Das larguras do tempo
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
transeunte de mim
lavro o passado
roçados íntimos
da saudade
dos passos tidos
ruminados à deriva
consumo o tempo
laivos da vida
a saudade
pousa a desoras
garça inconsumível
da memória
voos tantos da vida
nas asas das horas
o poema
não é objeto
sujeito de si
ejacula o poeta
todo seu tesão
é ter-se manifesto
nessa íntima relação
de homem e verbo
o poema gesta o poeta
nessa incontinência
de prestar-se ao coito
no vão da consciência
o poeta, subjugado,
no matrimônio da fala,
é só amante da palavra
que o poema
este grávido
de todos os verbos
que apalavre
os que sejam liras
os que sejam arma
lúdico e lírico
de-se a compostura
de forjar-se comício
quando a luta
o poema
prescinde de normas
o verbo gestante
tem-se de parto e porta
o clangor de seus recados
iíntimo conluio
autua o poeta e o verbo
no ventre do discurso
o genocídio
estrangeiro protocolo
esgana Gaza
a vida e a lógica
podre
em sua notícia
regurgita no mundo
a sanha sionista
a história
humana guerrilheira
arruma no tempo
suas bandeiras
as que tremulam a vida
as que sujam suas teias
o poema em Gaza
da-se arma e gana
o eu lírico engasga
em todas as Palestinas
que se tem na alma
a vontade dos olhos
engole a paisagem
salpica a razão
de todas as saudades
o homem
num tempo arquitetado
pinta de presente
todo seu passado
convencendo o futuro
discursando imagens
a vida
guerrilheira insana
apaga com os olhos
qualquer chama
o frevo
assim descambado
pelas ladeiras da alma
esquece o tempo
na vista do homem
inventando madrugadas
raiando dias nas noites
inventando nas passadas
os infinitos que as pernas
derramam pelas calçadas
é como se o mundo vivesse
os sonhos que montasse
Olinda inteira discursa
os bemóis de sua fala
o samba
riscando a avenida
dança no asfalto
as Áfricas da vida
negra luz
imensa chama
laço infinito
da gesta humana
o samba
em seus bemóis
conta uma razão
independente da fala
tudo escancara nos tambores
a viga dançarina da alma
de Cuba
diga-se tanta
esse jeito intrínseco
de ser humana
construída guerrilheira
de Fidel, Ernesto e povo
Sierra Maestra dos tantos
das ladeiras do novo
Cuba é a exata razão
humana escultura
do mundo militante
construído na luta
a história engravida de si
em cada grito que pulsa
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.
Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.
Abração !
Honrado
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.