Revanche
Revanche
A vingança assinala o atraso moral
No qual a humanidade, ainda se debate
É taça cheia de veneno a transbordar
Por caminhos escusos a dissimular
No homem que a nutre, o embate
Na covardia, pior que animal
É um indicador de retrocesso espiritual
Onde as ciladas odiosas são perpetradas
Em emboscadas, quase nunca às claras
Num golpe *pletórico, sua arma dispara
Atingindo-o mortalmente, a alma brada
Mancha de sangue a harmonia universal.
* que ferve;estuoso
Porangaba, 10/04/2013
Armando A. C. Garcia
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Correnteza em desalinho
Correnteza em desalinho
Oh! Saudade ! Oh! Ansiedade
Na correnteza em desalinho.
Na pipa; provando o vinho
Oh! Lembrança da mocidade
Minha terra de ar puro e sol
Lembrei-me de ti, como mãe,
A terra onde gera, o é também
Terra, onde trina o rouxinol
O alecrim e rosmaninho
Nascem e crescem sozinhos
Oh! que saudades do caminho
Que levava às minhas vinhas
Quando subia nas muralhas
Sentia-me qual dono do mundo
E num sentimento profundo
Das ameias via a batalha
Batalha de sonhos perdidos
Neste mundo, pura ilusão
Meus sonhos foram preteridos
Deles, restou a dor da paixão
Quando batem as saudades
Não há defensivo possível
Há desejos, há densidades
A avolumar o inconcebível
Lembrei de ti, segunda mãe
Terra querida e venerada
Onde nasci, cresci também
Hoje, pela distância separada
Destino, ou vontade de Deus
De ti, fui pra sempre afastado
Espero que um dia lá dos céus
Eu possa estar mais a teu lado!
Quando digo que tu me intentas
A pensar em ti, tanto e quanto
Porque será que não me isentas
Desta saudade que eu pranto ?
Porangaba, 26/05/2013
Armando A. C. Garcia
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Ninguém ama contrafeita
Ninguém ama contrafeita
Ninguém ama contrafeita
No amor a porta é estrita
Sempre a impor ao padecente
A dor que é decorrente
Da recusa, ao que ama
Pois não logra ver a trama
Que envolve o não querer
Do amor que viu nascer
Em seu peito acalentou
E a recusa o afastou
Dizendo que não interessa
Pois já o tirou da cabeça
Quando já não sente mais
O fascínio dos mortais
A atração chegou ao fim
Gelado, qual manequim !
São Paulo, 08/05/2013
Armando A. C. Garcia
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Ainda que assim não fosse (soneto)
Ainda que assim não fosse
Ainda que quisesse que assim não fosse
A força do destino me conduz.
O sabor da amargura não é doce
Assim, tenho que carregar minha cruz
Vê com brandura, minha posição
Nas aspérrimas estradas da vida
Por clemência, afasta esse mau fado
Que deixa minha alma constrangida
À luta, antepõe tua mansidão
Com teu manto cobre meu infortúnio
Deixo minhas dúvidas em tua mão
Os arrogantes queixumes, cedo ao fado
Rebatendo o curso deste desvario
Nos tácitos favores do desventurado !
Porangaba, 23/04/2013
Armando A. C. Garcia
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Por teu amor lutei (soneto)
Por teu amor... lutei
De tanto que eu quis amar-te, me separei
E a vida inteira, por teu amor... lutei
Transcorreu a existência e não te achei
No lugar, que para ti eu reservei
Na pauta dos desenganos, quantos tive
Quantas amarguras tenho sofrido
Falta uma estrela nos céus que cative
O olhar que de alto lugar tenho contido
Tem no ar o pensamento a vagar
Como vaga o meu sonho por encanto
Sem asas que sustenham este tormento
O tempo muda a vontade de esperar
Não esperança que ainda acalanto
Mesmo vivendo atrelado ao desalento
Porangaba, 25/04/2013
Armando A. C. Garcia
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Tão longe de você
Tão longe de você.
Eu, tão longe de você.
E tu, tão perto de mim
Difícil na minha fé
Reconhecer-te, assim !
