O poeta
O poeta
O poeta, não tira poesias da cartola
As tira do pensamento, da reflexão,
Da fantasia, sonho, imaginação
E sempre o poeta as tira da cachola
Que a perene e imortal, musa Érato
Com sua inesgotável inspiração
Ajude a construir repleto de emoção
A tela que a seu ver, é fiel retrato !
Porangaba, 10/06/2013 (Dia de Camões)
Armando A. C. Garcia
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Acima do cós do vestido
Acima do cós do vestido
Não serão as mentiras porventura,
As causas desse anseio desmedido
Agregadas ao estoicismo da figura
Que emerge acima do cós do vestido
Fitando no meu sonho teu retrato
Na lucidez interior do pensamento
Ardo na imagem desse corpo abstrato
Na vastidão da convulsão qu’acalento
Escondida na sombra da saudade
Onde guardo sua imagem capitosa
Estacionada na proa da verdade
Se bisonha, acaso minha ventura
Do sonho daquela imagem cobiçosa,
Que trescala, todas telas da pintura !
Porangaba, 12/06/2013
Armando A. C. Garcia
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Esperando o teu amor,
Esperando o teu amor,
Esperando o teu amor,
Foram-se os dias de mim
Foi-se a força e o vigor
Tudo na vida por fim
Como a águia de rapina
Que voa na imensidão
É tão triste a sua sina,
Como o foi, sua ilusão
Voa alto o pensamento,
Com ele a imaginação
Tudo na vida é momento
Aproveite a ocasião
O tempo, não se duplica
Nem se guarda no vazio
Nem a soma se aplica
Ao que o perdeu, de vadio
Esperando o teu amor
O tempo me consumiu
Sou um corpo, sem valor
Nuvem que ninguém viu
Que a drástica incerteza
O tempo não perdoou
Perdoa a rude franqueza
Ninguém, como eu te amou !
Porangaba, 12/06/2013
Armando A. C. Garcia
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Natureza morta
Natureza morta,
Imagem da própria natureza morta,
Figura que nem o sol a reconforta
O tempo é inimigo incomplacente
Corrói a matéria e a deixa doente
Minada a saúde da criatura
Tombando como a noite escura
Infiltra-se na sua alma dorida
Uma tristeza amarga indefinida
Sua outrora admirável figura
Não é mais que a sombra do passado
Desmaiada por cândidas aventuras
Ó natureza, como a tal consentes
Qu’em nódoa escura seja sepultado
O viço de outrora, nos presentes !
Porangaba, 24/06/2013
Armando A. C. Garcia
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Encantadora Mulher !
Encantadora Mulher !
Tinha um magnetismo sedutor
Força vital de enlevar ao amor
Encantadora, suave formosura
Linda e de angelical candura
Tinha odor de substancial fragrância
Ponto fundamental à substância.
O coração puro, virginal, santo,
Para dormir, ninado em seu manto
Tinha tudo, que um homem almeja
Dotada de beleza e muito encanto
Mulher, de na rua fazer inveja.
Eu, correria a natureza inteira
À procura d’outra, de igual encanto
Que inda estivesse livre e solteira !
Porangaba, 24/06/2013
Armando A. C. Garcia
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Convulsões Nacionais
Convulsões Nacionais
O povo está descontente, enfurecido
Vez que, tudo que lhe foi prometido
Foi-lhe negado pelo legislativo
Que só quer seu voto, seu voto ativo
Em turbas invadem toda nação
Alvoroço, tumulto, confusão
A depredação mostra o descontento
O parco salário, mal dá pro alimento
Consecutivos aumentos de preços
Têm gerado descontento, desapreços
Nosso povo já está desiludido
De tanto discurso, nunca cumprido
Certamente os políticos se esquecem
Promessas, prometidas, esvaecem
Porque uma vez eleitos, são excelências
Nós, pra eles, meramente as excrescências
Soa o grito de espanto e desabafo
A nação se alvoroça, solta o sarrafo
A polícia intervém e mais se agita
O povo pelas ruas clama e grita
O governo faz ouvidos de mercador
Não quer de seu povo ouvir o clamor
Agigantam-se a cada dia passeatas
O povo quer passagem mais baratas
Quer menos corrupção, mais punição
Quer ver punido de verdade o mensalão
Menos gastos, melhoria e prevenção
Na saúde, segurança e educação
Porangaba, 18/06/2013
Armando A. C. Garcia
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Prosaica comparação
Prosaica comparação
Oculta o sofrimento à natureza
Do negro pesar triste e profundo
Arrancado à felicidade do mundo
Na estrada palmilhada de tristeza
Oculta que tua alma entristecida
No desalento que aniquila a alma
E nesse abatimento, tenha calma
Aguarda no além contrapartida
Abstraindo desse termo o abstrato
À unicidade d’alma está ligada
Leitor, não fique pois estupefato
Com a doutrina da reencarnação
Circunstância que ora foi projetada
Nesta mais prosaica comparação !
