo nessa teia

Qu’a aridez do tempo, forjou sem um lamento

Como folhas que a ventania não soprou

Estão em mim os resquícios das lembranças

Preciso expurgar da alma o que sobrou

Praretornar a ter da vida confiança !

Porangaba,23/08/2014 (data da criação)

ArmandoA. C. Garcia

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387

O Rei da Glória

O Rei da Glória


Tu, és o Rei da Glória
A Suprema Majestade
Onde triunfa a vitória
E se projeta a verdade

O caminho da ascensão
Na subida transitória
Do mundo da perdição
Ao da excelsa glória


És a luz, consolação
Que ajuda e dá esperança
Discreto amor, redenção
Libertação que avança


O cultor das dores alheias
Dulcificador do pranto
Tu, o fazes às mãos cheias
Socorrendo com Teu manto


Balsamizas as feridas
Punges da alma a aflição
E às vidas doloridas,
Levas a consolação


De quem sofre, és esperança
Transcende de Ti o amor
Expande-se a confiança
A Teus pés. Ó Criador !


São Paulo, 21/08/2014 (data da criação)
Armando A. C. Garcia


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481

Amor onírico

Amor onírico


Nos meus sonhos cor de rosa
Sempre sonhava contigo
Tu, a linda mariposa
Prometendo casar comigo


Os tempos foram passando
Tu, te afastando de mim
Os sonhos continuando
A mentir, com o teu sim !


E nessa onírica ilusão
Cegamente confiava
Nesse amor de perdição
Que fingindo me amava


A mente cria ilusões,
Que o coração aninha
São as chamadas paixões
De quem na neve caminha


Não lamento minha sorte,
Nem jogo pragas à vida
Porque sei que nem a morte
Cicatrizará a ferida !


São Paulo, 21/08/2014
Armando A. C. Garcia


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573

Homem !

HOMEM !

És dependente de tudo
Independente do nada
És da vida um tetra-mudo
Um taxi na bandeirada


Homem ! Tua vida devassa
Aninha sonhos de aventura
Por tua cabeça passa
Só ambição e loucura


Abismo desconhecido
Nesse teu desiderato
Teu coração oprimido
Turba teu senso pacato


Independente do nada
Carregas pesada cruz.
Nessa árdua caminhada
A dependência te conduz

És pseudo independente
Tu, que dependes de tudo
Desde a noite, ao sol nascente
E do alimento ao estudo !

São Paulo, 11/08/2014 (data da criação)
Armando A. C. Garcia

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518

As penas da vida

As penas da vida

Penas que flutuam no ar,
Das minhas são o inverso
Aquelas pairam no ar
Já estas, têm peso inverso.

As penas do meu penar
Pesam no pensamento
São como as ondas do mar,
Em constante agitamento.

Quem me dera não ter penas
E, nem ter porque penar
Tivesse, somente, apenas
Um coração para amar

Porque as penas mais pesadas
Nós temos que carregar
As das aves, aveludadas
São usadas para voar

Fossem plumas apenas
As penas do meu calvário
Não estaria na arena
Tão triste e solitário

Não transformes minhas penas
Num rosário de penar
Elas, não são tão pequenas
Pra que as possas agrupar

Nos *interstícios das penas
Cheios de melancolia
Vivem as memórias apenas
**Magma da dor dos meus dias

Vento que sopras as plumas
Das penas das avezinhas.
Perdidas, como as brumas
Leva tu... também as minhas!

Este abstrato penar
Transcende a realidade
É como as areias do mar
Qu’a espuma, os pés vem beijar

* fenda; intervalo
**lava

São Paulo, 11/08/2014
(data da criação)
Armando A. C. Garcia
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511

Cinzas do passado !

Cinzas do passado !


No silêncio da saudade

Acredite, ouço sua voz

Quando o luar, a terra invade

Diviso sua sombra, na foz !


E, quando triste passeio

Taciturno, melancólico

Vou espairecer no seio

Do meu recanto bucólico


Certas noites te procuro,

Fitando as estrelas do céu

Sob o manto azul-escuro

Está, teu destino e o meu


O céu não quis nos unir

No passado e no futuro

São saudades a carpir

Neste orbe, obscuro


Nesta mata de enganos

Em que sonhos flutuam

Nos recônditos *arcanos

Que na alma perpetuam


Longo mar, longa distância

Tua imagem carinhosa

Não teve a mesma coerência

Que fez de ti, a mais ditosa


Jamais tirei da lembrança

A moldura do teu rosto

Mas o fiel da balança

Pendeu-se no contraposto


Neste longo corredor

Que a vida nos aflora

A paixão é uma dor

Que nem a morte a devora


*segredo; mistério


Porangaba, 26/07/2014 (data da criação)

Armando A. C. Garcia


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445

Pai ! (replay)

Pai ! (replay)



