À tarde quando o aroma fresco das montanhas Descia em catadupas até ao vale Seu perfume penetrava nas entranhas De minha alma em êxtase original
As sombras dos picos, caíam até às fraldas Trazendo o perfume inebriante do alecrim E do alfazema, em coroa de grinaldas Como homenagem da natureza até mim.
A bruma da tarde trazia o gorjeio Dos últimos trinados dos passarinhos Como falando boa noite, em seu gorjeio Antes de se recolherem em seus ninhos.
A lua em novilúnio, merencória Banhava com seus raios tênues do luar Prados e montes que em sua trajetória À noite do alto, pode iluminar.
E a minha mente, poética, enlevada Levou aos céus uma prece fervorosa Para que a alma dos poetas amargurada, Seja ela, eternamente, mais ditosa
São Paulo, 06/04/1964 Armando A. C. Garcia Visite meu blog:http://brisadapoesia.blogspot.com
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Cuidado !
Cuidado ! ...
Meu povo tome cuidado Promessas mirabolantes... Tem muito estelionatário, Dando golpes constantes.
Com propaganda em Tvs Até em horário nobre ! Com grande desfaçatez, Loucos em te deixar pobre .
Já diz o velho ditado - Cuidado e caldo de galinha Nunca fez mal a ninguém-. O dinheiro é bem guardado Na posse de quem o tem.
Certo o governo Mineiro Certas práticas, proibindo Protege ao povo, o dinheiro Senão... no conto vai caindo
Por isso eu digo cuidado! Cuidado, p'ra mim também... Está cheio de safado Querendo o que a gente tem.
São Paulo, 26/09/2004 Armando A. C. Garcia
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DISTRAÇÃO
DISTRAÇÃO
Tenho andado perdido Neste mundo de ilusão, Minha alma sem sentido Meu peito sem emoção
São Paulo, 05 de agosto de 2007 Armando A. C. Garcia
Um corpo massacrado, carnes rasgadas Carnes rubras, cortadas pelo chicote Como se o corpo do homem fosse lingote Capaz de suportar tantas chibatadas
A vida é um sopro que a pouco se esvai E nenhum ser humano é um farrapo Pra ter dele a repugnância de um sapo Ao ponto de chicoteá-lo, até que cai.
E o pobre do escravo desfalecido Escorrendo sangue nos cantos da boca Os lábios inchados, como coisa oca Vai ficando febrilmente adormecido.
Já cobrem seu corpo nuvens de mosquitos Que encontram pasto fácil num indefeso Que além de acorrentado, não está ileso Sendo forçado a puxar os monólitos
E enquanto isso, seus senhores, os poderosos Deleitam-se das agruras dos coitados Que sobre as ricas leiteiras, recostados Vêm os escravos morrer sequiosos.
E os pobres tresloucados, sem ais, sem gritos São vítimas de mordazes salafrários Que satisfazem seus gozos cruciferários Construindo fabulosas montanhas de granitos
Baldados esses trabalhos desumanos Desse múmias de pensamentos insanos Que além da morte, amam obstinadamente O mísero corpo, que deixarão para sempre
Na pequenez de suas almas etéreas Cheias de pestilência, cheias de misérias Acobertadas de vinganças impiedosas, Fazem de seus corpos, múmias majestosas!
Sem Lembrarem de seu espírito imortal E de praticarem o bem, em vez do mal Trazem acorrentados como condenados Homens e mulheres que a troco de ducados
Lhes compraram, os corpos e a liberdade De seres humanos, fizeram animais Criaram monstros, feras, coisas brutais Sem um mínimo anelo de humanidade.
Desses pobres coitados, tenho piedade Porque eternamente serão mais desgraçados Do que mesmo, essa falange de coitados De quem hoje escarnecem a liberdade
E os pobres escravos, sempre açoitados... Sempre forçados a puxar monólitos Para construir monumentos de granito Onde serão os seus senhores sepultados
Maltratados, vão sendo dia após dia Mas um dia... eles serão recompensados! E os seus senhores, serão então condenados Por tão maldosa e perversa tirania .
