como moderno o aparelho móvel é o tamanho exato do homem e seu interno o verbo que transmite é claro e desconexo nada do que ele é está interno antes se transmite alheio a seu ego nos programas em que a telefônica lhe externa
avançado o homem vira acessório do nada cada celular é um trânsito infecundo das palavras perdidas pelo mundo
cai-lhe a vida em programas que tecem um sonho e estabelecem o drama: o homem é sempre menor que aquele que o chama a iniciativa da chamada é o aval da dominância
apenso ao aparelho o homem alinha passos que nem são seus pelos caminhos falta-lhe pensar uma razão por que caminha guardada a desproporção da inumana companhia
de resto pela cidade o homem acompanha a solidão em direção a nada
133
Menção a Frederika
assim como Frederika cerzida ao coração holandes Filipéia quase se estanca com seu destino de rês
nem porque Frederika se ousasse menos urbana mas que se quisesse alegre no exercício do drama
porque galões encestados no seu ombro mais rural l he ditassem um ritmo lento qual vento em canavial
e Filipéia quer-se rápida na sua viagem sagaz que empreende como bolandeira nos engenhos do nunca mais.
pois mesmo sendo cidades em contrafortes definidos Filipéia nunca é Frederika apesar de todos os indícios
assim partida Filipéia em Frederika amordaçada nunca que uma palavra pesasse mais que um fardo
já quase Filipéia ainda tão Frederika o tempo lhe dita ordens como chefe de polícia
revolvida sua terra por pés tão passageiros onde os índios que amanhavam seu jeito de verdadeira?
é que lhes sobram os suores dos homens que lhes atiçam construindo uma história envoltos em seus ofícios
142
memória
A memória não preside apenas auxilia as dores que não tive é que vivê-la pode ser um jeito de trazer o fato pra dentro do peito e tê-la como assente no cartório da vida coisa de ser quase falsa mesmo objetiva pois tange a franja da alma como uma tristeza que apenas deixou de ser alegre por desnatureza.
A memória não existe é apenas um navio que teima em trafegar no fato dos mares que nem vivo. É que em suas ondas não navegam propriamente antes inventam águas em que nem se está presente.
A memória é um cabide em que toda a paciência está em riste cabe apenas trazê-la muito amiúde e consumi-la adredemente naquilo tudo que eu pude.
A memória não se anuncia antes é propaganda do que não vigia e esse seu jeito de fato é apenas alegoria que as sinapses jogam pelo vão dos dias.
A memória é sempre intacta basta não tê-la como matemática é preciso cabê-la sempre avulsa e em números em que se caiba.
A memória é uma gestão pacata nada lhe gerencia mais que a alma porque é de tê-la própria assim aos borbotões que se distingue quando em paz que se atinge quando não é maneira de viver morrendo inventando vivas as razões.
A memória enfim é quase um não que nem chega a ser exata quando próxima da razão.
62
Memorando da consolação
eu boiei no teu corpo como uma fragata constrangida e habitei várias guerras perdido no rumo com que lidas
eu me tangi na noite com a descompostura dos prazeres e nunca me tive como tanto tiveste de mim nos teus haveres
e me amanheci noturno sob as pálpebras do mundo por tão apenas te sentir sem fim e eu, concluso, tão sem prumo
eu mergulhei no dia como um peixe descabido naufragado impunemente nas desfaçatez dos teus sentidos
e me rememorei em ti em cada franja das calçadas e tão sem peito, o coração em punho discursando o verbo em toneladas
e rascunhei poemas em cada ruga da estrada perdidas as rebeliões no leito avulso das palavras
e quase sem fôlego tropecei nos advérbios que teimas em derramar assim na esteira cadente do meu cérebro
135
memento
Nem mais uma excelência entre no paraíso sem antes que provar se tenha que haja combatido
nem mais uma excelência entre no paraíso sem antes que provar se tenha que exerça os sentidos
nem mais uma excelência se preste ao exercício de fabricar da pele alheia as premissas do seu riso
e que assim seja pela noite resumida por todos os dias que o povo perca do vão de suas vidas.
108
madrugada a tempo solto
os galos noticiam o dia com a postura indefinida de jornalistas da rotina
e construindo as horas no fundo dessa América Latina eu ouço o jornalismo inato das aves de minha pátria.
85
itinerário avante
ao riso dê-se a fala de quem habita inteiro sua alma
ao povo dê-se a palavra de quem cogita todas as praças
ao mundo dê-se a vontade de habitar impune a liberdade
154
Inversão
inverto. sou aquilo que nem me conheço.
invento. sou o contrário do meu medo.
intento. ouso amar-me como invento.
58
Interlóquio matinal
súbita a manhã nem é tanta que me cubra o peito de esperança
súbita a manhã nem é humana que esconda o ranger de dentes e a inconstância
sórdida a manhã nem se levanta no estandarte do peito de quem desama
sólida a manhã se inflama se se constrói a razão por que se ama
115
Insinuações impatrióticas e alguns senões
frequentemente desalinhavo o destino nas manhãs e destravo a vida tão impunemente que o futuro é como se fora um edredon por onde cabem todos os viventes. e nesses alinhavos desvencilho- me da nação em desalinho o universo sempre é a pátria de todos os meus caminhos.
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.