Vileza
Vileza Seu coração trespassado Pela dor que lhe causou Saber que tinha a seu lado Quem sua honra injuriou Ninguém possa por paixão, Condoer-se da fraqueza É culpada e sem razão Cometeu toda vileza Tão grande foi a crueza Que seu coração sangrou Na mais profunda tristeza - Para a morte se lançou ! A rodopiar no infinito Sua alma condenou E num suspiro *contrito Aos pés de Jesus, orou. O amor leva à loucura E leva a vida pra morte Numa reflexão escura Desvia o rumo do norte A vergonha encerra dor Gela sangue e coração E o sofrimento é maior Diante da desilusão ! *pesaroso, - não confundir com constrito Porangaba, 30/05/2013 Armando A. C. Garcia Visite meu Blog: http://brisadapoesia.blogspot.com
Fado - Conheci do teu ciúme
Fado - Conheci do teu ciúme Quis Deus para meu castigo Conhecer do teu ciúme Mulher, não sei se consigo Aguentar o tal queixume Sabendo que gosto de ti, Porque tanto me persegues Tu vais daqui, para ali E respostas, não consegues Já basta pra meu castigo Esconder o teu passado E compartilhar contigo A desgraça do teu fado Hoje, estou arrependido Trazer-te para meu lado Mais me valia ter sido Pra bem longe degredado A gente perde o juízo Nos lábios de uma mulher Basta ela dar um sorriso Pra pensar que ela nos quer Mulher, pouca compaixão Tu tens do tempo passado, Tem de ti comiseração Se queres ficar a meu lado ! Porangaba, 28/05/2013 Armando A. C. Garcia Visite meu Blog: http://brisadapoesia.blogspot.com
Caminhos do desalento
Caminhos do desalento As profundezas da depressão sem trégua. Se ultrapassadas perturbam a razão Com teu amor, estarei liberto delas E da solidão afastada a mais de légua Regatei a plenitude de meu ser Senti a sensação de felicidade Longas as possibilidades de viver Sem retornar a sentir necessidade De calmantes pra controlar a ansiedade Com teu amor,voltarei a ser o eu Que sempre fui, na pura serenidade Num sentimento de afeto que é só teu Porangaba, 28/05/2013 Armando A. C. Garcia Visite meu Blog: http://brisadapoesia.blogspot.com
A Princesa Negra - Fábula
A Princesa Negra - Fábula A cobiça descontrolada do ouro Na ávida cupidez de alto lucro Vê no povo africano o tesouro Escravizando-o qual cavalo xucro Negros e negras caçados em emboscados E aos porões dos navios arrastados Pra serem no Brasil negociados E como moeda de troca são trocados Famílias inteiras foram escravizadas Até reis, rainhas e princesas, o foram Pra longe dos seus e dos antepassados, Com vil crueza, eles foram separados E foi numa dessas cruéis tiranias Que veio uma linda princesa negra Dentre os escravizados nas etnias Do longínquo continente Africano Era alta, linda, qual tulipa negra Tinha o perfume do jacinto e igual cor De sua etnia a flor; não fugia à regra Corpo, como modelado por escultor Porém, a linda princesa era resoluta E nela o grito de liberdade eclodiu E a força do grito, transformou em luta Luta que, com ela a escravidão aboliu Negra princesa, que no recôncavo Baiano Se destacou na luta contra a escravidão De seu povo e contra o povo lusitano Dezenas de naus queimadas, perseguição Que teve ação de sua astúcia febril Na batalha fabulosa de Itaparica Por ocasião da independência do Brasil A linda era felina igual jaguatirica Por isso enfrentou a esquadra portuguesa Auxiliada por mulheres de sua etnia Mais de quarenta navios foi sua presa E assim, com tochas, queimou a tirania ! Porangaba, 01/06/2013 Armando A. C. Garcia Visite meu Blog: http://brisadapoesia.blogspot.com
Puro fingimento
Puro fingimento Somos puro fingimento Fingimos o julgamento Fingimos a punição Assim prendemos ladrão Vai hoje para a cadeia Dela, ele já não receia ... Sabe que quem o prendeu Vai soltá-lo sem escarcéu Dia das mães ou dos pais De Natal e dos *haicais Tudo é motivo de sobra Pra dar liberdade à cobra Esta saí, não volta mais Fica escrito nos anais Se acaso um dia voltar Sua pena irá pagar !... Entretanto a tal da pena É pena que não tem pena Porque não tem que penar E se o cabra a puxar Diminui pelo atalho A cada dia de trabalho Permuta três de prisão É trabalho de ladrão Tem de ser dignificado. Cá fora, é outro mercado Tem salário espremido Sendo ainda reduzido Tributo previdenciário Imposto de renda originário No trabalho.Isso é legal ? Pra ladrão, não tem Fiscal ! Pra quem derrama suor Cumprindo o seu labor São tantos os pagamentos Pra eles não há fingimentos O infeliz tem de pagar Custe o quanto custar Pra tal não tem argumento Reforçar o orçamento O qual, energúmenos Desperdiçam de somenos Em gastança esbanjatória Que nos anais da história Nunca apurado o fica Ladrão, que nem cobra pica ! Nosso governo a acoitar Pra mais poder roubar Tem ladrão em toda esfera Já os vimos na justiça Na Câmera e no Senado Tem ladrão por todo lado Energúmenos somos nós Pagamos, não temos voz Pra por fim a bandalheira Parece até brincadeira Chego a pensar em verdade Talvez a deslealdade Seja a melhor solução Já que sem fim, corrupção!