Lista de Poemas

SER PAI

SER PAI


É uma solene missão
Árdua, tarefa dura
Que Deus dá à criatura
Num rosário de paixão


É uma fonte de esperança
Que consola o coração
Como se fora uma benção
Uma bem-aventurança


É a argila que se molda
Nem sempre a nosso prazer.
Pois querer. Não é puder,
Nem sempre o barro se amolda !


Ser pai é fé que sublima
Altar de luz e tormenta
É paixão que impacienta
É um sonho que arrima.


É esperança que consola
É um sol que irradia
A estrada áspera e fria
E faz do ninho uma escola.


Não vê maldade em quem ama
Tem amor sempre de sobra...
Pelo filho se desdobra
Se preciso, pisa a lama.


È um clarão de alegria...
A nova estrada do mundo
É o amor mais profundo
Estrela... que o filho guia.


São Paulo, 06/08/2004


Armando A. C. Garcia


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730

Lágrimas do Coração

Lágrimas do Coração

As que dos olhos escorrem
Enxugam-se até com a mão
O mais difícil é secar
As lágrimas do coração

São Paulo, 20/06/2012
Armando A. C. Garcia
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707

Finalmente !

Finalmente !

Na estrada da existência que trilhamos
Ergue-se um altar de dor e sofrimento
Neste mundo insano onde nos maltratamos
Quando bate em nós, o negro desalento

Tornando ínfimo aquele que ele magoa
Arrancando as esperanças e o prazer
Aniquila física e moralmente, qual leoa
Que ataca a vítima ao alvorecer

Qual silício que com resignação aceita
A humanidade se submete impassível
E a cada dia a porta mais se estreita

A sobreposição dos contraste espreita
A inversão natural do impossível
Quem sabe o mundo, finalmente, se ajeita !

São Paulo, 19/06/2012
Armando A. C. Garcia
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708

ENTREI NO SITE DA VIDA

ENTREI NO SITE DA VIDA

Entrei no site da vida
Sem medir conseqüência
Vi minha odisséia perdida
Por tamanha displicência

Deparei-me com horrores
Banalidades sem fim
Alguns falando de amores
Outros só de coisa ruim...

Vi juventude perdida
No álcool e na droga
E, outra mais destemida
Na igreja e sinagoga

Senti cansaço e alegria
Na fantástica disputa
Da luta do dia a dia
Germinada e resoluta

No site da evolução
O homem vai-se moldando
E adapta o coração
E sai do mundo nefando

Prepara a sua jornada
Sai do nefasto e do mal
Em decisiva caminhada
Ao plano espiritual.

São Paulo, 25/03/2009
Armando A. C. Garcia

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698

Estos do amor !

Estos do amor !

*Estos do amor, luz que logo brilhou
Alcance **transcendente da magia
Relance de imagens que o olhar focou
E nada achou, quando os olhos abria

O tempo caminha, no tropel humano
No ***fanal da vida, passam gerações
Sempre o amor seduz, sempre o desengano
Encanta, persuade, destrói corações

Uns felicidade, p'ra outros desventura
Esperanças mil acende, no pobre coração
À paixão se rende a alma boa e pura
- Ocultai dos lábios tal profanação

Tenho a meu favor teu olhar discreto
Cultivo na saudade, felicidade pura
Ó doce formosura, ó meu amor secreto
Enlear-te-ei um dia, nos laços da ternura

Minha amada, serei teu escravo e rei
Sempre pronto para te encontrar e ter
Do mastro do veleiro, ao mar eu pularei
- A hora do encontro, um dia, vou saber !

São Paulo, 07/09/2011
Armando A. C. Garcia

*ardor; paixão; grande calor
**muito elevado; superior
*** farol

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669

ESTRELA

ESTRELA

Reluzente estrela, luz do meu caminho
Não és a luz que se consome ou se esvai
Mas o farol que clareia o nosso ninho
Quando a tristeza bate e a noite cai

És a flor da primavera, o sol do amor
A imensidão do mar, o canto da sereia
O áureo caminho, a esperança e o calor
O sol que rútila e se espraia na areia

O repouso, o afeto e o sutil carinho
És o brando arminho o amor predileto
Rogativa ardente me chama a seu ninho
E eu louco de amor, não sei ser discreto

És a brisa suave por dentre os pinhais
O roseiral que chora a rosa colhida
O aroma da rosa, o pipilar dos pardais
O perfume da flor na estrada da vida.

