após o big-bang minha logística é a notícia de que me invento farto em todas as vidas as que venham de mim e as que me forem impingidas
a entrega de tudo é a incerteza prometida
638
Algorítmicas razōes de ser
a matéria nem cogita de ser apenas massa simplesmente resumida
antes, complexa e algorítmica, por todas as facetas, deixe-se plena, infinita
a matéria, como nós, é uma lógica infinda
657
Saudade em balanças e fugas
o peso da saudade tem um quilo diferente é assim um abismo que pesa transparente e inventa todos os saltos das lembranças que sente
e entorta o pensamento nesse pesar tão constante como se a memória piscasse como um fugaz horizonte
628
A veloz ficção das esperanças
lépida a moto avança o homem e sua esperança coração e motor claudicam rastros da fome em que transitam
o menino da moto em seu desatado exercício é só uma farsa de cifrōes fictícios
581
Fêmeas condiçōes do horizonte
a burca no desvão da vida grava a mulher como tecida
paranja dá-lhe o rompante de esconder fêmeas e horizontes
chadri cumpre a noção de esconder avara a emoção
chadri, paranja ou burca resta, tão mulher, a luta.
602
Infantis mediçōes das largas vidas
o olhar do menino carregava o infinito debruçado na largura da vastidão do seu riso
e a vida transitava como um caminho profundo alinhavando os futuros nas costas graves do mundo.
666
Vertentes do povo em manifesta multidão
meu bloco é o povo quando o coração informa lutar é a única estrada nos lombos da história
anda-la pela vida nos rumos que se invente é trazê-la consumida coletiva e fartamente nesses mares que o tempo derrama dentro da gente
554
Bandeiras da vida em hasteamento inato
o estandarte da vida é uma bandeira escancarada que drapeja pelas ruas os alvoroços da alma
e quando arreada nos desvãos da consciência invente-se qualquer mastro que denuncie a ausência
os outros são estandartes que tremulam nossa presença
594
Do frevo como alvoroço
o frevo assim cantado é uma rua sem fim de todos os caminhos que terminam em mim é um riso desatado nos bemóis em que debruça é um tempo cheio de paz nos ombros de uma luta que leva o passo da vida nos compassos que executa é uma noite amanhecida nos quatro cantos do mundo são todas as complacências das vontades de tudo
Olinda assim escanchada nos ombros do seu povo é um abraço envelhecido no alvoroço do novo
583
Das desavenças do verso em limites
o universo diz que se expande e nem demonstra dizer para onde
e o verso limitado no colo do seu rito discute a parcimônia e a estranha avareza do infinito
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.