Tropeços
Tropeços
Tropeço na saudade e na esperança
Nas palavras que não ouço repetidas
Tropeço na nostalgia, na lembrança
Na abstrata imagem de tua fantasia
Tropeço na miséria que avassala,
Na incompreensão do ser humano
Do santuário sem abrigo, à cabala
Tropeço no segredo mais profundo
Nas mentiras, no ócio e na preguiça
Na tirania, despotismo e calúnia
Em tudo que é iníquo e, na injustiça
Tropeço na injúria e no insulto
Na mentira, na presunção com *adúnia
Por fim, tropeço na sombra de meu vulto
São Paulo, 17/08/2012
Armando A. C. Garcia
Visite meu blog: http://brisadapoesia.blogspot.com
E-mail: armandoacgarcia@superig.com.br
*muito abundante
Troca-se
Troca-se
Troca-se o bem pelo mal
O vero, pelo irreal
O vício, pela saúde
Mesmo que leve ao ataúde
Troca-se Deus, por satanás
Tem gente que até é capaz
De sua família trocar
Se o dinheiro apontar
Troca-se a vida do campo
Pela do agitado trampo
Numa cidade qualquer
Com poluição pra valer
A razão, pela mentira
E do mundo, ninguém tira
O poder da trocação
Até amor, pela ilusão
Troca-se tudo na vida
Só depende da ocasião
Se a troca é necessária
Seja nobre, não falsária
Na inversão dos valores
Trocam-se bons, pelos piores
Num clima de louvação
Com jeitinho de salão
Trocam-se homens de brio
Por palavras, de um vazio
Sem semente e, nada mais
É barco, parado no cais
Troca-se pura alquimia
Onde reina a harmonia
A calma e a oração
Pela reles imprecação
A sagrada natureza
Com toda sua pureza
Pela vida cosmopolita
Onde tudo se agita
Troca-se o amor, pelo ódio
Centeio, pelo serôdio
Troca-se o céu, pelo inferno
O verão pelo inverno
A verdade, por fingimento
O amor, pelo esquecimento
A sorte, pela desventura
O certo, pela aventura
A face da liberdade
Pela da totalidade
De regimes de desdita
Onde o povo geme e grita
Troca-se a paz, pela guerra
A floresta, pela serra
O justo, pelo injusto
O novo, pelo vetusto
Troca-se tudo na vida
E a cada nova investida
A troca é defendida
E a troca, troca, é mantida...
Porangaba, 19/08/2012
Armando A. C. Garcia
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A Mocidade
A Mocidade !
O auge da mocidade
É o auge dos desenganos
E ao crer na falsidade
Tanto mais, nos enganamos
Nem na palavra de Deus
Cremos com sinceridade
Somos uns semi-ateus
Presunçosos de vaidade
Mocidade é passageira
É tal nuvem que passou
A vida, é pra vida inteira
A mocidade voou !
A mocidade é veloz
Passa igual furacão
Deixa marcas no retrós
E marcas no coração
Muito sonho, muita espera
Audaciosa, extravagante
É uma linda primavera
De um inverno distante
Tem o perfume da flor
Na exuberância da vida
Tem mais viço, tem mais cor
É primavera florida
Depois dos trinta, geralmente
Aumenta a compreensão
Com decisão mais prudente
Sem impeto e afobação
São Paulo, 28-08-2012
Armando A. C. Garcia
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Nuvem Passageira
Nuvem Passageira
Num sopro, a vida fenece
A ilusão desaparece
Como nuvem que passou
Sonho, que noutro acabou
Povoam, certos momentos
Idéias e pensamentos
Altruístas ou mundanos
Na mente dos seres humanos
Quimera azul, em flor
Assim foi, o ideal amor
Mas, utopia, solidão,
Não agasalha coração
Demência e desventura
É fruto que não amadura
O sonho de quem sonhou
Pro mundo, não acordou
Na tal nuvem passageira
Chega a morte traiçoeira
Esfaimada, espavorida
E nos conduz pra outra vida
A existência, é derradeira
A nuvem passa ligeira
E o homem se esqueceu
De louvar preces ao céu !
O homem grita, blasfema
Uiva feito uma hiena
Mas a morte, é impiedosa
Cerra os olhos, não tem prosa !
Porangaba, 11/04/2011
Armando A. C. Garcia
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Desejo Intenso
Desejo Intenso
Desejo nos meus íntimos delírios de amor
Estar sempre ao lado teu, minha querida
Sedento desnudar-me no calor
E em teu corpo erótico cheio de vida
Jogar minhas emoções em torvelinho
O coração pulsando em desalinho
Ignoras, minha vontade meu anseio
Negas amor, estranha ao meu sentimento
Tento conquistar-te, e sempre alheio,
Esse teu desdém, parece fingimento
Na impetuosidade de esquecer o amor
Senso das lembranças, eterno invasor
Onde ocultas ao tempo, teu desejo intenso.