Foi pela Tua vontade
Vontade, deliberação
Que encontrei a verdade
Expressa em meu coração
Na pretensa veleidade
Sempre fugindo de Ti,
No frescor da mocidade,
Caminhos outros, percorri...
Hoje, sei que creio em Ti,
Ergui a fronte pro alto
Por graça, não me perdi
Como bomba de cobalto
Senhor! Dá-me o bom senso
Para que eu possa ser digno
De Te falar o que penso
Em meu estrito desígnio
Abrindo meu coração
Que fundas mágoas marcaram
Onde engano e decepção
Minha alma atormentaram
O mundo dá muitas voltas
As ondas do mar, também,
...E foi nessas viravoltas
Que encontrei Jesus. Amém !
Não foi pregado na cruz
Nem foi ao pé do altar
Seu espírito me conduz
À pátria mais salutar.
Porangaba, 08/04/2013
Armando A. C. Garcia
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O teólogo
O teólogo
O teólogo, nas relações com o mundo
Esqueceu dos ensinamentos de Jesus
Enveredou por caminho jucundo
Posto que, não era dele aquela cruz
Dos textos sagrados, não fez bom uso
Seus atributos ultrajaram os céus
Achou demasiado prolixo e difuso
O contexto da palavra de Deus
Assim, em louco intento, como ímpio
Começou a descrer da divindade
E a explorar o nome da cristandade
Em almas ingênuas em busca do olimpo.
Mapeou os céus, o vendeu em lotes
E assim, foi enchendo os negros potes !
Porangaba, 06/04/2013
Armando A. C. Garcia
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Última Esperança
Última Esperança !
A tarde dava os últimos suspiros
Naquele dia só havia amealhado
Alguns pobres vinténs, tão minguados...
Nem dariam para alimentar vampiros
Certamente, naquela noite fria
Iria passar fome avassaladora
Tão voraz, danosa, desfibradora
Da parede estomacal, se vazia
Que fazer, se é vontade de Deus
Remir suas penas em expiação
Mas, volveu uma suplica aos céus
Quando ainda, mal tinha terminado
Achou no caminho uma criatura
Que lhe deu o dinheiro desejado !
Porangaba, 25/05/2013
Armando A. C. Garcia
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Fado - Conheci do teu ciúme
Fado - Conheci do teu ciúme
Quis Deus para meu castigo
Conhecer do teu ciúme
Mulher, não sei se consigo
Aguentar o tal queixume
Sabendo que gosto de ti,
Porque tanto me persegues
Tu vais daqui, para ali
E respostas, não consegues
Já basta pra meu castigo
Esconder o teu passado
E compartilhar contigo
A desgraça do teu fado
Hoje, estou arrependido
Trazer-te para meu lado
Mais me valia ter sido
Pra bem longe degredado
A gente perde o juízo
Nos lábios de uma mulher
Basta ela dar um sorriso
Pra pensar que ela nos quer
Mulher, pouca compaixão
Tu tens do tempo passado,
Tem de ti comiseração
Se queres ficar a meu lado !
Porangaba, 28/05/2013
Armando A. C. Garcia
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A Menina Pobre (infantil
A Menina Pobre (infantil)
Tinha uma linda menina
Era pobre, muito pobre
Quando orava a coitadinha
Tinha sempre um gesto nobre
Pedia aos anjos e a Deus
Por um trabalho melhor
Para que, assim os seus
Tivessem salário maior
Quem sabe assim poderia
Deixar a fome de lado
E comer quando queria
O pão, que hoje é minguado
Cansada de passar fome
A pobrezinha orava.
- A dor da fome a consome
Mas sempre a Deus suplicava
Chegou até a pensar
Que Deus não a escutava.
- Seria pra desanimar,
Mesmo assim, ela orava
Até que seu pai um dia
Chegou em casa contente
Subiu no emprego dizia
Passou a ser o gerente
A menina radiante
Não se esqueceu do Senhor
Foi dali, dali em diante
Que orou com mais fervor.
Porangaba, 29/05/2013
Armando A. C. Garcia
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