a saudade do futuro desmonta o presente como se o tempo vivesse no passado da gente
e o passado futuro montado nos neurônios sonha com outros tempos com o presente nos ombros
448
Paisagem nordestina em trânsito
e dos ombros de Pernambuco assim deitado no vento o infinito dá um jeito de abraçar-se com o tempo
92
Do poema em navegante razão
o poema delata os debruns da vida em passeata funda mandíbula de palavras engalana verbos e os desata
e nessa lírica procissão em que desaba é quase um enfeite da razão um aconchego de palavras
78
Acróstico a Mandela
Mais que a vida A luta se levanta Nos ombros Da esperança E a cada passo Lembra no povo A possibilidade humana
117
Do avarandado das culpas e seus melindres
na varanda das culpas resta o veredito de que o fato resiste a qualquer artifício e de não ser ato mas interna condolência a culpa apenas medra num desvão da consciência em que mesmo objeto o sujeito desdiz sua presença
nenhuma culpa se presta a consertar por si a existência
368
Das estadias em mim e tantos
vivo e transgrido como bólide o instituído pela razão exata de lutar comigo nada do que fosse tanto é proibido quando se declara pertinaz e coletivo
o plural é só um tanto de estar comigo
156
Das temporais mutações da vontade
e quando faltarem as manhãs saberemos anoitecê-las e as traremos escuras nos braços do povo nada do que seja o tempo saberá dizê-las menos matinais e francas que a vontade de tê-las construídas assim à muque nas avenidas em que sejam
66
Em dialética junção das vias
a dicotomia é só um disfarce dos milhares de gestos em que se nasce trazê-los expostos em cada riso é um pranto exato e diverso grito
nada é tudo tão tenazmente que a gente, às vezes, esquece de ser perene.
95
Das nuances históricas dos usos
das ruas nuas do povo resvalarão angústias e uma urgência do novo vielas dar-se-ão avenidas estendidas em escombros nos ombros da vida
das ruas grávidas do povo rebentarão placentas e a luta entornará futuros como se fora uma usina no paciente desmoronar de todos os muros.
133
Dos Andes de mim e adjacências
os Andes que trago em mim nas veias e nas vias ressoam pelas matas destravam avenidas nesse pulsar intenso das mortes e das vidas
das montanhas de mim que escalo adredemente nos aconcáguas que trago nas encostas da mente de onde desaguo latino na exata cachoeira desses rios em que subverto as razões de todos meus desafios
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.