A uma senhora ! (soneto)
A uma senhora ! (soneto)
A ausência me livrou da contingência
De ver teu rosto murchar, minguando
Pela incoercível degenerescência
Da regra, que no mundo tem seu mando
E a matéria outrora bela inigualável
Hoje, é tal ave noctâmbula
Passeando com rosto murcho miserável
Só, na noite escura qual sonâmbula
Triunfo passageiro, cilício, aflição
Nos segredos insondáveis da memória
Ficou gravada sua imagem no coração
Ver as fases da beleza, hoje irrisória
Melhor evitar o precipício em vão
Deixando nos meus versos a vanglória !
São Paulo, 02 de outubro de 2008
Armando A. C. Garcia
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Amor Ilibado (soneto)
Amor Ilibado (soneto)
O que a vida fez do meu sonho lindo
Sonho puro, que minh’alma quebrantou
Ele passou, qual veloz tufão infindo
Arrasando ao abismo, o sonho que criou
A partida, foi o início do tormento
Dilacerou o meu pobre coração
O teu, ficou sorrindo sem lamento
O meu peito sofrendo de emoção
Não pude fugir ao ledo engano
Por mais que eu mesmo relutasse
Sofri, às duras penas, esse dano
Parti em busca de uma pátria nova,
Como de dor minha’alma se esgotasse
- De vivo morto, foi a minha prova !
São Paulo, 16/07/2007 (data da criação)
Armando A. C. Garcia
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Agricultor
Agricultor
Se em chão infecto, jogares boa semente
Sem limpar teus campos primeiramente
Não esperes ter uma boa colheita
Porque a força da inércia está à espreita
Com mão firme cata as ervas daninhas
O amendoim-bravo e demais gramíneas.
Também a guanxuma, e a trapoeraba,
A tiririca, o picão-preto,e a buva,
É preciso separar o joio do trigo
As invasoras, para este, são um castigo
A disseminação está somente em tuas mãos
Depende de ti a boa colheita de grãos
Para boa produtividade, afasta a infestante
A partir da semeadura, limpeza constante
E, assim, nada mais afetará tua colheita
Por isso agricultor, à boa pratica, te ajeita
Sabes que as plantas daninhas competem
Com as culturas, e na produção refletem
Portanto, caleja as mãos no manejo do solo
Trata ele, como a mãe, trata a criança ao colo
Porangaba, 17/02/2012
Armando A. C. Garcia
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A Vida tudo consome !
A Vida tudo consome !
A vida tudo consome!...
A cada dia que passa
O amor e a felicidade !
Só não consome a desgraça.
São Paulo, 05/12/2004
Armando A. C. Garcia
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Já se foi a primavera
Já se foi a primavera
Já se foi a primavera, a mãe das flores
Chegou o verão de chuvas e aguaceiros
Envolto na umidade de seus vapores
Inundando cidades e campos sem outeiros
A tragédia repete-se a cada ano
Castigando, das vertentes das colinas
Aos ribeirinhos, já crentes no desengano.
As promessas do governo, são rotinas
Os aportes anunciados às calamidades
Nunca chegam ao destino da tragédia
Vemos pela TV nos campos e nas cidades
A destruição, como no início da comédia
Com as novas chuvas, novas inundações
Gente sem lar, gente de bem, em má situação
Com a roupa do corpo, sem cama e lençóis
Quem desvia o dinheiro é pior que ladrão
O que vemos é a imunidade crescendo
O tesouro nacional precisa ser protegido
Se assim não for, os ímpios vão vencendo
E a maior vítima, nosso povo desnutrido
Ano, após ano, com a desgraça deste povo
Meia dúzia de espertalhões fazem a feira
E o que deveria ir para o humilde povo
O político enche a burra, na bandalheira.
Porangaba, 22/01/2012
Armando A. C. Garcia
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Até ao inferno (soneto)
Até ao inferno... (soneto)
Destravarei ¹aldravas e abrirei fechaduras
Em toda rua e viela, envidarei tuas procuras
No infinito do tempo e se eu fosse eterno
Estenderia a procura até ao inferno
A angústia de viver sem ti vibra e cresce
E ao pé da eternidade... quase floresce
A luta que intimida, é medo, fantasia ...
Procurarei de porta em porta sem fobia
Sem vergonha do pranto que o amor chora
Percorrerei o mundo a qualquer hora
Buscando o teu amor... da existência à morte
Quem sabe o bom Deus dar-me-á a sorte
De te encontrar algum dia, seja onde for
O sábio já dizia: A vitória é do amor !
