Digo-te adeus, sem lenço branco na mão Porém, com ela, de lágrimas umedecida E em cada uma delas minha canção De saudade e esperança prometida
Digo-te adeus... barco que se arroja ao mar Digo-te adeus... na lágrima sentida Que importa se parto sem destino do lar Mesmo que não possa esquecer-te na vida
Parto, sem um adeus, ou mesmo, até já Lançando ao rio as páginas vividas Minha mágoa desolada, sobrestará Como dádivas de amores antes sentidas
Na nebulosa travessia que singrei Ver-me-ás percorrendo os oceanos Só! No barco o mar inteiro, cruzarei Sem ter onde aportar meus desenganos
Se a rota escolhida for o fim do destino Debruçado em pensamentos o meu cais Que importa a nós, se outra não atino Mostra teu sorriso que não volto mais
Derradeiro adeus, aquele que olvidei O rastro de meu batel o oceano apaga Quis ser gentil e amável... me enganei Cravei em meu peito esta vil adaga !
Um corpo massacrado, carnes rasgadas Carnes rubras, cortadas pelo chicote Como se o corpo do homem fosse lingote Capaz de suportar tantas chibatadas
A vida é um sopro que a pouco se esvai E nenhum ser humano é um farrapo Pra ter dele a repugnância de um sapo Ao ponto de chicoteá-lo, até que cai.
E o pobre do escravo desfalecido Escorrendo sangue nos cantos da boca Os lábios inchados, como coisa oca Vai ficando febrilmente adormecido.
Já cobrem seu corpo nuvens de mosquitos Que encontram pasto fácil num indefeso Que além de acorrentado, não está ileso Sendo forçado a puxar os monólitos
E enquanto isso, seus senhores, os poderosos Deleitam-se das agruras dos coitados Que sobre as ricas leiteiras, recostados Vêm os escravos morrer sequiosos.
E os pobres tresloucados, sem ais, sem gritos São vítimas de mordazes salafrários Que satisfazem seus gozos cruciferários Construindo fabulosas montanhas de granitos
Baldados esses trabalhos desumanos Desse múmias de pensamentos insanos Que além da morte, amam obstinadamente O mísero corpo, que deixarão para sempre
Na pequenez de suas almas etéreas Cheias de pestilência, cheias de misérias Acobertadas de vinganças impiedosas, Fazem de seus corpos, múmias majestosas!
Sem Lembrarem de seu espírito imortal E de praticarem o bem, em vez do mal Trazem acorrentados como condenados Homens e mulheres que a troco de ducados
Lhes compraram, os corpos e a liberdade De seres humanos, fizeram animais Criaram monstros, feras, coisas brutais Sem um mínimo anelo de humanidade.
Desses pobres coitados, tenho piedade Porque eternamente serão mais desgraçados Do que mesmo, essa falange de coitados De quem hoje escarnecem a liberdade
E os pobres escravos, sempre açoitados... Sempre forçados a puxar monólitos Para construir monumentos de granito Onde serão os seus senhores sepultados
Maltratados, vão sendo dia após dia Mas um dia... eles serão recompensados! E os seus senhores, serão então condenados Por tão maldosa e perversa tirania .
São Paulo, 09/05/1964 Armando A. C. Garcia Visite meu blog: http://brisadapoesia.blogspot.com
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Eu quero cantar um fado
EU QUERO CANTAR UM FADO
Eu quero cantar um fado Um fado eu quero cantar Para ter-te ao meu lado E puder te abraçar "Refrão "
Ó gente da minha terra Ó gente do meu país Por tudo que ela encerra Eu já me sinto feliz
Por tudo que ela encerra Eu já me sinto feliz
Eu tenho o fado no sangue Tenho o fado por raiz Mesmo que eu esteja exangue Morrer abraçado ao fado É tudo que sempre quis
Eu quero cantar um fado Para fazer-te feliz Recebe o pequeno agrado De um fadista aprendiz
Árvores velhas, seculares, árvores fortes, Que dais sombra e descanso aos viandantes, Que dais frutos e dais flores vicejantes, Árvores pequenas e grandes, de todos portes
Árvores que abrigais as avezinhas Que sois o berço dos poetas voadores Onde canta o rouxinol, entre as flores E gorjeiam o sabiá e as coleirinhas
Árvores frondosas, riqueza natural Sois a beleza dos campos e do jardim Atavio profícuo das selvas sem fim A maior de toda a beleza universal
Árvores grandes, troncos nus, verdes ramos Onde os melros e as rolas fazem ninho O sábia, o pintassilgo e o canarinho E outros mais que aqui nós não citamos
Árvores pequenas, lindas e floridas Perfumadas, e com frutos naturais Coqueiros, cajueiros e laranjais Árvores verdes, amarelas e garridas.
Árvores, árvores fortes que sois vida Troncos que dais madeira, que dais borracha, Troncos que dais cortiça, que dais a acha Árvores que dais as vidas, de vossa vida.
