Vestido de amor
Vestido de amor...
Vestido de amor, não pude-me calar.
Nos retalhos da vida guardei o medo
Tu, que eras a rainha de meu segredo
Havia chegado a hora de revelar
Puídas pelo tempo mossas diferenças
Desgastadas pelo tempo de sedução
Tu, que sempre me olhavas sem emoção
Agora posso dizer,-te, não me esqueças
Porque à noite quero balouçar teus sonhos
As agras, torná-las hei de felicidade
Dar-te-ei ternos desejos, para ti bisonhos
Intensos e cobiçosos pra qualquer mulher
Sentir-se amada, com jactanciosidade.
Eu, serei para ti o amor que vez crescer !
Porangaba, 22/05/2013
Armando A. C. Garcia
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Expressão de delírios
Expressão de delírios
Quando aspiro o perfume inebriante
Que teus delicados seios exalam
Fico alegre, efusivo, irradiante
Pelos delírios que de ti propalam
Albergam um deleite incompreensível
Quando meu quarto envolto na penumbra
Do ato inconseqüente, indescritível
Almejas o vigor que te deslumbra
Deixo-te sorver na fonte do prazer
Nesse mundo que é todo fantasia
Até você saciar-se de beber
E ao atingir a satisfação plena
Do gosto que o líquido inebria
Gravarás na mente aquela cena !
Porangaba, 24-05-2013
Armando A. C. Garcia
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Tropel de ternura
Tropel de ternura
Tropel de ternura cheio de carência
Sigo perdido na madrugada fria
Caminhando por entre cardos e silvas
Persigo meu fado na sombra sombria
E por tudo que hei sofrido, as madressilvas
Decidiram ornar minha imprevidência
Alcatifaram risonhas, novos rumos
Minha asa, minha casa, meu amigo
A nuvem negra, a maré brava se afastou
Meu sonho arrependido, foi um castigo
Que pra bem longe de ti me apartou
O tropel de carência... é folha de resumos !
Porangaba, 27/05/2013
Armando A. C. Garcia
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O que restou
...O que restou!
Ser-te-á na alma um novo horizonte
Substância do ontem e do amanhã
Alheia, enfraquecida, outrora sã
Foi o que sobrou da tua linda fronte
É o resto da carcaça envelhecida
Tão velha, como o nada que sobrou
É o tempo a conspirar; eis que ganhou
Na batalha que tecemos pela vida !
E no segredo de seu manto nos envolve
E com dardo oculto aniquila nossas veias
É o *Hades a interpor-se no caminho
Esvaziando sem nuances nossos dias
Nas formas e no contraste em desalinho
E... sem ele o coração nada resolve !
*na mitologia grega, é o deus do mundo inferior e dos mortos
São Paulo, 19/05/2013
Armando A. C. Garcia
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Vileza
Vileza
Seu coração trespassado
Pela dor que lhe causou
Saber que tinha a seu lado
Quem sua honra injuriou
Ninguém possa por paixão,
Condoer-se da fraqueza
É culpada e sem razão
Cometeu toda vileza
Tão grande foi a crueza
Que seu coração sangrou
Na mais profunda tristeza
- Para a morte se lançou !
A rodopiar no infinito
Sua alma condenou
E num suspiro *contrito
Aos pés de Jesus, orou.
O amor leva à loucura
E leva a vida pra morte
Numa reflexão escura
Desvia o rumo do norte
A vergonha encerra dor
Gela sangue e coração
E o sofrimento é maior
Diante da desilusão !
*pesaroso, - não confundir com constrito
Porangaba, 30/05/2013
Armando A. C. Garcia
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Que sina
Que sina,
Que sina, que triste sina
Deus criou para os dois
Ela, sua concubina
Ele, o baião de dois
Ele, perdeu todas esperanças
Com elas, sua ilusão
Como já não são crianças
Melhor a separação
Tanta ventura sonhada
Virou pranto e desgosto
Que sina desventurada,
Marca de dor, em seu rosto
Amar, viver e ser feliz
Abandonar o vazio
Seria meta, diretriz
Bem longe do desvario
Todo amor tem o seu preço
Como o tem a sua dor
Sua sina, de insucesso
Vontades do Criador
Mudar-lhe a sorte impossível
Deambulam pensamentos
Ambos choram. É incrível...
