Na volúpia do pecado
Na volúpia do pecado
Sua alma amortalhada
Nas teias do triste fado
Corre sangue na parada
Da volúpia do pecado
Não enxergava a verdade
Nem via nisso maldade
Agora... tem piedade
Das coisas da tenra idade
Caminhou sem ver a luz
Nas arenas do destino.
Perdoa-lhe o Bom Jesus
Todo aquele desatino
Cantando o fado levou
Sua vida sem velar
Nem por amor me casou
Junto à pedra do altar
C’ as guitarras trinando
Os dias foram passando
Com eles os anos a fio
Nas cordas do seu desvio
Neste livre pensamento
Trina nele, o seu lamento
Que envenenar persiste
O algo bom, qu’inda existe
Neste louco desatino
Carga do próprio destino.
Pergunto qual a razão
De falta de comiseração
Para quem sofre na vida
Dor atroz, da despedida
Suspirando nos anais
Tormentos tão desiguais
Com sua alma sentida
Pelos agrores da partida
Num sentimento tão triste
Da dor que na alma existe
Num sentimento ignoto
Na escala dum terremoto
Elevado ao grau maior
O estrago; é superior !
Vejam o estrago que faz
Nem há amor, nem há paz
Se a volúpia exagerada
Por bem, não for dominada
E se ainda for capaz
Do tombo que o compraz
De erguer a fronte à vida
Terá a alma evoluída !
Entretanto, se assim não for
Pode esperar o pior
Será do fado, a vítima
A recompensa legítima.
São Paulo, 07/10/2013
Armando A. C. Garcia
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Rua da Costanilha - Miranda do Douro - Portugal
Rua da Costanilha
Miranda do Douro - Portugal
Saudosa rua da Costanilha
Das quatro esquinas centrais
Onde se reunia a *matilha
Pra conversar dos demais
Como nos arcos da praça
Debaixo dos temporais.
Tudo tinha sua graça
Até mesmo, nos cabanais
Outras vezes nas adegas
Tomando uns copos de vinho
Quando não, lá nas bodegas
Com um naco de toucinho
Eram de grande alegria
As nossas conversações
Quando terminava o dia
Fazíamos nossos serões
Caminhando até à terronha
Ou até, atrás do castelo
Numa conversa bisonha
Nosso mundo era singelo
Passeando nas muralhas
Ou mesmo no adro da sé
Ouvir o grasnar das gralhas
Depois de tomar um café
Passear pelas arribas
Vendo o Douro sinuoso
Entre alecrins e urtigas
Corria o tempo ditoso
Lá não existia maldade
Éramos todos amigos
Feliz, nossa mocidade
Hoje, são tempos antigos
Não havia televisão
Internet, nem pensar
Mas não nos faltava o pão
Nem estórias pra contar
Era o rádio o portador
Das notícias populares
Um telefone ao dispor
De manivela singular
No dia da consoada
Saíamos igual mateiros
Cortar a lenha à machada
Para acender a fogueira
Os carros de bois chiando
Sob o peso da carrada,
A malta toda gritando
Não tinha medo de nada
Tempos que não voltam mais
A vida era diferente
Hoje internet e outros tais
Tomam o tempo da gente
A cidade era pacata
Não havia desavenças
Se alguma alma era ingrata
Acertava as diferenças
* fig. malta
São Paulo, 17/09/2013
Armando A. C. Garcia
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Soberana Majestade
Soberana Majestade
A Soberana Majestade és Tu, ó Pai
O Supremo Rei da terra e dos céus
O que cuida de todos os filhos seus
O Redentor da alma nobre, que caí
Tu, és o clímax, o Alfa e o Omega
A sede da sapiência e do amor
O tesouro, guardião da inteligência
és Tu, a preeminência da entrega !
São Paulo, 01/09/2013
Armando A. C. Garcia
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Conversa de amor
Conversa de amor
Numa conversa de amor
Ouvi o casal dizer
Amar-te-ei até à morte
No tempo que Deus quiser
Serei tua, tu serás meu
Seremos um casal feliz
- Serás minha, eu serei teu,
- O outro, em seguida diz.
