Se em chão infecto, jogares boa semente Sem limpar teus campos primeiramente Não esperes ter uma boa colheita Porque a força da inércia está à espreita
Com mão firme cata as ervas daninhas O amendoim-bravo e demais gramíneas. Também a guanxuma, e a trapoeraba, A tiririca, o picão-preto,e a buva,
É preciso separar o joio do trigo As invasoras, para este, são um castigo A disseminação está somente em tuas mãos Depende de ti a boa colheita de grãos
Para boa produtividade, afasta a infestante A partir da semeadura, limpeza constante E, assim, nada mais afetará tua colheita Por isso agricultor, à boa pratica, te ajeita
Sabes que as plantas daninhas competem Com as culturas, e na produção refletem Portanto, caleja as mãos no manejo do solo Trata ele, como a mãe, trata a criança ao colo
Árvores velhas, seculares, árvores fortes, Que dais sombra e descanso aos viandantes, Que dais frutos e dais flores vicejantes, Árvores pequenas e grandes, de todos portes
Árvores que abrigais as avezinhas Que sois o berço dos poetas voadores Onde canta o rouxinol, entre as flores E gorjeiam o sabiá e as coleirinhas
Árvores frondosas, riqueza natural Sois a beleza dos campos e do jardim Atavio profícuo das selvas sem fim A maior de toda a beleza universal
Árvores grandes, troncos nus, verdes ramos Onde os melros e as rolas fazem ninho O sábia, o pintassilgo e o canarinho E outros mais que aqui nós não citamos
Árvores pequenas, lindas e floridas Perfumadas, e com frutos naturais Coqueiros, cajueiros e laranjais Árvores verdes, amarelas e garridas.
Árvores, árvores fortes que sois vida Troncos que dais madeira, que dais borracha, Troncos que dais cortiça, que dais a acha Árvores que dais as vidas, de vossa vida.
São Paulo, 1964 Armando A. C. Garcia Visite meu Blog: http://brisadapoesia.blogspot.com
729
Como o fogo !
Como o fogo !...
Como o fogo e a água dão têmpera ao aço O tempo nos dá a mesma consistência Na vida a têmpera é moldada no espaço Que cada um consegue na experiência
Quem não tem experiência, não tem passado E quem não tem passado, não tem vivência Sua têmpera está como ferro não malhado Que o ferreiro leva ao fogo com paciência
Deixa a vida moldar-te com o mesmo banho Com que se temperam os metais e o rijo aço Verás então tu, quão grande é o tamanho
Da experiência, do passado e da vivência E dar-lhe-ás o merecimento que encerra Valor que hoje olvidas, pela ausência !
São Paulo, 29/08/2011 Armando A. C. Garcia Visite meu Blog:http://brisadapoesia.blogspot.com
649
As Bordoadas da Vida
As Bordoadas da Vida
Nas bordoadas da vida Nunca deixes-te abater Mantém a cabeça erguida Sê firme até morrer !
Vê que após a tempestade Sempre o Sol volta a brilhar Transposta a dificuldade Voltarás a caminhar
Deus nos deu entendimento E uma força superior P'r vencer, cento por cento As desventuras e a dor !
Defende-te a cada dia Das ciladas, das rasteiras - No calvário, viu Maria As esperanças derradeiras
Nesta vida, a bordoadas Todos nós estamos sujeitos De tanto levar pancadas Tornamo-nos mais perfeitos
Concorrem o bem e mal Nas perspectivas da vida Desarmonia universal Desavença indefinida
Nada é inútil na existência Tudo tem razão de ser Sem o dom da *omnisciência Temos muito que aprender
São Paulo, 06/09/2011 Armando A. C. Garcia *que sabe de tudo; onissapiente
Coração Alquebrado Carrego alquebrado pela amargura O coração cheio de enganos e decepções Qual efeito do feitiço, na vida dura Minha cruz leve ou pesada de aflições
E neste martírio pungente excruciante Afigura-se que esta vida só tem prantos Face aos martírios serem tão constantes E os momentos de alegria, não serem tantos !...
