As lágrimas que pranteei
As lágrimas que pranteei
Não queiras dividir comigo
As lágrimas que pranteei
Nem ao maior inimigo,
Como praga, lhas rogarei
Até as estrelas do céu
Que ficam lá no infinito
Ouviram o pranto meu
Só tu, não ouviste meu grito
Dever-me-ias ofertar
Uma vida de carinho
Ou invés de enveredar
Em busca de outro ninho
Impossível acreditar
Que de tal fosses capaz,
Em teu coração abrigar
O amor desse rapaz...
Cada qual diz o que sente
Saudades a gente as tem
Quando o coração consente
Sua alma, diz amém !
Nenhum grito de revolta
Se ouviu do meu coração
Apenas a mágoa solta
Perdida na desilusão
O coração nunca mente
Quando ama de verdade,
A alma não fica ausente
A saudade, é a culpada !
São Paulo, 27/10/2013
Armando A. C. Garcia
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Minha casa pobrezinha
Minha casa pobrezinha
A minha casa é singela
Sem vidraça, sem cortina
À noite, à luz da vela
De dia, o sol a ilumina
Num velho fogão de lenha
Preparo as refeições
Ao lado, uma velha penha
Confidente dos serões
É muito simples, tudo ali
Com cheiro de natureza
Na hora de fazer pipi
Banheiro, a redondeza
Tomo banho no riacho
Que passa quase encostado
E, não precisa ser macho
Pra ficar todo pelado
Nem preciso de toalha
Para meu corpo secar
Pois o sol, aqui retalha
Nem dá tempo pra secar
De manhã, os passarinhos
Trinam temas, sem parar
Veja que fazem seus ninhos
Ao lado, em qualquer lugar
Violetas e margaridas
Crescendo em profusão
Ao lado, longas espigas
De trigo e de feijão
Minha casa é pobrezinha
É como o meu coração
Se alguém dela se avizinha
Não sai, sem refeição !
São Paulo, 27/10/2013
Armando A. C. Garcia
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Incoerência do Amor
Incoerência do Amor !
Da poesia, tem o encanto e a graça
Nesta existência tão dúbia e confusa
Tem magia fascinação e congraça
Corações que às vezes o cupido usa
Ao extremo de sua natureza humana
Na atração de almas que a seta engana
E em louco intento se perdem no fado
Mesmo que vivam juntas, lado a lado
Inútil a chama quando já não se fundem
Se ao prazer e à doçura não se rendem
Está exausta, enfim a ilusão do amor
Na taça da utopia... só dissabor
Embalde derramam lágrimas sinceras
Os olhos das ilusões adulteras
Triste clamor no deserto, apenas
Dor e fel. No amor não tem mecenas
Para proteger, para resguardar
Qualquer ninho de amor a se apagar
Pra mantê-lo, leva rosas em profusão
Lenimento, que acalma o coração !
São Paulo, 26/10/2013
Armando A. C. Garcia
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Meu Portugal
Meu Portugal
Meu Portugal pequenino
Gigante por natureza
Tiveste tu, por destino
Levar ao mundo a proeza
De descobrir novos mundos
Façanha de alto valor
Naturalmente oriundo
Dum povo navegador
Intrépido e destemido
Audacioso e valente
Que não se dá por vencido
Nem no bote da serpente
Pequeninas caravelas
Na imensidade do mar
Desfraldaram suas velas
Começaram a navegar
Embaladas pela espuma
Ou pela procela do mar
Não tinham rota alguma
No caminho a explorar
Cruzaram ondas sem fim
A graça de Deus, deu poder
E, este pequeno jardim,
Começou a florescer
Foste a glória de um povo
E, ainda hoje, tu o és
O mundo se agita de novo
Quando vê um português.
Porangaba, 31/03/2012
Armando A. C. Garcia
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Fez da casa o baluarte
Fez da casa o baluarte
Há um silêncio profundo
Desde a criação do mundo
O homem com sua arte
Fez da casa o baluarte
Nas cavernas a primeira.
De pau a pique e esteira
Foi arquitetando melhor
Até chegar ao promissor
Sua força sempre usou
Nunca nada lhe faltou
Na senda desse progresso
Alcançou o seu sucesso
Com suas mãos e labor
Intelectual, ou servidor
Reformulando conceitos
Sem perenizar defeitos
Na obra do Criador
Foi pedreiro, agricultor
Conquistador e guerreiro,
Alfaiate, sapateiro
Amante da liberdade
Defensor da integridade.