São Paulo, 16/04/2009
Armando A. C. Garcia
¹trancas de portas
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Incertezas
Incertezas
Um conjunto de incertezas
Invade a alma do homem
Como nuvens de torpezas
Que sua mente consomem
Incertezas, são dúvidas
Qu'os pensamentos semeiam
Tristes a quem as duvida
Nos males que desencadeiam
Decepções, sofrimentos
Angústia, ódio, amargura
Lembranças e pensamentos
De incertezas prematuras
Imaginações, solidão
Aversões e desencantos
Vazio no coração
Incógnitas, boatos tantos...
O homem preso aos medos
Não se encontra de verdade
Vê na incerteza os segredos
De progredir à vontade
É o espelho da alma
Onde tudo transparece
Na incerteza, perde a calma
- Pedir a Deus, se esquece !
Entretanto as incertezas
Podem ser possibilidades
Quantas vezes as certezas
Tolhem as nossas vontades
A incerteza é imensurável
Pelo risco desconhecido
Dum resultado desagradável
Do risco, no próprio sentido
É uma situação desconhecida
Que o só futuro pode dizer
É uma dúvida indefinida
É o querer e não puder
Nas incertezas, a emoção
Dá lugar à incoerência
Demasiada ambição
Cai na degenerescência
Nos pilares da tua vida
Situações mal resolvidas
São no compêndio da lida
Bálsamo que cura as feridas
Lições de alto valor
No curso de nossas vidas
- Vê que até Nosso Senhor
Teve incertezas sofridas !
Porangaba, 11/06/2011
Armando A. C. Garcia
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Oh! Ilusão
Oh! Ilusão...
Ilusão, tu que povoas
Tu, que povoas as mentes
Com milhões de coisas boas
Mas nada dás, ao que as sente
Ilusão... Oh! Ilusão...
Porque não ficas ausente
Lanças esperanças em vão
No imo de toda a gente !
Tua perfídia é tenaz
Nos desenganos da vida
A ilusão consentida
É da mesma dependente
Impassível ao nosso fado
Na onda tu, nos embalas
Sem limites ao bem sonhado
Na aspiração nos igualas
Nossa avidez imoderada
Cobiça de pretender
A utilidade não alcançada
Nos contornos do viver
Desejos mil, aspirações
Na realidade impossíveis
Tu, dás-nos nas ilusões
As cismas de todos níveis
Dás-nos ouro, pedrarias
Afeto, amor e carinho
Indústrias e pradarias
Largas visões do caminho
Ilusão... Oh! Ilusão...
Tu, que povoa a mente
Lanças esperanças em vão
No imo de tanta a gente !
São Paulo, 31/08/2011
Armando A. C. Garcia
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A Neve
A Neve
Oh! Que saudade me traz
Ver a neve branca e pura
Ver os telhados das casas
Cobertos daquela alvura
De manhã abrir a vidraça
Ver tudo da cor do linho
Logo cedo se alguém passa
Deixas as marcas no caminho
Bailam os flocos no ar
Caindo devagarzinho
São pétalas a alcatifar
As veredas e os caminhos
Vê-la cair lentamente
Com flocos em remoinho
Ela cai tão sutilmente
Que toca o chão de mansinho
É uma dádiva dos céus
Alcatifando a terra
Um colírio aos olhos meus
É uma benção na serra
Parece um manto de leite
Cobrindo a terra devassa
Sua beleza é um deleite.
Já a chaminé esfumaça !
São Paulo, 19/02/2010
Armando A. C. Garcia
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Leis, princípios e conceitos
Leis, princípios e conceitos
Já que leis, princípios e conceitos
Dependem de frios e duros exames
E sem pronta e imediata atuação
Deixam à deriva o justo cidadão
Os fóruns, sem prazo determinado
Para o eficaz veredicto final
Em prol da justiça, do direito
Não prestam um serviço perfeito
Semeando uma cultura retrógada
O processo, arrasta-se anos sem fim
Sem fundamento adequado a tal
A espera duma sentença legal
Às vezes, é tarde quando ela chega
O autor, já pereceu na caminhada
Prazos... só para o pobre advogado
Se os não cumprir, logo é alijado
Porque não os exigir dos julgadores
Que entravam a área judicial
Em prejuízo daquele que se socorre
Em busca do remédio... e ali morre
Eles percebem alta remuneração
Deveria ser condizente seu labor
Com empenho eficaz, transparente
Afinal a conta é nossa, minha gente
Que dizer de uma pronta atuação
Com prazo determinado em cada caso
Quem os extrapolasse, sofreria o dano
Do mero juiz singular, ao decano !
Porangaba, 26/02/2012
Armando A. C. Garcia
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