Tu és enfim a estrela que ilumina
Meu coração apaixonado e feliz
Tens no sangue a natureza messalina
Tens em ti o colírio, a cor e a matiz

São Paulo, 15/07/92
Armando A. C. Garcia

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661

Escravos

Escravos

Um corpo massacrado, carnes rasgadas
Carnes rubras, cortadas pelo chicote
Como se o corpo do homem fosse lingote
Capaz de suportar tantas chibatadas

A vida é um sopro que a pouco se esvai
E nenhum ser humano é um farrapo
Pra ter dele a repugnância de um sapo
Ao ponto de chicoteá-lo, até que cai.

E o pobre do escravo desfalecido
Escorrendo sangue nos cantos da boca
Os lábios inchados, como coisa oca
Vai ficando febrilmente adormecido.

Já cobrem seu corpo nuvens de mosquitos
Que encontram pasto fácil num indefeso
Que além de acorrentado, não está ileso
Sendo forçado a puxar os monólitos

E enquanto isso, seus senhores, os poderosos
Deleitam-se das agruras dos coitados
Que sobre as ricas leiteiras, recostados
Vêm os escravos morrer sequiosos.

E os pobres tresloucados, sem ais, sem gritos
São vítimas de mordazes salafrários
Que satisfazem seus gozos cruciferários
Construindo fabulosas montanhas de granitos

Baldados esses trabalhos desumanos
Desse múmias de pensamentos insanos
Que além da morte, amam obstinadamente
O mísero corpo, que deixarão para sempre

Na pequenez de suas almas etéreas
Cheias de pestilência, cheias de misérias
Acobertadas de vinganças impiedosas,
Fazem de seus corpos, múmias majestosas!

Sem Lembrarem de seu espírito imortal
E de praticarem o bem, em vez do mal
Trazem acorrentados como condenados
Homens e mulheres que a troco de ducados

Lhes compraram, os corpos e a liberdade
De seres humanos, fizeram animais
Criaram monstros, feras, coisas brutais
Sem um mínimo anelo de humanidade.

Desses pobres coitados, tenho piedade
Porque eternamente serão mais desgraçados
Do que mesmo, essa falange de coitados
De quem hoje escarnecem a liberdade

E os pobres escravos, sempre açoitados...
Sempre forçados a puxar monólitos
Para construir monumentos de granito
Onde serão os seus senhores sepultados

Maltratados, vão sendo dia após dia
Mas um dia... eles serão recompensados!
E os seus senhores, serão então condenados
Por tão maldosa e perversa tirania .

São Paulo, 09/05/1964
Armando A. C. Garcia

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737

Emoções

Emoções

Deixa cair gota a gota
De teu corpo nu o suor
Deixa sair em cada gota
A combustão do amor

Solta tuas emoções
Saboreia a fonte viva
De esquecidas paixões
Sufocadas na esquiva

Deglutina este sabor
Apaga o fogo do desejo
No deleite do amor
No carinho do meu beijo

No delírio desvairado
Curte tuas emoções
É o ópio viciado
Na loucura das paixões

Cada toque de carinho
Vibra teu corpo nu
E cada taça de vinho
Impõe um novo tabu.

São Paulo, 11/01/2004
Armando A. C. Garcia

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707

Enquanto é Hoje !

Enquanto é Hoje !

Já o dia desmaia lento no ocidente
O sol agonia em soluço plangente
O crepúsculo desce recortando a terra
Cobrindo de início o prado, após a serra

A noite envolve a terra na escuridão
No mórbido langor de sua missão
No céu milhões de estrelas sem descanso
Cintilam o claro olhar piedoso e manso

Nas trevas da noite e ao resplendor da lua
Palmeiras esfolham-se ao indômito vento
E enquanto o vento chora, sua ira se atenua

A noite envolve a terra neste lamento
Onde a saudade não dorme ... se acentua
Em pensamento estável ao firmamento !

São Paulo, 26/04/2010
Armando A. C. Garcia

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681

Espuma de Cristal

Espuma de Cristal

Quero sentir do teu corpo o veludo
Carpir desejos de todos sonhos meus
Quero sentir o roçar dos seios teus
Persuasão que alivia o conteúdo

Fino cristal a tilintar em meus dedos
Espuma que o mar lança à areia da praia
Quero-te desnudar, sem blusa, sem saia
Mesmo que tenha de subir serras ou penedos

E, se a razão do amor em tal consente
Quero-te, alegre e jovial, não descontente
Junto a mim, na vida e na eternidade

Pois és tu, a alma gêmea que invade
Meus pensamentos desde a tenra idade
E por isso, amar-te-ei, eternamente.

São Paulo, 21/07/2011
Armando A. C. Garcia

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Comentários (1)

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Muito belo... harmonioso - e viva a natureza....

Sou Poeta !

E poeta é qual vinho envelhecido
Em antigos tonéis de carvalho
Por alguns será bebido,
Por outros, só degustado !

São Paulo, 10/09/2009
Armando A. C. Garcia 

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