*Pequeno poema japonês, de forma fixa, constituído por dezessete sílabas distribuídas em três versos (5-7-5), sem rima . Porangaba, 01/06/2013 Armando A. C. Garcia Visite meu blog: http://brisadapooesia.blogspot.com
Correnteza em desalinho
Correnteza em desalinho Oh! Saudade ! Oh! Ansiedade Na correnteza em desalinho. Na pipa; provando o vinho Oh! Lembrança da mocidade Minha terra de ar puro e sol Lembrei-me de ti, como mãe, A terra onde gera, o é também Terra, onde trina o rouxinol O alecrim e rosmaninho Nascem e crescem sozinhos Oh! que saudades do caminho Que levava às minhas vinhas Quando subia nas muralhas Sentia-me qual dono do mundo E num sentimento profundo Das ameias via a batalha Batalha de sonhos perdidos Neste mundo, pura ilusão Meus sonhos foram preteridos Deles, restou a dor da paixão Quando batem as saudades Não há defensivo possível Há desejos, há densidades A avolumar o inconcebível Lembrei de ti, segunda mãe Terra querida e venerada Onde nasci, cresci também Hoje, pela distância separada Destino, ou vontade de Deus De ti, fui pra sempre afastado Espero que um dia lá dos céus Eu possa estar mais a teu lado! Quando digo que tu me intentas A pensar em ti, tanto e quanto Porque será que não me isentas Desta saudade que eu pranto ? Porangaba, 26/05/2013 Armando A. C. Garcia Visite meu Blog: http://brisadapoesia.blogspot.com
Que sina
Que sina, Que sina, que triste sina Deus criou para os dois Ela, sua concubina Ele, o baião de dois Ele, perdeu todas esperanças Com elas, sua ilusão Como já não são crianças Melhor a separação Tanta ventura sonhada Virou pranto e desgosto Que sina desventurada, Marca de dor, em seu rosto Amar, viver e ser feliz Abandonar o vazio Seria meta, diretriz Bem longe do desvario Todo amor tem o seu preço Como o tem a sua dor Sua sina, de insucesso Vontades do Criador Mudar-lhe a sorte impossível Deambulam pensamentos Ambos choram. É incrível... -Suportar esses momentos. Porangaba, 28/05/2013 Armando A. C. Garcia Visite meu Blog: http://brisadapoesia.blogspot.com
A Túnica de Nesso
A túnica de Nesso Pedi ao *Nume para vestir A túnica do sacrifício Sem dela puder desistir Quer por renúncia ou vício Ele deu-me a túnica de **Nesso Relutei contra o oráculo Vesti a túnica pelo avesso Livrei-me de ir pro buraco O talismã do oráculo Para minha vestimenta Foi na verdade o pináculo De natureza sangrenta É que o sangue envenenado Que dita túnica continha Teria sim, arruinado Minha pobre figurinha Dejanira o deu de presente Sem intenção de maldade El, do mal está ausente Inocente de verdade ! *divindade ** paixão que punge a alma Porangaba, 22/05/2013 Armando A. C. Garcia Visite meu Blog: http://brisadapoesia.blogspot.com
Colonização de Marte
Colonização de Marte... Há que considerar os tempos mudando Remígios do condor rasgam os céus O homem. Noutro planeta está criando Um novo mundo, como se fora Deus Mas, inconsideradamente, é um menino Imprudente, precipitado, num lugar perdido Não há percurso sem caminho. Destino Não acende estrelas com a mão, ungido. Só a Ele, cabe o puro gesto, caminho Na força do céu, na montanha e mar Para qualquer lado é taça de vinho Que a mágoa da vida nos faz tomar Grito liberto, cheiro de rosmaninho Distância e saudade do verbo amar ! Porangaba, 25/05/2013 Armando A. C. Garcia Visite meu Blog: http://brisadapoesia.blogspot.com
Última Esperança
Última Esperança ! A tarde dava os últimos suspiros Naquele dia só havia amealhado Alguns pobres vinténs, tão minguados... Nem dariam para alimentar vampiros Certamente, naquela noite fria Iria passar fome avassaladora Tão voraz, danosa, desfibradora Da parede estomacal, se vazia Que fazer, se é vontade de Deus Remir suas penas em expiação Mas, volveu uma suplica aos céus Quando ainda, mal tinha terminado Achou no caminho uma criatura Que lhe deu o dinheiro desejado ! Porangaba, 25/05/2013 Armando A. C. Garcia Visite meu Blog: http://brisadapoesia.blogspot.com