-Suportar esses momentos.
Porangaba, 28/05/2013
Armando A. C. Garcia
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Trova em chamas !
Trova em chamas !
Pouco entendo dessa chama
Chama, que se chama amor
É perdição de quem ama
Do desprezado, é dor
Porangaba, 27/04/2013
Armando A. C. Garcia
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A maldade
A Maldade...
Não deixe brotar maldade
Dentro do seu coração
Porque aos poucos ela invade
Sua fé e sua razão
É tal espinho oculto
Cravado no coração
É sentimento inculto
Medonha escuridão
É muito mais do que pensas
É o fio da espada
É razão das causas tensas
É metáfora desenhada
Maldade é mal que advém
Do cerne de nossa alma
Só a bondade a detém
Só o amor a acalma
É um frasco de veneno
Dotado de duas saídas
Uma agindo como dreno
Outra tapando feridas
Por vezes sem permissão
Esse frasco desarrolha
A saída dá explosão,
Sem que os destroços recolha
Nossos esforços em vão
Detêm a vil fagulha
O pobre do coração
É envolvido na bulha !
Porangaba, 21/05/2013
Armando A. C. Garcia
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Nem comiseração, nem pena
Nem comiseração, nem pena !
Olha o mundo, como está mudado
Antigamente, havia sentimento
Respeito das pessoas de qualquer lado
Deferência, consideração no tempo
Hoje, motivo torpe, vira arena
Abate-se o semelhante em plena rua
Não há mais comiseração, nem pena
A justiça, está no mundo da lua
O roubo, o latrocínio, fica impune
O povo não sabe a quem reclamar
Ao ladrão a pena fica sempre imune
A vítima, a pobre vítima... a penar !
Ninguém a ampara, não tem direitos
Afinal morto não fala, não dá votos
A turma, lá dos humanos direitos
Não fala com mortos; eles são ignotos.
E assim, vai campeando a impunidade
Por direitos escabrosos amparada
Esta, é nosso invulgar realidade
A vítima, fica sempre prejudicada.
Lei, que lei é essa que eu não entendo
Mesmo sendo advogado militante
Há cerca de quarenta anos, me rendo
À lei de execuções, tão extravagante.
Precisamos de mudar urgentemente
Anomalias grotescas em prol do crime
Colocar um ponto final nessa gente
Que dia a dia, menos se redime !
II
Antigamente, o ladrão era finório
Tirava a corrente d’ouro da algibeira
Ou alternativamente a carteira
Inteligentemente, sem falatório
Na rua, ou mesmo dentro de um cartório
Não percebias o furto; pura arte
Hoje, assaltam na rua, em qualquer parte
De arma em punho, diferente do finório.
O ladrão de hoje, é violento feroz
Não sabe furtar com diplomacia
Usa o roubo, violência e covardia
Bem longe do ladrão, de seus avós
Antigamente o ladrão só furtava.
O cidadão perdia a carteira
O relógio, carregado na algibeira,
Ladrão de antigamente. Não matava.
Hoje ele rouba pertences e a vida
Sem dó, sem piedade, sem clemência
No louco intento de sua insolência
Numa longa inclemência incontida.
Como espectro perseguidor do bem
Neste mundo adverso o crime avassala
Sem medir consequências na lei resvala
Tropeça e esbarra nas grades, também.
Na cocaína, no álcool, ou na maconha
Quase sempre, no vício engajado
Envereda em destino incerto, arriscado
Cujo desfecho, não é, o que se sonha.
Porangaba, 10/04/2013
Armando A. C. Garcia
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A Felicidade
A Felicidade
A Felicidade é nuvem passageira
Que mais além, torna-se tempestade
É como o ramo sagrado da oliveira
Cujo fruto ilumina a divindade.
A Felicidade é o êxtase da alma
A alegria do coração e da vida
O bálsamo salutar que acalma
A angústia da tempestade sofrida
A Felicidade é o oásis da vida
Onde o caminhante recupera forças
O impulso para a íngreme subida
Da trajetória a ser percorrida
A Felicidade é o esteio, a primavera
Quando florescem as flores do jardim
A Felicidade é o fruto, que outro gera
É o perfume inebriante do alecrim !
Porangaba, 11 de março de 2013
Armando A. C. Garcia
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