São Paulo, 1964 Armando A. C. Garcia Visite meu Blog: http://brisadapoesia.blogspot.com
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Desarmamento
Desarmamento
Estão pedindo nosso voto Para o cidadão desarmar Ficamos de bolso roto Sem ninguém a nos guardar
Seria melhor condenar Com mais rigor e energia O que só sabe assaltar Usando a pontaria
Fica o governo inerte Ante a inversão social O ladrão, nunca se aperte è o povo o imoral
Benjamim Franklin dizia: Com muita propriedade Que se as armas algum dia Do povo, forem saudade...
- Então, governo e ladrão De que é a propriedade, dirão !
São Paulo, 07/10/2005 Armando A. C. Garcia
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Conflitos de Amor
Conflitos de Amor
Da afeição que eu tanto confiava No amor que tão desejada era Traição tamanha, jamais esperava Quão grande a flama que em mim ardera
Enfim, só quem ama sabe, compreende Que aquilo que se quer e se deseja Há sempre alguém, que sem pelejar contende Tão suspeito, que em curto tempo se não veja.
As lágrimas míseros dos dias sofridos D’ amor qu’ teve começo, nunca teve fim Foram prelúdio de jogador vencido Que, na ordem do destino foi traído
A lealdade das juras já negada No amor que sustinha não renova Infestam a alma e a vida subjugada Como lhe convinha, seu peito aprova !
São Paulo, 15/12/2001 Armando A. C. Garcia
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As lutas e o manejo (soneto)
As lutas e o manejo (soneto)
Sou eu... e serei eu até morrer Solitário entre gente, desatino É cuidar que se ganha do destino É ferida que corrói ao corroer
E... no eu, que eu sou, sem perceber Mudam-se as vontades e o desejo As esperanças as lutas e o manejo As aspirações, anseios e o querer
O tempo converte em nada a esperança Deixa saudades e mágoas em desalinho O mundo é mesclado de mudança
E o eu, de ontem não deixou herança Perdido neste grande torvelinho Que na vida se procura e não se alcança
São Paulo 06/01/2009 (data da criação) Armando A. C. Garcia
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Da Bigorna do Poeta
Da Bigorna do Poeta
Somos a forja, onde ao fogo, com martelo Batemos qual ferreiro na bigorna As palavras que na amplidão do prelo Jóia esplêndida, que um dia nos retorna
Pela verdade, justiça e o direito Na luz que espargimos às mãos cheias Qual labareda que irrompe no peito E, cingindo as almas, percorre as veias
Como a alma na bigorna é moldada Nas estrofes levamos nossa inspiração Ao mundo de geração desregrada Iluminando de luz seu coração
Da bigorna do poeta, nascem rios Crescem flores, nascem amores sem-fim Idéias brotam histórias, forjam brios A *trescalar olores, qual serafim
Luz da aurora a brilhar no horizonte Enchendo o céu de cânticos afins Planícies, mares, rios e montes As flores do campo e dos jardins
Cumpre-nos lapidar a pedra bruta Burilando faceta, por faceta A bigorna é a mãe substituta Onde forja a palavra do poeta !
Porangaba, 13/09/2011 Armando A. C. Garcia
Visite meu Blog: http://brisadapoesia.blogspot.com *exalar cheiro forte
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Chamativo (infantil)
Chamativo (infantil)
Batem palmas de mansinho Na soleira do portão Fui olhar quem por mim chama Com tamanha lentidão
Uma criança pequena Pede um pedaço de pão Faz dias que ela não come Está sem cor e expressão
Acolhi a criatura Mandei servir refeição Fiz tudo para mitigar Sua fome e aflição
Sua estória contou assim No mundo não tem ninguém Sua mãe chegou ao fim E seu pai, ao fim, também
Armando A. C. Garcia São Paulo, 03/04/2004 Visite: http://brisadapoesia.blogspot.com
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As Bordoadas da Vida
As Bordoadas da Vida
Nas bordoadas da vida Nunca deixes-te abater Mantém a cabeça erguida Sê firme até morrer !
Vê que após a tempestade Sempre o Sol volta a brilhar Transposta a dificuldade Voltarás a caminhar
Deus nos deu entendimento E uma força superior P'r vencer, cento por cento As desventuras e a dor !
Defende-te a cada dia Das ciladas, das rasteiras - No calvário, viu Maria As esperanças derradeiras
Nesta vida, a bordoadas Todos nós estamos sujeitos De tanto levar pancadas Tornamo-nos mais perfeitos
Concorrem o bem e mal Nas perspectivas da vida Desarmonia universal Desavença indefinida
Nada é inútil na existência Tudo tem razão de ser Sem o dom da *omnisciência Temos muito que aprender
São Paulo, 06/09/2011 Armando A. C. Garcia *que sabe de tudo; onissapiente