a chuva, como uma lágrima recorrente, inventa o jeito camponês de construir-se semente
o homem, nos meandros de si, plantando a vida, engole os temporais em que tramita
chuva e homem, enlaçados adredemente, inventam todos os roçados de todos os viventes
nada como plantar-se em chuvas na contramão das correntes
350
Do Negro Almirante em mar aberto
negro, o almirante inventa todos os mares que convenham
o horizonte é só a energia que pulsa no caráter de quem monta a vida
João Cândido assim revolto é só o melhor abraço das carnes do povo
345
Os pendores autistas do universo
o universo opera em si o costume de ser sujeito de todos os meandros da energia e seus efeitos
fluindo assim em atos explodido e contrito deixa-se ficar criança brincando de infinitos
e flui já no cérebro como um astronauta que suspendesse o gesto de deixar-se em órbita
362
A compleição da ordem e das coisas
a ordem é só um resumo das escaramuças da crise nas costas do mundo
mantê-la aparente como completa engaveta o futuro em sua gesta
é que a ordem é sempre um transe que o tempo nos empresta
296
futuros em energéticos transes
a matéria veste a vida como energia tanta, desmedida
tudo é espaço montado no tempo e habita as relaçōes como um invento
descobrir seu futuro é nosso pensamento
268
Rasos da vida em flutuante demanda
nos rasos de mim mergulho o mundo como se fora onda das águas de tudo
e cato-me vivente nos naufrágios da vida habitante de jangadas alegremente construídas
basta-me lançar as âncoras em aventuras coletivas
342
Dos todos de mim em larga cena
tudo de mim são todos espalhados em atos como desculpa única dos limites dos braços
a inexatidão do gesto em que me desabraço é quase uma rebelião ao coletivo trato
há que se ser multidão em todos os espaços
337
Da lua como tempo em mostras
em céu desatado, atravessada, a lua é uma régua que o tempo prolata
é como um discurso decodificado das regras a que se impōe nos ombros dos seus traços
a lua é só um tempo que se esqueceu no espaço
316
das humanas buscas em canalhas terras
o lixo engole a fome como um resto de gente do homem a mão amanha podre a carcaça dos lucros de quem pode e a lógica pulsa exata a desumanidade dos canalhas
o caminhão do lixo é uma nau inconformada o peso em suas costas é de humanos e de faltas
312
da fome em escaninho avaro
a fome rasura a gesta humana e a insana burla de enraizar lucros nos decúbitos capitais das culpas
faminto o ser nem sente a parcimônia que lhe pretendem
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.