Atrás da Felicidade percorri o mundo Em cada lugar a vislumbrava adiante Perdido nesse sonho, imenso, profundo Via-a, sempre noutro lugar mais distante
E assim, de lugar em lugar eu a buscava Como se ela fosse a flor de um jardim Que pode ser colhida. Assim eu a julgava Ou, com a mágica lanterna de Aladim
Gastei a juventude, à sua procura A maturidade, até à terceira idade Entrando nesta, sinto a mesma agrura Não conseguindo achar a tal Felicidade
O destino a guarda e de mim a escondeu Deixa saudades a esperança de encontrá-la Sei que é frágil sua permanência, e eu, Que a busquei a vida inteira, sem vê-la...
- Cheguei à conclusão que é feita de momentos Os quais deixamos passar sem perceber E em tais ocasiões de contentamentos A tal Felicidade, está-nos a acolher !
Além de ser relativa e passageira Por vezes nem notamos sua presença Mesmo estando ao nosso lado a vida inteira Só na dor, lastimamos a sua ausência !
São Paulo, 27/11/2012 Armando A. C. Garcia Visite meu blog: http://brisadapoesia.blogspot.com
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O temor ! (soneto)
O temor ! (soneto)
Nas cidades o sol se escureceu Envoltas em sangue as multidões Revolta que cresceu aos turbilhões E a excelsa justiça não venceu
O medo apoderou-se do cidadão Escravizado de enigmas profundos Não naturais, incômodos oriundos De mentecaptos e sem coração
São seres desprovidos de consciência Onde sinistra e triunfal é confusão Onde afogam sua impertinência
Gerando temor em toda a nação É falta de amor, na maior potência Que rege o universo e cada coração !
O silêncio é o culto da floresta Ouvem-se os galhos ranger quando atiça Sua ramagem um zéfiro mais forte Ou, se o mavioso rouxinol na liça Tenta a fêmea conquistar, faz a corte. Todo o pulmão da terra, está em festa
Na copa das árvores, aves de mil cores Cada uma erguendo um hino de gorjeios A mata envolta em úmidos vapores Enchendo de oxigênio nossos meios Vales, outeiros, cidades e nações Alimenta até, a chama dos vulcões !
Singela e simpática criatura Morava sozinha à beira do caminho E todo aquele que lá passava com secura Servia-lhe água pura, cheia de carinho
A todos acolhia e dava guarida Alma bondosa de bom samaritano Com todos repartia a escassa comida Que angariava dia a dia, ano a ano
E ali, naquele lugar ermo, sem ninguém Servia e orientava os caminhantes Não cobrava de nenhum, nem um vintém Praticava a caridade eqüidistante
De crenças e religiões pecaminosas Nasceu ali e ali vive sozinho Apesar da idade, nunca teve esposa. Aprendendo com seus pais a dar carinho
Àqueles que cruzam o íngreme caminho E com fome e sede chegam à sua porta Exaustos, com os pés cheios de espinhos Com o sol escaldante, ou à hora morta
A todos recebe e lhes dá acolhida E na choupana humilde os reconforta Dá-lhes água e um prato de comida De batatas e outros que colhe, em sua horta
É o fiel servidor na seara de Jesus Sem credos ou preceitos exprime amor Como aquele que um dia expirou na cruz E o faz de coração. O fiel servidor !
Essa mulher me abandonou, Nunca deixei de amá-la, Mesmo quando me trocou Por não saber conquistá-la
Que cara sou eu, afinal... Que não consigo esquecê-la Confesso, era especial Tanto, que não pude tê-la.
Porque padecer assim Tormentos e tanta dor Quando a levaram de mim, Não levaram meu amor !
Deixou sulcos definidos Imensa melancolia, Juramentos não cumpridos Nas promessas se escondia
Jamais serão esquecidos Quer de noite, quer de dia Estão na mente retidos Esta chama, não esfria.
Estranho comportamento Esmagou os lampejos meus Não a esqueço um momento Como se fora, anjo dos céus !
Vêm lágrimas aos olhos, Ao pensar no seu carinho. Enrodilhado em abrolhos Sem ela, vivo sozinho !
Porangaba, 24/11/2012 Armando A. C. Garcia Visite meu blog: http://brisadapoesia.blogspot.com
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Buscarei ! (soneto)
Buscarei !
Buscarei nos mais amplos horizontes Esquecer infaustas atribulações Descerei aos vales, subirei os montes Mesmo que sejam de enormes dimensões
Explorarei por todos os continentes A razão deste infortúnio, desta desdita, Palmilharei pelas areias mais quentes Na busca incansável, pela paz bendita.
Buscarei, como encontrá-la um dia Sem receio de distância ou caminhos Será então para mim a suprema alegria
Muito mais, se nesse momento, nesse dia Encontrar um amor que não tenha espinhos E traga consigo, a felicidade que queria.
Prangaba, 24/11/2012 Armando A. C. Garcia Visite meu blog: http://brisadapoesia.blogspot.com