Murmura o coração à medida que perece Sofrendo e rangendo, na cólera dorida Ferido nas artérias pela lasciva da vida
No místico jardim, em que a flor fenece Busca o conforto o bálsamo da ferida E o encontra em Deus, que lhe dá guarida
São Paulo, 0/10/2010 Armando A. C. Garcia Visite meu Blog: http://brisadapoesia.blogspot.com
828
A Vida !
A Vida !
Vida é sangue na veia O coração a bater É o sol que clareia E faz a planta crescer
É o pássaro no ninho E, é o peixe no mar É a estrada, o caminho A noite escura, o luar
É a flor que desabrocha É o pássaro a voar É o samba da cabrocha O avião lá, no ar !
Vida. É movimento É conquista, é prazer Determinação, talento É o filho a crescer
É o majestoso universo O mar, a mata e a flor É a poesia, o verso O deleite do cantor !
É o infinito dos céus As estrelas cintilantes Onde a morada de Deus Fica de nós tão distante !
Andei, por serras agrestes, vales e montes Carpindo meu pranto de amargura Cruzei rios, bebi água em muitas fontes Mas jamais esqueci de tua ternura
Narrar a odisséia de minha vida Seria destruir meu intento e graça Na obra sobre-humana investida Valores que só a ação do tempo traça
Dias de tristeza e de desenganos Sem poder parar a roda do destino E abrandar os sofrimentos desumanos
Nesta luta que nenhum homem receia Gasta-se a vida, desfaz-se o alento Qual veneno a pulular de veia em veia
São Paulo, 22/06/2009 (data da criação) Armando A. C. Garcia Visite: http://brisadapoesia.blogspot.com
729
Coração sem Juízo !
Coração sem Juízo !...
Não culpes minha alma... se o coração Não tem juízo. Nem mesmo, ponderação E a cada paixão se envolve cobiçoso Jurando não mais ser tão pretensioso
Na fronde das árvores oculto os segredos Das minhas entranhas; aboli os medos A névoa esfuma e com as nuvens conspira Tresloucado coração, novo amor suspira
Volúpias almiscaradas em profusões Ungidas de metáforas e de carinhos O envolvem em inefáveis turbilhões
Restando apenas a trilha dos caminhos Interlúdio entre o sossego e as paixões Nas sendas matinais dos passarinhos
Devemos conversar com a natureza É dela que nossa vida provém Irradia esplendor e singeleza A natureza é a segunda mãe
Modera, abranda e serena a alma Dá paz, concórdia e harmonia Conversar com a natureza acalma Pelo frescor que dela irradia
É a fonte de riqueza, que nos dá O alimento, que chega à nossa mesa A água límpida e pura, lá está Borbotando, harmônica, coesa
Sua exuberante flora, é um jardim Onde a sinfonia das aves a trinar Regidas pela imensidão sem fim Há milhões de anos ecoam pelo ar
Sem pedir nada em troca, tudo nos dá Sê gentil, conversa com a natureza Ela, que tudo gera, e um dia quiçá... Recolhe-nos ao ventre, cheia de nobreza !
Vês agora tu a dor da minha desventura Alma sedenta de amor de tempos idos Sabor deste momento perdido nos anos À mercê do despojo de tantos desenganos Esperanças fugazes em prantos carpidos Propenso ao amor, ávido de ternura
O tempo tirano, o amor adormece Quem sóis vós de dons encantadores Que a paz me tirais, regendo meu fado Fulminante dor, estímulo tocado Num gesto amado, dulcíssimos favores Junta os pedaços de meu coração e tece
Cinqüenta anos de sonhos e clamores Ouve a cruel incerteza da saudade Que a dor profunda a delirar obriga Suspiro há tanto tempo, coisa antiga Desde os primórdios da minha mocidade Fartando meu coração de dissabores
Em sonho fascinante teu amor mantive Não há poder no mundo, que mude a sorte Pouco a pouco o Ser sucumbe à natureza Se teu regresso aponta, sou tua presa Dar-te-ei mil beijos, num abraço forte Amostra dos desejos que por anos tive
Se tudo não passou de um sonho lindo Quem sóis vós que meus sonhos dominais E dais alegria a um feliz momento Acendeis de vivas cores vasto pensamento No mais sensível dos amantes geniais Em doce encanto, que ao despertar é findo!