Poema de circunstância I
a flor nem sentia os ataques dos olhos de quem a via e deu-se a dormir embevecida sonhando borboletas nos pólens da vida e o beija-flor recatado voava o desejo de beija-la
Da fome em declarada substância
nos desvãos do homem a fome ausculta as bandeiras do desejo e as vontades da culpa a lembrança do pão traspassa o universo como um sonho quântico em claro manifesto a fome é um desacato às veleidades do cérebro o sistema apenas mata as humanidades que encerra
jornada humana em fila recorrente
meus filhos tem a compleição exata de todos os infinitos em que me instalam trazem de mim na jornada humana todos os antepassados a que se irmanam como é bom ser corrente das cachoeiras que se ama
Poema em represada nascente
meu poema nem se importa com os verbos que derrama pela ventania é que palavras assim que percebidas são só memórias represadas dos diques da vida abrir comportas no tempo é o espaço a que se obriga
Mares em barcos de homens postos
o navio debruçado no horizonte escrevia no espaço as idéias do longe na praia como num quadro negro o homem escrevia sonhos nos ombros do seu medo e o mar nem cogitava ondas que desfizesse o enredo é que dar-se a barcos e homens são gestos dos seus prazeres
Tristeza em vagar de alegre gesta
a tristeza vaga no tempo quando a vida descompleta e assim como uma fração no inteiro em que se meça naufraga no peito da gente os risos que sonega a tristeza é só um lapso dos risos que se carregue
Do samba como porteiro da vida
o samba nem pressente os compassos da vida que planta na gente a voz do tambor debruça nas notas e abre em grande cena todas as nossas portas aquelas que vem da música e as que gritam revoltas
Do acaso e suas complacências
o acaso é só um jeito do fato derramar-se pelo sujeito a vida, nem sempre, transcorre em si como repente viver é um acaso gerido adredemente
De quem viver verá e etc
haverá o povo e a insistência da vontade de trafegar a vida nos ombros da liberdade haverá o jovem e o velho embutidos no tempo e irmanados nas horas da igualdade intensa haverá o homem e a mulher nas confluências do ser e a permanência exata em tudo que se viver haverá o futuro só como medida de prolongar as léguas dos encantos da vida
Do futuro como fato dizente
o futuro não é só um tempo é o fato desenrolado desde a luta do presente. Assim moído, nas esperanças, deixa-se pensar como lembrança o futuro é um tempo que às vezes cansa
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.