Uns olhos que sonham Como qualquer criança Que entristecem e anojam À falta de confiança
Uma sopa na tigela Almoço que dá fastio Refeição tão singela Deixa o estômago vazio
Imaginar melhores dias É o sonho dessa menina Que aspira melhorias No rumo de sua sina
Se a vida é feita de sombras De luzes é feita, também Dificuldade não a assombra Tem o carinho da mãe
Tem esperança no futuro Um dia será alguém Se o dia hoje é escuro Amanhã o sol... já vem
A ressonância que projeta A singularidade do olhar Deixa minha alma inquieta Ao ver a criança penar !
Quanta dor, quanta aflição Na aspiração dum desejo Que faz doer o coração A quem almeja um ensejo
São Paulo, 21/11/2012 Armando A. C. Garcia
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Idiocracia (soneto)
Idiocracia
O homem não precisa ser nenhum James Bond Nem tampouco um simples Charles Chaplin Precisa é ter moral e brio, como fronde E personalidade ágil como a do espadim
Enfim, o homem atual deve ter noção De simbolizar a masculinidade Não deve viver no mundo da ilusão Nem perdido na sombra da caducidade
E na introspecção de seu interior Antever a resolução de seus problemas Conceituar valores e os sentimentos
Longe desta *idiocracia sem valor Que corrompe o mundo e todos os sistemas Posto que está presente, em todos segmentos!
- Expressão nova não constante de nenhum dicionário, mas cujo significado é entendido como o da democracia da idiotice; popularização da idiotice. Enfim o mundo dos néscios e ignorantes.
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Os teus conselhos pai
Os teus conselhos pai.
Pai! Como posso não ouvir os teus conselhos Para desviar-me do curso trôpego das paixões E passar a acreditar em um só homem Naquele que na morte só levou espinhos Porque os cardos, nenhuma flor continham.
Acabou nosso amor, sob um pretexto fútil Por fim chego a crer , eu já não ser útil. As coisas que sinto, eu digo francamente Não me dou por vencido, apesar de descontente
Detesto lamuriar as injúrias recebidas Não costumo censurar tuas investidas Mas desta vez, meu amor sublime e puro Pede ao pobre coração que seja duro.
Porque um amor candente, cinzas virou Quando a taça de cristal se esvaziou E o vinho que nela estava azedou
E, se tão fatal poder, tem o destino Pobre de mim, que jamais o descortino E neste momento, sinto-me peregrino.