São Paulo, 09/05/1964 Armando A. C. Garcia Visite meu blog: http://brisadapoesia.blogspot.com
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Desnudo
Desnudo
Desnudo de pudores e de intenções Como te dizer das que em mim habitam Como te falar, se emoções palpitam Cheio de lembranças, de recordações,
No alvoroço, o desejo consumido Pelo fruto gerado do saber Qual fonte que mitiga sede e prazer Restituindo ao nada, um sentido
Olvidando o reflexo da saudade Numa ausência mal assimilada O desejo se repete e me invade
Na vasta solidão do meu destino Minha alma fica triste acabrunhada No espelho onde não me descortino
Denúncias, quantas fiz, estou cansado Ninguém demonstra interesse ou civismo Leituras exíguas, ninguém preocupado Com a fome que campeia, sem altruísmo
Se forem poemas profanos, indecorosos De Mil leituras será pouca a estimativa O verso é pobre, se não for contencioso -É lúgubre e rouco, qual barco à deriva
Se desfaz o alento, duvidoso e incerto Sofremos mudos a inimiga violência O medo esfria o ânimo, qual desconcerto Como Seres oprimidos sem inteligência
Sociedade. É ora de despertar de vez O salário miserável do trabalhador Ignomínia de moral e honradez. - Injustiça social, quem é o causador ?
Desigualdade, que faz vergonha sentir Ao cidadão honesto e cumpridor Que paga seu tributo no pão e no vestir E no abdutor da miséria a carpir
Até quando, um país rico e soberano Cheio de ouro e pedras preciosas Submete seu povo em vil engano Esperanças que não vêm, e viram prosas
Liberdade, onde está a tua aurora Que na esfera humilde, não raia mais... Liberdade! o que será de nós agora... Ó pátria, amor.; o barco parte do cais.
Se de radiosas virtudes és fadada Do teu chão jorra riqueza e fartura Ferro, prata, ouro puro em tonelada - Porque não dar a teu povo mais ventura?
Teu presidente, falou em tom jocoso "-... Preciso tomar conta do rebanho, senão as reses se perdem nestes 8.500 Km." - Pascenta em solo nobre, vil rebanho
Pasmem, ante o espetáculo inédito Teve um, para quem o odor dos cavalos Suplantava o dos humanos, em seu edito ... Surge outro, agora, que a seus vassalos
Chama de reses, ou até, pior às vezes Quem sabe, se esparsas do rebanho - Não lograrão melhora, os camponeses E a classe média em todo o seu tamanho
Brilha a tela no pincel da fantasia No teu manto ó Pátria acolhe meu clamor Cobre com raios de sol e de alegria Que surja em Ti o grande Libertador
Os grilhões da miséria e desventura São o ergástulo mais ingente e impiedoso A que pode ser jungida à criatura. - Não basta o governo ser caridoso
Para o povo ter dignidade, o salário Deve ser decente, ético e racional Para não desvanecer o operário E dar tranqüilidade à paz nacional !
Oh! vós lá de Brasília Despertai sem medir o fausto luxo desmedido É ora, em nome do povo acordai Vosso salário é dele, povo abstraído.
O povo não mais confia na justiça - Face à pena ter aplicação empírica O que faz crescer em nós a grande liça Gerada pela impunidade satírica
Benesses cedidas com dano à sociedade Em prol do assassino e do ladrão Caiu conceito da justiça - honestidade Probidade, integridade e retidão
Há uma inversão de valores a inverter Para que a auto estima do povo brasileiro Não se deixe mais oprimir. E, subverter o submundo ao trabalho rotineiro.
Para transformar esta sociedade Em algo útil, saudável e aceitável Para servir de orgulho e prosperidade A futuras gerações, legado inabalável.