São Paulo, 11/08/2012
Armando A. C. Garcia
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Estigma
Estigma
A vida estigmatizou espírito e matéria
Escabrosos vendavais em desalinho
Dolorosas chagas que levam à*progéria
Inditosas experiências de escarninho
Imenso vazio, pensamentos a vagar
Frivolidades, anseios, emoções
Labirintos invisíveis a pensar
Torvelinhos em todas direções
**Soturnas mágoas, de crises profundas
Abominações, fúrias, e mentiras
Peremptórias, decisivas, rotundas
Feridas que não quer mais questionar
E olvidará enquanto o mundo gira
Se a pobre matéria o permitir pensar.
São Paulo, 12/08/2012
Armando A. C. Garcia
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*fig. Senilidade
**tristes
Pai !
Pai !
PAI, chama de vida
Presente a toda hora
No carinho, educação
Deste sempre acolhida
Ao impulso que aflora
Do meu pobre coração
És o grande timoneiro
Significado de vida
Com tua sabedoria
Moldaste, qual usineiro
Sem deixar de dar guarida
À minha triste *agnosia
Aos poucos foste moldando
Mostrando o bom caminho
No exemplo de tua conduta
Aprendi o valor, quando
Vi em grande desalinho
Minha vida dissoluta
Que entre o certo e errado
Há grande diferenciação
Um, caminho verdadeiro
O outro, leva ao pecado
Um pulsa na exatidão
Outro, exala mau cheiro
Corrigir, defeitos, falhas
Tudo de ti aprendi
Conhecimento, bondade
E, enfrentar as batalhas
Que, de nenhuma fugi
Nem estendi a toalha
Longo o aprendizado
Foi-me de grande valia
Aprendi a ser honrado
Probo, integro, respeitado
A **cravelha que me guia
Tangendo cordas do fado
PAI, de ti foi plagiado
Nos passos de teu caminho,
Teu exemplo incrustado
Na minha alma gravado
Por teu amor e carinho
A teu filho dedicado.
Neste dia congraçado
Aos pais deste universo
Quero deixar um recado
Nas letras deste meu verso
Que seja um dia louvado
E o Pai, parabenizado.
Com abraço de ternura
E um beijo de afeição
Que expresse o carinho
Cheio amor e ventura
E sele a saudação
Com cheiro de rosmaninho!
São Paulo, 13/08/2011
Armando A. C. Garcia
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leia; SER PAI
*ignorância
**peça para retesar as cordas (de instrumentos de corda)
Congresso ou um mercado persa
Congresso
ou um mercado persa
Verdadeiro troca troca
Instalou-se no Congresso
Pra apurar essa *baldroca
Instalou-se um processo
Que apurou corrupção
Pagamento de propinas
Denominado "mensalão".
Essas aves de rapinas
Em novo estilo de vida
Em vez de lutar pelo povo
O assaltavam sem medida,
Atitude que reprovo.
Foi dinheiro na cueca,
Foi na mala e no gibão
Gente levada da breca
Nunca vai para a prisão
Agora serão julgados
Não creio, sem isenção
Pra mal de nossos pecados
É de irmão para irmão
Já se fala em anistia
Pro tal de José Dirceu
Até a Virgem Maria
Já lhe prometeu o céu
*trapaça; logro
São Paulo, 02/08/2012
Armando A. C. Garcia
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Um enigma
Um enigma
Brilha o sol na natureza
Na tua face, teus olhos
Em ti, está toda beleza
Tua vida, é sem abrolhos
Um enigma me consome
Quando te vejo passar
és um desejo sem nome
Que aspiro conquistar
E, sendo eu alva espuma
E tu, a água do mar
Ela vira coisa nenhuma
Se na praia, a deixas ficar
Que importa se a esmagas
Nas ondas enfurecidas
Contanto que tu a tragas
Nessas ondas envolvidas
São Paulo, 25/07/2012
Armando A. C. Garcia
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Retrato de mulher
Retrato de mulher
Retrato de mulher, delírio de um desejo
Formosa e bela, tal ninfa, meu cortejo
Que assaz dor causou ao pobre coração
Profundas cicatrizes, foram em vão
Negros cabelos frondeavam-lhe a fronte
Fulguravam, como o sol no horizonte
Vaidosa, num vaivém cheia de caprichos
Às vezes os prendia em forma de rabichos
Verdadeira princesa, digna de um sonho
Do homem mais astuto ao mais bisonho
Excêntrica joia, rara, preciosa
Uma pocinha, no sorriso formava
Em sua face rosada e radiosa
Deixando-a mais bonita, mais formosa.
São Paulo, 12/08/2012
Armando A. C. Garcia
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