das guerras internas
a paz interior
é coisa recorrente
da guerra adormecer
dentro da gente
humano
o embate acontece
nas vontades baldias
do que se esquece
o armistício vige inteiro
nas públicas batalhas
introjetadas no peito
Nordestina senda
a caatinga
deitada no tempo
abraça o espaço
de repente
coisa de ser vasta
no peito dos viventes
estratégia sinuosa
dos rumos que estende
a caatinga é bandeira
dos cactos que consente
Lavratura temporal dos dias
hoje
a palavra
dos ontens
que declara
amanhã
aguarda
tempo presumido
na fala
o tempo é abrigo
dos futuros que lavra
os consentidos na luta
os construídos na alma
Da facção humana em curso
minha facção é ser humano
e dedilhar a vida
no acorde dos anos
habitar a luta
nos ombros dos fatos
e permitir-me coletivo
na unidade dos atos
minha facção
em todo curso
é a quadrilha do povo
construindo o futuro
Indígena alusão noturna
o rio, deitado no tempo,
corre preguiçoso suas águas
o pássaro, noturno,
discursando suas asas
entoa bemóis
nos ouvidos da mata
e o índio dormindo
constrói o rio, a vida e a tribo
como se fossem sonhos
embrulhados no infinito
Dos cravos em diante
os cravos
povoarão as faces
bordarão estrelas
em seu alarde
Cunhal
Ãlvaro de tanto
ainda habitará atento
esse grave canto
Lisboa, amanhecida,
inventará novos mares
de todos os Tejos da vida
Do passado vindouro
resumo
tudo do tempo
é futuro
o passado
a longo uso
é só uma saudade
posta no discurso
pende-la para o mundo
é coisa de usa-la
em vindouro curso
panfleto semibeligerante dos passos
serão os gritos
no andar das ruas
o despertar intenso
do vão da luta
punhos mexerão os céus
nos desenhos da tarde
escrevendo na história
os contornos da vontade
está só aberta a manhã
da construção coletiva
longo tempo jogado
na construção da vida
Marítima fome do tempo
o céu
inaugura a madrugada
com laivos da noite
nas nuvens guardada
o mar, desajeitado,
em ondas lambe a praia
abraçando a manhã
em busca da tarde
o homem
anoitecido na fome
invoca outro tempo
nas areias do sono
Da pedra em enfoque corrente
a pedra é quando tanto
o tempo medra e quanto
gaveta da eternidade
da genérica substância
a pedra é um prefácio
lançado pelas encostas
nas eternidades que guarda
das andanças da história
a pedra é quase um abraço
da energia preguiçosa das horas
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.