Com o tempo
Com o tempo ...
Com o tempo, desgasta-se a matéria
O tempo tudo consome lentamente
O *ergástulo humano é impotente
Para conter a causa **deletéria
No abissal efeito da degeneração
Tudo se transforma no passar do tempo
Na sucessão dos anos, nesse passatempo
Vai sofrendo implacável mutação
Crede, mortais, por que ter fé inspira
Ao ponto alto que em vós sublimais
Não busqueis desesperados o que suspira
Porque a maldizente voz que escutais
Do furor louco de satã, jamais vos tira
Se a caridade e o amor não praticais
São Paulo, 24/09/2009
Armando A. C. Garcia
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* cárcere; masmorra; calabouço
**que destrói; que danifica; prejudicial
Como o fogo !
Como o fogo !...
Como o fogo e a água dão têmpera ao aço
O tempo nos dá a mesma consistência
Na vida a têmpera é moldada no espaço
Que cada um consegue na experiência
Quem não tem experiência, não tem passado
E quem não tem passado, não tem vivência
Sua têmpera está como ferro não malhado
Que o ferreiro leva ao fogo com paciência
Deixa a vida moldar-te com o mesmo banho
Com que se temperam os metais e o rijo aço
Verás então tu, quão grande é o tamanho
Da experiência, do passado e da vivência
E dar-lhe-ás o merecimento que encerra
Valor que hoje olvidas, pela ausência !
São Paulo, 29/08/2011
Armando A. C. Garcia
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Dor de cotovelos !
Dor de cotovelos !
Ver-nos-emos, certamente
Em caminhos paralelos
Eu, sorrindo, descontente.
Tu, com dor de cotovelos !
São Paulo, 24/03/2008
Armando A. C. Garcia
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Desencanto !
Desencanto !
Desencantado, perdi o gosto pela vida
Na mesma desilusão a força de viver
Minha alma triste desfalece consumida
Na morte triste e densa do esmorecer
Transbordou a taça de pranto e agonia
Já nem sei quando quimeras aparências
Vendavais, tufões, explodem dia a dia
Precipitando fogosas impaciências
Inexoráveis fados, dias de amargura
Nem um raio de razão, louco intento
Meu estro sem talento, poesia impura
Destino, paixões perdidas... falsidade !
Vontades que ficaram, só meu tormento
Com o peito a gemer... nesta saudade !
São Paulo, 04/06/2008
Armando A. C. Garcia
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Desarmamento
Desarmamento
Estão pedindo nosso voto
Para o cidadão desarmar
Ficamos de bolso roto
Sem ninguém a nos guardar
Seria melhor condenar
Com mais rigor e energia
O que só sabe assaltar
Usando a pontaria
Fica o governo inerte
Ante a inversão social
O ladrão, nunca se aperte
è o povo o imoral
Benjamim Franklin dizia:
Com muita propriedade
Que se as armas algum dia
Do povo, forem saudade...
- Então, governo e ladrão
De que é a propriedade, dirão !
São Paulo, 07/10/2005
Armando A. C. Garcia
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Coração sem Juízo !
Coração sem Juízo !...
Não culpes minha alma... se o coração
Não tem juízo. Nem mesmo, ponderação
E a cada paixão se envolve cobiçoso
Jurando não mais ser tão pretensioso
Na fronde das árvores oculto os segredos
Das minhas entranhas; aboli os medos
A névoa esfuma e com as nuvens conspira
Tresloucado coração, novo amor suspira
Volúpias almiscaradas em profusões
Ungidas de metáforas e de carinhos
O envolvem em inefáveis turbilhões
Restando apenas a trilha dos caminhos
Interlúdio entre o sossego e as paixões
Nas sendas matinais dos passarinhos
São Paulo, 11/05/2009
Armando A. C. Garcia
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De ti ausente
De ti ausente...
De ti ausente, minha vida, meu amor
Os anos me consumiram por inteiro
Nunca mais encontrei amor maior
Daquele amor singelo e verdadeiro
Meu contentamento foi a ventura
E hoje, velho, caduco, sem esperança
Peregrinando a fio, longa vida dura
Aguardando milagre, da bem-aventurança
Quase rendi os sentidos ao pensamento
Para um dia, quiçá voltar a vê-la
Mas minha alma, que passou tanto tormento
Venceu meu desejo... usando da cautela
Que neste mundo tenho experimentado
Vendo o tempo passar, dela tenho pena
Certo que seu amor, não tenha prosperado
Pois aos apartados o cupido condena
Falsas esperanças, ledo engano
Vivi tristemente, cheio de ilusões
Condição cruel imposta ao ser humano
Perdido de amores, cheio de paixões
Hoje, as lembranças daquilo que imagino
Têm por companheira a saudade
Quão grande a caminhada sem destino
Quão cruel o desengano da amizade
A mágoa que choro, não chorarei sozinho
Se tive de perder, eu não perdi sem par
Quem sabe ela passa tormentos no caminho
Desiguais que não devo sopesar.