Desde o início foi assim
Lutou por séculos sem fim
Foi escravizado e liberto
Retrocedeu, não foi certo
Dezoito séculos atrás
Da era que hoje estás
Hamurabi, o rei sábio
De sua boca e seu lábio
Com uma visão apurada
À humanidade devotada
Criou as lei de justiça
Que até hoje, a cobiça
Não as deixa aplicar
No contexto de *acoimar
Aquele tempo, vejam só
Nem Josué em Jericó
Mediante poder Divino
Ao Ser, deu maior destino
O tempo foi-se passando
O homem se aprimorando
Quase tudo evoluiu
Vejo, que a lei, regrediu
Esse rei era tão sábio
Criou com seu alfarrábio
Duzentos e oitenta artigos
Pra punir os inimigos
Da paz e da harmonia
Pra manter a calmaria
De seu reino, de seu povo,
Jogando os ruins no covo
Hoje, tal não acontece
Sofre o povo, se aborrece
O inimigo dá risada
Goza da lei, dá porrada
O povo é crucificado
Morto na rua, no prado
Mata, as vezes que quiser
Nada vai lhe acontecer
Essa lei, que hoje aí está
É mais digna de satã
Que do seu adversário
Mesmo que seja falsário
É situação desonrosa
No bom sentido da prosa
Tropeços, sobre tropeços
Inflação, altos preços
Gente que luta e labuta
Que não vive mais na gruta
Mas que tem de se esconder
Sem lei, para a defender
Construiu prédios e casas,
Voou, como tendo asas
Foi à lua, vai a marte
Vai enfim, a toda parte
Percorrendo o infinito
É tudo muito esquisito
Se não tem dentro de si
Vero amor, só frenesi
Com muita dificuldade.
Muita força de vontade
Vai superando os agrores
Esperando dias melhores
Enquanto estes não chegam
Os bons a Deus se achegam
Como pobres inocentes,
E até parecem doentes
Que o mal não sabem extirpar
Deixando-o campear
No seio da sociedade
Ferem nossa liberdade
Até quando minha gente
Teremos na nossa frente
Um governo desastroso
Que não prende o criminoso
E ainda lhe dá perdão
Saídas com permissão
E o pobre, o que labuta
Vive, igual a prostituta.
* castigar; punir
São Paulo, 25/10/2013
Armando A. C. Garcia
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Algumas das leis do Código de Hamurabi:
- Se alguém enganar a outrem, difamando esta pessoa, e este outrem não puder provar, então aquele que enganou deverá ser condenado à morte.
- Se uma pessoa roubar a propriedade de um templo ou corte, ele será condenado à morte e também aquele que receber o produto do roubo deverá ser igualmente condenado à morte.
- Se uma pessoa roubar o filho menor de outra, o ladrão deverá ser condenado à morte.
- Se uma pessoa arrombar uma casa, deverá ser condenado à morte na parte da frente do local do arrombamento e ser enterrado.
- Se uma pessoa deixar entrar água, e esta alagar as plantações do vizinho, ele deverá pagar 10 gur de cereais por cada 10 gan de terra.
- Se um homem tomar uma mulher como esposa, mas não tiver relações com ela, esta mulher não será considerada esposa deste homem.
- Se um homem adotar uma criança e der seu nome a ela como filho, criando-o, este filho quando crescer não poderá ser reclamado por outra pessoa.
Natal - 2013
Natal - 2013
Senhor! Eu O espero novamente neste Natal.
Neste Natal, oremos pela Paz
Que haja paz em todos corações
Que haja paz em todas as Nações
Neste Natal, oremos pela Paz.
A exaltação, os ânimos domina
Que seja aplacada, pelo amor
Que em vez do grito, seja a flor
O pendão a desfraldar, rotina.
O denso véu que cobre consciências
Dos nossos governantes. Desperta !
Pra que não hajam, mais divergências
E sim, realidade, pura e certa
Seja o progresso moral a meta.
