E poeta é qual vinho envelhecido
Em antigos tonéis de carvalho
Por alguns será bebido,
Por outros, só degustado !
São Paulo, 10/09/2009
Armando A. C. Garcia
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Amiga, (soneto)
Amiga, o amor perdeu o encanto
Te digo, sem ti, a vida é sombria.
Agora, sem amor eu sofro tanto
Sinto que minha vida está vazia
Amiga, eras o encanto e a graça
Ao tempo, virgem de meus pensamentos
Meu sonho, Rainha, jogaste aos ventos
E sem clemência... os juramentos
Cansado, meu coração te oferece
Hoje, no meu adeus ao mundo triste
A última auréola de júbilo, que nele existe
Qual quimera que em lágrimas expresse
Quando cordeira a outro colo uniste
E à sacrílega loucura inda resistes
São Paulo, 20/08/2008 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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A Marca do Tempo (soneto)
Tu foste a lembrança do meu coração
Que a marca do tempo não pode apagar
E se algum impulso, intento em vão
A chama da paixão volta a brotar
Os eflúvios que exalam da lembrança
Vastas ondas sob o jugo de Cupido.
Para sempre perdida e sem esperança
Mil vezes me julgo velho arrependido
Trocastes pelos bens, fiel ternura
Qual punhal que sopeia* tua dor
Tua imagem luminosa, hoje escura
Teu sorriso de esplendor é amargura
A inteligência demonstrou não ter valor
Porque os bens, não se levam à sepultura.
São Paulo, 09/12/2008 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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* calcar, reprimir, conter, estorvar o movimento de.
As Contas que Pagamos...
Pagamos segurança particular,
Pagamos altos pedágios nas estradas
As contas de água, são muito elevadas
Eletricidade... a luz temos que apagar.
Pagamos imposto de renda no salário,
Gasolina com álcool... ao preço do dólar
Cartão de zona azul, na porta do lar!
De tantos pagamentos julgo-me otário...
IPTU e aluguel para morar,
ICMS e IPI nos alimentos !
Nas roupas, sapatos, vestimentos.;
E cemitério, ao final para enterrar.
À justiça, taxas para nos julgar.;
Convênio médico, seguro de vida,
Do automóvel, da casa, da ferida.
Condomínio e, até para estudar.
Taxas de lixo, licenças p'ra trabalhar.;
Nas rodoviárias.; até para urinar!...
Ao Banco, para nosso dinheiro guardar
Nas igrejas, pagasse até para rezar !
Também, p'ra poder ver, ou poder ouvir
É pagar, sem bufar, ou questionar.
Pagasse para falar e, p'ra sentir
Nalguns Shoppings, até para estacionar!
Pelo pouco que temos, temos tanto a pagar
Qual caminho, que começa, e não tem fim...
INSS, para poder trabalhar!
Sindicatos e siglas, tais ninhos de cupim
P'ra tudo o homem inventa o que pagar
Nada ele faz.; se nada poder cobrar
Pergunto meu Deus... p'ra quê trabalhar.
Não será melhor no mato me enfiar?
Ao MST acho que vou me engajar
De invasão, em invasão de terra.;
Na gleba, o imposto não me ferra
E o governo, me ajuda a sustentar
Assim questiono-me, p'ra quê trabalhar
P'ra pagar imposto, nunca terminado...
Eu vou para a roça, cuidar do meu gado,
Ou vou p'ra lagoa os peixes pescar.
O que não quero.; é tanta coisa pagar...
O que pago é tanto.; o que como é tão pouco
De tantos encargos, eu vou ficar louco
Será que compensa eu assim labutar?
Na roça, vou viver mais feliz, contente
Livre de tantas obrigações impostas.
E o governo, que hoje me vira as costas
No social.; dará ajuda, a mais um carente.
Porque terra sem implementos não dá fruto
nem sustento. E pegar o cabo da enxada...
Curva a cerviz, e deixa a mão calejada!
É trabalho que além de escravo, é bruto.
No aguardo dos implementos e insumos
O governo vai-nos dando o sustento,
Assim acaba de vez meu sofrimento.
E dou aos impostos e taxas novos rumos.
São Paulo, 08/08/2004
Armando A. C. Garcia
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Muito belo... harmonioso - e viva a natureza....