PAI, chama de vida

Presente a toda hora

No carinho, educação

Deste sempre acolhida

Ao impulso que aflora

Do meu pobre coração


És o grande timoneiro

Significado de vida

Com tua sabedoria

Moldaste, qual usineiro

Sem deixar de dar guarida

À minha triste *agnosia


Aos poucos foste moldando

Mostrando o bom caminho

No exemplo de tua conduta

Aprendi o valor, quando

Vi em grande desalinho

Minha vida dissoluta


Que entre o certo e errado

Há grande diferenciação

Um, caminho verdadeiro

O outro, leva ao pecado

Um pulsa na exatidão

Outro, exala mau cheiro


Corrigir, defeitos, falhas

Tudo de ti aprendi

Conhecimento, bondade

E, enfrentar as batalhas

Que, de nenhuma fugi

Nem estendi a toalha


Longo o aprendizado

Foi-me de grande valia

Aprendi a ser honrado

Probo, integro, respeitado

A **cravelha que me guia

Tangendo cordas do fado


PAI, de ti foi plagiado

Nos passos de teu caminho,

Teu exemplo incrustado

Na minha alma gravado

Por teu amor e carinho

A teu filho dedicado.


Neste dia congraçado

Aos pais deste universo

Quero deixar um recado

Nas letras deste meu verso

Que seja um dia louvado

E o Pai, parabenizado.


Com abraço de ternura

E um beijo de afeição

Que expresse o carinho

Cheio amor e ventura

E sele a saudação

Com cheiro de rosmaninho!



São Paulo, 13/08/2011

Armando A. C. Garcia


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leia; SER PAI


*ignorância


**peça para retesar as cordas (de instrumentos de corda)

507

Pobre Ana,

Pobre Ana,

Pobre Ana, a coitadinha
Jogada nos lupanares
Tenra idade a pobrezinha
Deixada nesses lugares

Não teve infância a coitada
No duro jogo da vida
Desde cedo, molestada
E, desde cedo perdida

Expor seu corpo ao léu
Brincar de marido e mulher
Coberta; as estrelas do céu
Pedia a Deus, pra morrer !

Pobre Ana, a coitada
Triste sina, Deus lhe deu
Tão cedo foi enganada
Mil agruras padeceu

No jogo sujo do amor
Tão cedo ela foi lançada
No desabrochar, sem pudor
Foi logo aos lobos jogada.

Com a pobre Ana, o destino
Foi impiedoso e cruel
Neste mundo libertino
Ela saboreou o fel !

Caiu na alcova dos leões
Jogada pelo destino
Ao sabor das ingratidões
Do mundo torpe, ladino

Mas Ana, não desistia
De mudar a sua vida
Se o seu corpo vendia,
Não era uma decaída

Sair da absurdidade
Da lúbrica cama do abismo
E da promiscuidade
De todo o ostracismo

Tinha sonhos de mudança
Dum carinho apetecido
Sonhos de nova esperança
Do amor que havia perdido

Estendendo a mão à fé
Num programa de televisão
O Pastor disse: a quem crê
- Deus lhe dá o seu perdão

A pobre Ana, a coitada
Nesse lampejo de fé
Sem se fazer de rogada
Foi na igreja da Fé

Lá procurou por ajuda
Contou seu modo de vida
O pastor; que deus nos acuda
Vamos tirá-la dessa vida

Procurou nos seus obreiros
Qual poderia empregá-la
Surgiram logo os primeiros
Que souberam resgatá-la.

São Paulo, 23/07/2014 (data da criação)
Armando A. C. Garcia

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528

Perdido na solidão

Perdido na solidão


Quando andava pelo mundo,
Perdido na solidão
Um sentimento profundo,
Tocou o meu coração

Foi então que compreendi
A magnitude de Deus
Vi que em sonhos me perdi
Como fazem os ateus.

Ainda a lágrima suspira
Lá, no infinito vazio
Entre a verdade e a mentira
Num tremendo desafio,

Mas se em vós eu confiei
No presente e no futuro
Minhas mágoas... já penei
Não quero mais correr apuro

Dum polo a outro impelido
Mil lamúrias derramei
Meu coração esvaído
Teve paz, quando Te amei!

São Paulo, 23/07/2014
Armando A. C. Garcia

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466

Lavo minha saudade

Lavo minha saudade


Eu lavo minha saudade
Nas fímbrias do velho Fresno
Desde a minha mocidade
E, por toda a vida, o mesmo

Sempre que a vil solidão
Invada minha saudade
Tuas águas lavarão
A minha infelicidade

Em forma de nostalgia.
Com a musa predileta
Buscarei tua energia
Como fazia o asceta.

Minhas forças recarrego
No ar puro dos pinhais
Por isso, tanto me apego
Às tradições regionais.

Jamais o meu coração
Se afastou deste lugar
Curto mágoa e solidão
Só tu, me fazes sonhar

Minha sombra ali passeia
Projetada no luar
E, minha alma anseia
Mais formosa te encontrar

Volto de novo à vida
Bem longe desse lugar
Se triste foi a partida
Mais triste, é não voltar !

Porangaba, 21/07/2014 (data da criação)
Armando A. C. Garcia

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Comentários (1)

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Muito belo... harmonioso - e viva a natureza....

Sou Poeta !

E poeta é qual vinho envelhecido
Em antigos tonéis de carvalho
Por alguns será bebido,
Por outros, só degustado !

São Paulo, 10/09/2009
Armando A. C. Garcia 

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