Copíosamente chorando no silêncio da noite Carpia a saudade, lamentando, com dó e pena Tempos remotos, plena convivência e preciosos laços Que a vontade do destino a afastou dos seus braços - E agora, quando a vida podia ser mansa e serena Chora e geme o triste choro, e cada dia, é um açoite.
De tanto marejar, aos olhos lhe sumiu o brilho Mais propensa à morte, que à ventura e à vida Nas mãos carrega a taça da infeliz existência Lhe vigora o sentimento e a sutil pertinência Do perspicaz desejo de quem geme arrependida De ter sido esposa amada, sem nunca ter um filho !
São Paulo, 29/01/2008 Armando A. C. Garcia Visite meu blog: http://brisadapoesia.blogspot.com
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Devaneios !
Devaneios !...
De vãs ilusões já vivi, na vida E de falsas recordações, sofri Meu fado, não enfada, nem convida Mimos do pensamento em que te vi
Meus fados, pranto à margem fria Inoportuna razão que me mitigas Palpando o vento, nesta fantasia Num mundo falso, cheio de intrigas
No qual viajo, cheio d' indiferença Em ilusão, subo ao cume da glória Aguardo em ti, extrema recompensa
Mil vezes te lembrei, nelas te beijei Manejo a lei da sorte, viro a estória. Meu bem, sem cura, o mal qu'em mim criei
Quem de radiosas virtudes protegido Não sabe o que é sentir angustias tais Que sofre o ultrajado e oprimido Mesmo que seja o mais crente dos mortais
Sua paz são os momentos de amargura Seu cajado, maneja além da sorte Felicidade é ausência, é desventura A vida é infortúnio mor, que a morte
Cativeiro da mágoa e da desgraça Neste mundo sem algum merecimento Antigo amor, o coração despedaça
Mesmo sabendo a razão de seus pesares Perdida a esperança, e todo consentimento Seu pensamento... flutua pelos ares !
São Paulo, 05/12/2005 Armando A. C. Garcia Visite meu blog: http://brisadapoesia.blogspot.com
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ENTREI NO SITE DA VIDA
ENTREI NO SITE DA VIDA
Entrei no site da vida Sem medir conseqüência Vi minha odisséia perdida Por tamanha displicência
Deparei-me com horrores Banalidades sem fim Alguns falando de amores Outros só de coisa ruim...
Vi juventude perdida No álcool e na droga E, outra mais destemida Na igreja e sinagoga
Senti cansaço e alegria Na fantástica disputa Da luta do dia a dia Germinada e resoluta
No site da evolução O homem vai-se moldando E adapta o coração E sai do mundo nefando
Prepara a sua jornada Sai do nefasto e do mal Em decisiva caminhada Ao plano espiritual.
São Paulo, 25/03/2009 Armando A. C. Garcia
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Eu só queria entender
EU SÓ QUERIA ENTENDER...
Não se habituou o mundo Às ironias sem par Uns, tal farrapo imundo Outros, dinheiro a sobrar
Eu só queria entender Essa tal desigualdade Se é do jeito de viver, Ou se é mesmo crueldade
O valor foi superado No saber e na idade O problema é delicado, Só por falta de vontade.
A sociedade é culpada De tamanha hegemonia Já diz a bíblia sagrada Come o pão de cada dia
O homem, esse vilão Seu coração não alcança Repartir todo seu pão Com amor e esperança
Piedade e clemência Importantes nesta vida Sabedoria e consciência Dão ao mundo outra guarida
São a fonte importante Que emana do coração Capaz de levar avante Este mundo de ilusão
Fortuna mal empregada É qual pedaço de terra Sem a semente jogada Nenhum proveito encerra
Eu só queria entender Porque o mundo não se irmana P'ra todo Ser poder ter Trabalho e uma cabana
São Paulo, 02/11/2005 Armando A. C. Garcia
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Digo-te Adeus !
Digo-te Adeus !...
Digo-te adeus, sem lenço branco na mão Porém, com ela, de lágrimas umedecida E em cada uma delas minha canção De saudade e esperança prometida
Digo-te adeus... barco que se arroja ao mar Digo-te adeus... na lágrima sentida Que importa se parto sem destino do lar Mesmo que não possa esquecer-te na vida
Parto, sem um adeus, ou mesmo, até já Lançando ao rio as páginas vividas Minha mágoa desolada, sobrestará Como dádivas de amores antes sentidas
Na nebulosa travessia que singrei Ver-me-ás percorrendo os oceanos Só! No barco o mar inteiro, cruzarei Sem ter onde aportar meus desenganos
Se a rota escolhida for o fim do destino Debruçado em pensamentos o meu cais Que importa a nós, se outra não atino Mostra teu sorriso que não volto mais
Derradeiro adeus, aquele que olvidei O rastro de meu batel o oceano apaga Quis ser gentil e amável... me enganei Cravei em meu peito esta vil adaga !