São Paulo, 07/02/2007 Armando A. C. Garcia Visite meu blog:http://brisadapoesia.blogspot.com
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Estrada Pedregosa
Estrada Pedregosa
Estrada pedregosa no curso da vida Difícil de transpor, intricado percurso Aluvião de pó a revolutear tangida Pelo vento, que põe o veleiro em curso
O mesmo que toca moinhos de vento Estrada pedregosa que pesa e contrista A longa caminhada, o douto pensamento Diadema de esperanças que o ser conquista
Espiral dos sonhos, de idéia e ambição Alento de brandura, após virtual castigo Havemos de arrancar-lhe o fel da ingratidão
E dar à humanidade estrada sem perigo Em vez de problemas, haja solução E aquele que te odeia, seja teu amigo
Minha alma ainda sustenta a esperança De voltar a ver aquele bem tão desejado Nem que seja uma tormenta ou um pecado Nela repousa minha última lembrança
Suspiros, lamentos, o preço do desejo Paixão, emoção, fogo que dilacera Desatino de amor, sonho, quimera Sentimentos que crescem de sobejo
A dor que sufoca o meu peito triste Só nela encontra alívio e consolo E se no sentimento o amor esmolo É porque o amor no peito ainda persiste
Se morto na aparência, o mal condena Penitência minha, desculpa extinta Pois não resta do amor que eu não sinta Na memória a razão de dor e pena
Resistência, pena cruel, tormento Venenos de amor que o coração sorve No silêncio repousado que absorve Saudade do perpétuo sentimento
O socorro, a aflição, ninguém procura Porque falta à minha alma contentamento E se a causa é eterno esquecimento Quanto resta desta minha desventura
Não há tormentas que o amor não vença Nem lágrimas de fel que amedronte Quando é forte nada dobra a sua fronte E perdoa esquecendo agruras e ofensa
Esquece dos espinhos e amargores Dos prantos derramados soluçando Mesmo com a alma tristonha e chorando O coração suplanta todas as dores!
São Paulo, 14/04/2003 Armando A. C. Garcia Visite meu blog:http://brisadapoesia.blogspot.com
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Criança ! (Infantil)
Criança ! -Infantil-
Desperta linda criança Tens o mundo à tua frente Tu és a eterna esperança De fazê-lo diferente
Estuda com zelo e afeição Aprimora teus labores E com Deus no coração Teus feitos serão melhores
- Desperta linda criança O mundo precisa de ti Tu não vês, que torto avança - Como perdido de si
Sê a esperança, o timoneiro O guia de confiança Não sejas o derradeiro Na caminhada que avança
Criança! O mundo depende de ti Só com fé, amor, esperança Estudo e perseverança Poderás dizer, estou aqui!
Criança desperta, afinal O mundo foi feito p'ra ti De pedra bruta ou cristal, Tu és, a flor que sorri !
DA EVOLUÇÃO DO HOMEM Os avanços da evolução do homem Retrocedem na moral e na honestidade A inteligência nas trevas da promiscuidade E os esforços de vontade se consomem
O grau do intelecto na mente perturbada Não o afasta da degradação moral Aniquilando a alma ao lodaçal Recuando da glória destinada
A perversidade suplanta o Bem A calmaria deu azo à tempestade À falta de caráter, à crueldade Confiante na impunidade, vai além.
Contudo, se engana a justiça da Terra Tal flagelo, não ocorre nos céus Porque justa, é a providência de Deus E o ingrato, a ela não pode fugir
Está longe do ideal nossa evolução Os sentimentos cheios de instintos Emergem da falta de educação E levam suas almas aos labirintos
Com nosso avanço moral corrompido Pelas sensações nefastas e *aziagas Nosso espírito permanece combalido Ao invés de depurar suas chagas
Temos a evolução Global e a Espiritual Daquela, fazemos parte no todo Universal Desta o todo, somos nós em espiral. Vamos praticar o Bem, abolindo o mal.
Porangaba, 19/05/2011 Armando A. C. Garcia Visite meu Blog: http://brisadapoesia.blogspot.com