Os anos foram passando
As promessas corroeram
O amor foi desgastando
E suas juras, morreram...
Aos poucos aquele casal
Que se dizia apaixonado
Com juras e coisa e tal
Do amor foi afastado
Tornando-se rotineira
A vida de cada um
Refletem que foi asneira
A sua vida em comum
Resolvem então separar-se
Sem brigas ou confusão
Seu amor foi um disfarce
Mazelas do coração !
São Paulo, 11/09/2013
Armando A. C. Garcia
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Tirando o chapéu
Tirando o chapéu...
Já, a tatear falazes esperanças
Como quem semeia palavras mansas
Vê-los-emos em breve empenhados
Os que ora, ainda vemos enredados
Prometendo o mais, do que alcança
O seu poder e o de sua liderança
Tirando o chapéu na mão, reverência
Do político astuto em decadência.
Embrenhados nas falsas que tropeçam
Com mente artificial, disfarçam
Das ignomínias desprezíveis feitas
Dizendo-as d’partidários doutras seitas
E que irão compensar a inoperância
Cobrarão do governo a intolerância
Na saúde, segurança e educação
Dirão mais, de controlar a inflação
Falarão, também, sobre a aposentadoria
Que a previdência terá grande melhoria
A aposentadoria será igual ao salário
Assim, acabarão de vez, com o calvário
As imoralidades ditas cometidas
São falácias dos jornais, improcedidas
Que não tendo notícias levam ao ar
Para audiência de seu canal aumentar
Dizendo militarem por causa nobre
Eles visitam casa rica e de pobre
E na TV com discursos sedutores
Metalúrgicos até parecem doutores
Assim enganam o povo, que certamente
Acredita na promessa inconsistente
E sem noção aceita os argumentos
Afastando deles os maus pensamentos
Que o progresso da nação é exaltado
E que mundo afora, ele é admirado
Que nunca antes à saúde os recursos
Se igualaram, em números de concursos
Na educação a mesma persuasão
Nos quadros da sala e da reunião
E com bons professores em profusão
Será pra valer uma super educação
Irão, também, prometer mais segurança,
Com nefasta ladainha, sem tardança
Dirão que lugar de ladrão é na cadeia
Justiça e dignidade, também permeia
Na promessa para ganhar a eleição
Cheios de carinho, de plena mansidão
Eles, vão assim, tecendo a sua teia
De seus enganos, a história está cheia
Em tudo, o que causa mais repugnância
É degradar do povo, a santa ignorância
Vão assim se perpetuando no poder
Enquanto o povo, a esperança vê perder
Até quando nos vão tirar o chapéu !
Só época de eleição, quando tiram o véu
A chave de nossa porta está em suas mãos.
Não elejam delinqüentes; sejamos cidadãos !