E se cruzar novamente o meu caminho
O amor que agora tenho sepultado
Peço a Deus que esse acúleo espinho
Não seja mais, por mim compartilhado
São Paulo, 30/03/2003
Armando A. C. Garcia
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Brasil
Brasil
Os encantos desta terra
Que foi chamada Brasil
Estão nos rios e na serra
No céu azul, cor de anil
Nas cavernas e nas grutas
Nas cachoeiras sem fim
Na fauna, nas pedras brutas
Olhos de água, no jardim
Nem a beleza da flor
Tem mais encantos que tu
Transbordando de amor.
O canto do uirapuru
Faz vibrar as florestas
No pulmão da Amazônia
Toda a fauna está em festa
Tudo está em sintonia !
Tens o mar de lés a lês
Imenso e lindo litoral
Onde Cabral pôs os pés
Chegando de Portugal
Tuas belezas naturais
São uma benção de Deus
Patrimônios imortais
São corolário dos céus
São tantas tuas riquezas
Num solo rico e farto
Ouro, brilhantes, turquesas
Onças, jibóias, lagarto
Tem jacaré, tem macaco
Papagaios e araras
Tem desde o trigo ao tabaco
Tem coisas lindas e raras
O Pão de Açúcar, maravilha
Praias de Copacabana
Búzios e Angra do Reis
Cabo Frio Paraty,
Guarujá, Tiririca
Porto de Galinhas
Balneário Camboriú
Praia do Madeiro
Gramado, Canela
Campos do Jordão
Ouro Preto, Foz do Iguaçu
Pantanal, Manaus
Chapada dos Guimarães
Chapada Diamantina
Fernando de Noronha
E porque não Brasília
Maceió em Alagoas
Ceará em Fortaleza
Olinda e Recife
Em Pernambuco
Não enumerei todas as belezas
E encantos que o Brasil tem
São milhares e com certeza
Impossível a alguém
É um paraíso terrestre
Onde o sol tem mais calor
Sobre a mata e o campestre
É um país encantador
Coberto de ouro e brilhantes
Quão grandes suas riquezas
Onde outrora bandeirantes
Exploraram suas belezas
Os encantos desta terra
De céu azul, cor de anil
Estão nos rios e na serra
E foi chamada Brasil !
Porangaba, 17/06/2011
Armando A. C. Garcia
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Coração Alquebrado
Coração Alquebrado
Carrego alquebrado pela amargura
O coração cheio de enganos e decepções
Qual efeito do feitiço, na vida dura
Minha cruz leve ou pesada de aflições
E neste martírio pungente excruciante
Afigura-se que esta vida só tem prantos
Face aos martírios serem tão constantes
E os momentos de alegria, não serem tantos !...
Murmura o coração à medida que perece
Sofrendo e rangendo, na cólera dorida
Ferido nas artérias pela lasciva da vida
No místico jardim, em que a flor fenece
Busca o conforto o bálsamo da ferida
E o encontra em Deus, que lhe dá guarida
São Paulo, 0/10/2010
Armando A. C. Garcia
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Doutrinam na fé
Doutrinam na fé
Doutrinam na pseuda fé, nova esperança
Como quem amassa o pão de cada dia
Prometendo-lhes dias de bonança
Que após troca de dízimos, geraria
Prometem no mundo alcançar vitória
Como progresso e sucesso material
Ao invés de no outro mundo, a glória
O preço sublimado é paradoxal...
Manipulam a fé, negociam Jesus
Cujo valor de franquia é ajustada
Estimulam os pastores aos cofres seus.
A palavra de Deus, é mera presepada
Poucos podem fugir ao cego ardil
Pura magia, da fé, cruel engano
Espalhadas no mundo, pelo Brasil
Em turva façanha de atroz cigano
Meu Deus!... Por favor acorda Camarada
Conduzem Teu rebanho à fazenda errada
E Tu, lá do alto etéreo, não fazes nada...
Não pões fim, ou na linha, essa cambada?
No Teu tabernáculo, Senhor, Deus
Não permitas corruptas abominações
Àqueles que vendem a alma e os céus
Conjura-lhes as suas manipulações !
Porangaba, 31/03/2012
Armando A. C. Garcia
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