No transverso do caminho
nessa estrada imensa
que o tempo não esconda
outras humanidades
que o universo tanja
e nesse vendaval
solto pelo espaço
o homem esteja construído
no imenso abraço
navegar inteiro
o barco dos sentidos
faróis que a matéria inventa
para estar sempre consigo
Da energia vivente
é que nos arroubos da energia
jogados no peito dos viventes
de-se o conluio da matéria
com o tanto de si adredemente
como se fora uma usina
de fabricar assim no tempo
os espaços declarados na oficina
construída no vão do pensamento
e possa desgarrar-se do infinito
como medida ainda que restrita
e derramar-se a pulso pela vida
como vivência sempre consentida
Dos alinhavos da esperança
a esperança
é um discurso
que a certeza borda
no ventre do futuro
é vontade alinhavada
nos atos em que caiba
passo adredemente virtual
da caminhada
é assim como um sonho
derramado na vida
pelas doses do tanto
que os braços consigam
Saudosa saga
a saudade
telegráfica
voa a vontade
pela alma
dá-se ao tempo
em cada espaço
como revoada urgente
de seus pássaros
tudo de sua fala
são os rios que deságua
no vinco dos olhos
nas brechas da alma
Tempo em traços
o tempo
é só um descuido
que o espaço dá
para o futuro
ao invés
é quase fardo
dos pesos de si
soltos no passado
largo de tanto
pulsando o presente
é resumo de tudo
das horas que se sente
Do povo em construção
sem eira, nem beira
o povo esteja
nos telhados de si
em que se veja
construindo sua fala
abraçado à natureza
seja moradia
dos tantos da vontade
de inventar-se na luta
irmão da liberdade
que o povo seja o futuro
de todos em que caiba
Mergulho vital
o raso da vida
é pouco mergulho
nesse nadar constante
as veias do futuro
rusgas do tempo
no trânsito fático
rebeliões urgentes
de quem se constata
as funduras tantas da vida
são as razões de quem as nada
Dos cursos
a materia
da-se ao abuso
de aparentar-se errônea
nos seus cursos
tudo que trafega
em seu discurso
são as arestas exatas
da compleição do futuro
não assim à toa
quiz-se consciência
como invólucro humano
em que se tenha
Da verdade reptícia
a verdade
é reptícia
tudo que lhe falta
o futuro divisa
como se fora um prazo
para da-la à vista
parcelas do custo
da matéria em contradita
nessa dialética espalhada
nos contornos da vida
Das vazantes do tempo
meus rios
são o espaço
onde trafego incauto
todos os meus barcos
os que navegam léguas
nos remos dos braços
os que trafegam futuros
nos tempos que abraço
uns tantos sozinho
nos coletivos que traço
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.