Extirpa a ganância do vil metal
Que o amor, e a paz neste planeta
Sejam sempre o lema principal
Enche de brandura os corações
Sejam os irados benevolentes
Leva a eles a verdade e as razões
Pra que sejam mais condescendentes
Neste Natal, Senhor, esparge a paz
Em todos os lares deste planeta
Leva um pouco de ventura vivaz
Ao morador da casa, e ao da sarjeta
Aurora de paz, nas taperas sem pão
A chaga de pobreza é imoral
Senhor, desperta o rude coração
Daqueles que são a chaga Nacional !
São Paulo, 31/10/2013 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
Feliz Natal e Alvissareiros
sucessos de Próspero Ano Novo - 2014
Leia - coletânea com 22 poesias de Natal
No meu blog: brisadapoesia.blogspot.com
A uma Rainha
A uma Rainha
Cheia de encanto, magia e graça
Passava por mim toda a manhã.
Perfumando o caminho onde passa
Na pureza, de sua fisionomia louçã
Pros meus botões e à mãe natureza,
Dizia ...um dia ela vai ser minha.
Errei redondamente, que tristeza...
Perdi o amor, da linda rainha !
Se alguém perguntar qual foi o erro
De tê-la perdido, eu digo: não sei.
- Perdi-me na saudade, do desterro
Vivo errante da saudade que amei,
No manto da nostalgia, eu enterro
A pungente dor, que tanto pranteie !
São Paulo, 27/10/2013
Armando A. C. Garcia
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Pedido a Nossa Senhora dos Prazeres
Pedido a Nossa Senhora dos Prazeres
Pedi a Nossa Senhora dos Prazeres
O prazer de te encontrar. Encontrei.
Por burrice, esqueci de lhe dizer
Que te amava e que sempre amei !
Não posso reclamar da sorte,
Nem tampouco do pedido
Mesmo nas agruras da morte,
Vejo que ele foi atendido
Na verdade eu não pedi
Para tu ficares comigo
Na confiança, esqueci
De o pedir. Eis, meu castigo
São as farpas do destino
Cravadas no coração
Dum pedido libertino
Sem pedir a tua mão
Fugiste mais uma vez
Atropelando a esperança
Pela minha insensatez
Desforro, como vingança
Tem compaixão deste amor
Que te amou a vida inteira
Não o deixes por favor
Esperando em geladeira
Parece castigo do céu
Esta minha solidão
Que resiste ao sonho meu
Desta bendita paixão
Lenimento que acalma
Fulgência do teu olhar
Bálsamo de minha alma,
- Não me deixes a esperar !
São Paulo, 26/10/2013
Armando A. C. Garcia
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Esperança no futuro
Esperança no futuro
No auge do *paroxismo da inocente culpa
Que estrangulava seus íntimos segredos
Pediu encarecidamente sua **exculpa
Pelos dias que trilhou caminhos ledos
Penetrou o mistério das lousas pedras
Onde se esconde pelo rutilante brilho
Um filão de ouro naquelas rochas negras,
Tornando em homem rico o maltrapilho
Brilhou finalmente a sua bela estrela
Num clarão eterno de felicidade
Que a luz consoladora, teve piedade
Acendendo claridade ao dia escuro
Dando esperança ao fraco de que o futuro
Regido por Deus, nos afasta da procela !
•Auge;apogeu
** desculpa
São Paulo, 27/10/2013
Armando A. C. Garcia
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As mãos do fado
As mãos do fado
Unir meus dias aos teus
Meu primeiro pensamento
Mas por vontade de Deus
Não tive o merecimento
Pensando que t’esqueceria
Vi os anos se passarem
Lutei, o quanto podia
Pra’s saudades, isolarem
Quanto lutei, só eu sei
Minha prece não ouvida.
-Eu juro, que confiei
Ser uma causa perdida
Minha sorte, foi mesquinha
Foi cruel e desumana
Fazer-te minha rainha,
Tal idéia, foi insana
A dor que rala, dispara
Desilusão tão sofrida,
Que as mãos do fado separa
Em derradeira despedida.
Porque desventura tanta
Quem ama deva sofrer
Nem mesmo, a virgem santa
Se condói d’seu padecer.
Não sucumbe tua imagem
Em minha imaginação
Ela, já fez hospedagem
Dentro do meu coração !
São Paulo, 24/10/2013
Armando A. C. Garcia
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