asliddell

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traíra da matrix. morrer é passear.

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Monólogo da interrupção

Estava para desdobrar
quando uma voz me instigou ao susto,
mais um pensamento sólido afundava
a prateleira da minha noção.
Tanto sei e pouco fiz,
ainda não amei por amar,
me apoiando nas missões atemporais
dessa minha vida,
acenando para cada motorista que buzinar,
mas negando os seus convites.
Nasci engatilhado de rebeldia,
segurando um terço:
pai nosso que está no céu, maldição!
Eu não vejo Deus, e com ver,
quero dizer sentir;
o que me segura ao corpo
é um forte fio de prata 
que ri e bebe por mim.
Mais um pensamento joga terra
na cova do meu finado silêncio:
o que sentir depois da liberdade de partir?
Soltei as mãos e muito parece
que abandonei junto meus dedos.
Agora o corpo esmorece
no esquecimento sonífero
até esquecer como respirar.
"Logo amanhece!", me grita a janela.
Estou feliz, mas não estou em paz.
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Poemas

48

Caduceus

Corpo amálgamo em aliteração,
do ultraemotivo e a precognição,
o alcaeste é solvente universal,
salve meu decantado coração.
Chordata arterial e caduceus.

Fundidos no crisol,
da teurgia à dissolução,
do vinho, transforma amor,
transvia mônada em grãos.
Estou vivo e sou, respiro e vou,
para além desse Aeon.
321

Casa de areia

Freud nos chamou pela casa que somos,
minhas paredes deixam cair os rebocos,
mais uma vez a casa da areia
perde para a casa de tijolos, a briga é contra o vizinho ou contra o vento?
Este corpo mal me guarda,
tão imenso que esfrangalho,
tanta treva que a arcada amarela brilha
na boca aberta de espanto,
desespero de estar novamente, desmoronando.
Seria a luz do inconsciente, aquele sorriso que ri constrangido?
Conscientemente padecendo,
pois os vizinhos a nada se obrigam
e como nenhuma outra novidade, cai prematuro,
novamente solitário, mais uma vez sozinho.
479

Obituário de Jonathan Briley

A liberdade é uma coisa difícil de comprar, requer um preço alto que não é pago com poeira, palavras ou promessas vazias, a liberdade é comprada com o Eu dos ossos, da carne, do espírito e uma vez que você entendeu, você aprende a gostar, nós temos que nos libertar, ou morrer tentando.
211

Castidade e amargura

Verto valor a troco do ouro,
pois de nada serviu o amor,
que distante do teu apalpe,
ao celibato me apregoou.
És antônimo de saudade,
meu reverso da verdade
e no berço do teu escuro,
solto a mão da claridade.
Esfaqueio o teu espectro
na babilônia da realidade,
falou-me o que não queria,
isento da minha maldade
por aqueles que dado dia
me afogaram à iniquidade.
Puro sangue desgraçado
das plêiades sorgiñak,
respeite meu peito sofrido,
respeite a minha coragem,
cada passo é dolorido,
cada erro é a castidade,
casto rente ao teu sorriso:
motriz da minha calamidade.
467

Desabafo do escritor fadado à mudança

Todos os dias, uma rotina invisível permeia minha cabeça e me faz mudar, em toda essa inconstância. Quando saio, é como se eu me deixasse em casa e alguém parecido comigo fizesse a festa lá fora.
Uma pele amortecida na queda dos sentimentos, os mesmos que desabam todas as noites quando chego em casa e me reencontro da mesma forma que saí, diferente. O caminho pra casa é solitário, preciso fazer isso sozinhe, até porque, eu conheço bem o meu caminho.
334

Catarse

Pandora deu-me o caos para a catarse que matou de Sige, o seu silêncio,
engavetando cadáveres na infinidade da caixa preta dos desenganos,
foi numa dessas gavetas, que esqueci
a sensibilidade ultraromântica de dois semânticos: o Eu falou Te para o Amo
e toda a divina comédia gargalhou,
a água inundou melhor nos sonhos.
Me doeu como dói um parto, deixar em teus braços, a luz do sentimento frágil
que é aprender a desaprender
da maneira que aprendi a te amar.
Lhe tornei para mim, o carcereiro dos meus monstros, mas para ti,
fui o abominável cerberus que na cela do próprio inferno, quis lhe aprisionar.
Prefiro-te livre como o pássaro cósmico, que tem o espaço-tempo para voar.
487

Eterna confissão

Quão vulneráveis nos permitiríamos estar
se soubéssemos que o adeus viria breve?
Quanto amor daríamos ao adeus,
se soubéssemos que ele o seria?
Deixo a história esquecer meu nome, para manter vivos meus costumes.
O anonimato será minha legação?
Quando odiar, odeie em vida, para que teu furor não interrompa teu descanso
e o mesmo sentimento sistematiza o amor, defuntos insatisfeitos sofrem
na eternidade do próprio saudosismo.
O dialeto de quem fenece o corpo soa diferente aos ouvidos de quem resta
e estes, libam suas memórias em taças
afogadas em saudades alcoólicas,
pela falta de ouvir a voz amorosa dos faltosos que não fizeram da vida,
uma eterna confissão.
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Suspiro-dos-jardins

Cronos interferiu minha
compreensão do teu fenômeno,
William James mentiu para mim,
nossa síntese não há fim.
A priori da aparência,
dispensei de perceber,
pois de uma eternidade a outra,
meu ego engendrara você.
Processo senil me doía o peito,
por amor à vida, deixo o viver.
Estava aqui, a coisa-de-si
que Immanuel queria entender.
De eternidade a eternidade,
nada existe fora de mim,
salvo a minha vontade,
que contra a razão,
insiste em lhe ver.
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Comentários (1)

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Thaís Fontenele

Belíssimas poesias, parabéns pelas obras!