Porangaba, 23/06/2013
Armando A. C. Garcia
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Volta amor
Volta amor ...
Volta amor aos braços meus
Partiste, sem um adeus
Nas fantasias dum desejo
Decretas-te o meu despejo
Teus beijos foram pra mim
A alquimia, o início e fim
Vem derramar tua candura
Abraçar-me com ternura
Vem amor, o dia é curto
Meu refúgio é teu *surto
Densas saudades amor
Bruma instalada é dor
Quem te chama, não desiste
Desde o dia que partiste ,
Partiste o meu coração
Sem desfrutar tua mão
Tua ausência foi tensão
Intenso desejo, ambição
Loucura de amor espúrio
D‘alguém que presta perjúrio
Vestiste a jura de sombras
E ornaste com **alfombras
As vontades e destinos
De sonhos tão libertinos
Não sei porque presumo
Do capítulo tal resumo
Volta aos meus braços amor
Teu beijo é um esplendor
Não desprezes outra chance
Talvez um dia me canse
O triste anseio em mim morra
E sem querer, tire a desforra !
*ambição,cobiça **tapete espesso
São Paulo, 03/06/2013
Armando A. C. Garcia
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Tapar o Sol com a peneira
Tapar o Sol com a peneira
Salvo o devido respeito, por melhor opinião.
A manifestação de dona Dilma, a presidente,
De plebiscito, pra alterar a constituição
Afasta-se daquilo que o povo quer e sent
Ao aventar por ampla reforma política
Tira do pensamento almejado a esperança
Do povo, qu’numa situação demasiado crítica
Clama por saúde, educação e segurança !
Qual estorvo, o aventado à circunstância
Assemelha-se a uma barreira à pretensão
Do clamor expressado com jactância
Nas ruas de todas às cidades desta nação
Clamou por justiça, saúde e educação
O grito de alerta deste povo Brasileiro,
Por Segurança e um fim à corrupção
Não foi de reforma política, mensageiro
A cidadania é direito de grande dimensão
Atualmente muito, muito mal representada
O povo saiu à rua desta grande nação
Para clamar pelo justo e o conforme à lei
Vez que seus representantes quedam-se inertes
Vendo o povo, sem as básicas necessidades
Sendo vilipendiado, dizimado até por pivetes
Nada lhes acontece, em razão de poucas idades
Gastam-se milhões em estádios de futebol
Há falta de escolas, de hospitais, de segurança
O povo cansado, saiu às ruas no semancol
Protestando e enfrentando a polícia à lança
Exigindo maiores rigores na apuração
Dos recursos públicos, face à malversação
Do descaminho, do peculato, e da inação
Em que parece adormecida a elite da nação .
Ouçam pois, senhores deputados e senadores
A voz do povo que clama por seus pétreos direitos
Não tolham, e nem bloqueiem seus clamores
Pois além das circunstâncias, são seus eleitores !
A insatisfação, gera dúvida, desconfiança
Mostrem a garra do futebol na chefia da nação
O povo clama, e a voz do povo é de esperança,
Esperança que se traduza em vossa compreensão
Que não fique no tinteiro, como ficou o mensalão
Que julgado pelo Supremo, a ele mesmo recorreu
O que significa que nem ele tem poder de decisão.
Que país é este, se tudo nele, parece que feneceu!
Porangaba, 25/06/2013
Armando A. C. Garcia
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Sobre sua cabeça
Sobre sua cabeça
As ignomínias caíram sobre sua cabeça
Tenebroso abismo, sem nada que o impeça
No mundo insano cheio de ceticismo
Onde a dúvida gerou intenso misticismo
Entre os escombros do despotismo ao seu redor
A descrença, ergueu-se soberana intangível
No labéu da pecha, ainda há o rumor
A questionar por sua vez o inconcebível
Os negrores da alma de nebulosas cores
Tingindo de escuridão a santa ignorância
E sem inclinação de proferir louvores
São incapazes de transpor ao topo azul
A alma hirsuta, a uma melhor instância,
Atravessando o mundo do norte ao sul !
Porangaba, 15/06/2013
Armando A. C. Garcia
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