São Paulo, 04/09/2013
Armando A. C. Garcia
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Nas garras do carcará
Nas garras do carcará
Injusta, essa justiça
Outra melhor, cá não há
O cidadão perde a liça
Nas garras do carcará
É injustiça, o assassino
Nas praias a velejar
A vítima do mau destino
No cemitério a acampar
Injustiça, este descaso
Da lei, com o cidadão
Pois a lei, conforme o caso
Vê a insígnia do cifrão
Que cada caso, é um caso
Isso, todos nós sabemos
Para uns tem um embaso
Outros; os protegemos
Vejam o caso mensalão
Com o tribunal dividido
Uns pela condenação
Outros, pra não ser punido
É tamanha a aberração
Que o povo não acredita
Que haja fiel intenção
No resultado da vindita
É por isso minha gente
Que ninguém crê em justiça
O melhor é ser prudente
Ficar fora dessa liça
São Paulo, 12/09/2013
Armando A. C. Garcia
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A Nova Ordem Mundial
A Nova Ordem Mundial
Urdidas na trama da hipocrisia
Com infâmia dose de covardia
Forjam convicções em sua mente
Construídas que foram adredemente
Geram resultados inconseqüentes
Pois seus esboços são inconscientes
Projetados à sombra da maldade
Nublando a lucidez da verdade
Derivando à nova ordem mundial
Por trás d’idéia pseudo intelectual
Uma conspiração instrumental
Pra eles, o sentimento nada vale
Pisoteados, como pétalas de flores
Sem nada que suavize nossas dores
Esmagarão o respeito à criação
Igualitária a uma semi-escravidão
Desse governo, sombra disfarçada
Face à natureza elitista e secreta
Princípios dessa ordem estilizada
Global de informação do planeta
Abismo da informação não divulgada
Mecanismo do império dominante
Para o domínio mundial planejada
Sigilo, na nova ordem é constante
Conspiração contra o mundo atual
Querem imbuir-se de qualidades divinas
Endeusando-se em atribuições do mal
Deixando nosso mundo em ruínas
Porque será essa retaliação
Será que são mais humanos que os humanos.
- Produto de mentes insanas, sem coração
Vendilhões de suas almas, qual ciganos !
São Paulo, 16/09/2013
Armando A. C. Garcia
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O fundo do abismo
O fundo do abismo
Ao atingir o fundo do abismo
Esperava escutar o som peculiar
Da reverberação do ocultismo
Que emergiria daquele lugar
Na descida para a escuridão
Deformando a luz a cada instante
Rangendo na descida a imensidão
Parecia, duma vida alucinante
O abismo está mais próximo, às vezes
Daquilo que pensamos, certamente
Poderá ser em breve a queda livre
Sem chão que a acompanhe. É evidente
A sensação de quem cai, despencando
De grande altura, inopinadamente
Sem tempo pra pensar, vai arriscando
Alcançando o fundo rapidamente !
São Paulo, 11/09/2013
Armando A. C. Garcia
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Vergonha Nacional
Vergonha Nacional
Abjeção, degradação da moral
Daqueles que nosso povo representam
Sem respaldo à lei civil e penal
Com nefasta decisão o inocentam
É uma grande vergonha sem igual
Interminável fila de interrogações
Sua conduta está longe do ideal
Merecendo nossas reprovações
A inconstitucionalidade é clara
Afronta o artigo quinze, inciso terceiro
Ora, pois. A Câmara se declara
Com poderes superiores ao do timoneiro
É o fruto amargo da incompreensão
Purificador da tragédia, peculato
Deixando cair a máscara da isenção
Com desrespeito à lei, produto de seu ato.
É a catástase da tragédia grega
Onde o acontecimento se esclarece
Próprio da arena onde se refrega
O que na improbidade se enaltece
Pensando estar acima do bem e do mal
Fazendo sempre o que lhes apetece
Relegando a segundo plano o nacional.
Uma laranja ruim, outra apodrece.
São Paulo, 30/08/2013
Armando A. C. Garcia
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Canto a Ti
Canto a Ti
Canto a Ti, todo louvor
Que emana de meu coração
Um canto cheio de amor
De esperança, de razão
Senhor, escuta a oração
Que cheia de fé te enlevo
Esta, é minha gratidão
Pelo tanto que te devo
Neste desvelo ardente
Vibrando de emoção
Minha alma está contente
Por sentir Tua afeição
E em tuas mãos a entrego
Pra superar tribulações
Sendo Tu, o meu sossego
Vencerei as aflições
Senhor graças te rendo
Pelas bênçãos recebidas
Nesta aleluia aprendo
Que as dores, não são perdidas
Curaste minhas mazelas
Com o bálsamo de teu amor
Colocaste sentinelas
Pra livrar-me do pior
Senhor, Deus das estrelas
Dos mares, dos anjos dos céus
Tu, tiraste as remelas
Que tapavam os olhos meus !
Porangaba, 26/08/2013
Armando A. C. Garcia
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