a mulher era uma rosa escancarada tudo que não era dia estava
pela calçada a bolsa girava como gira a vida e nada
o tempo só vestia a lua para espantar as urgências da rua o verbo era só acinte dos que habitam a vida como síndicos dos condomínios frugais do urbano labirinto e sonolenta e faminta assim escancarada a mulher era apenas um anúncio da madrugada
151
urgências energéticas e vazante humana
era uma manhã inteira nada do que era noite havia do vão da luz o homem percebia uma estranha urgência de energia e como não soubesse da agonia Oxalá inventou-se da alegria
era uma manhã inteira o sol dizia o verbo inconsútil que em nós vigia.
99
Da flor em quadrante
é que nos ombros da flor por tras do seu colorido navegam os sentimentos na jangada dos sentidos é como um feitiço do olho que teima em ser abrigo das tempestades da cor explodindo seus sorrisos como se à vida não bastasse sua condição de ser riso quando a natureza gargalha a aventura de ser vista.
62
Do poema em contraste
meu poema tem manias tudo que lhe tenha fato deixa-se via estrada de melhor conter o que dizia.
palavras são só contratos sons de retratar os atos pelas faces do dia como se o verso engravidasse as estradas que eu achasse abertas dentro da vida
e pusesse as palavras nos ombros da ventania assim como um recado da minha intensa alegria.
104
Da judiciária vazão da luta
Nos autos do mundo lavre-se o despacho: que seja lançado o povo às vias correntes do fato.
Nos autos do mundo crave-se a sentença e sejam deferidas à pulso suas conveniências.
E que assim feito em praça nos desvãos do seu invento impetre ávido na luta as curvas da consciência
94
Das infinitas messes em jogral
era um tempo de nem onde era um campo de nem quando
sopro, entretanto, de quanto íntimo fosse nesga de unicidade que infinita messe
repente água e movimento uno salta a contração dos calmos absurdos a matéria esgota o tempo e lança o espaço no futuro.
142
Da prática em vínculos tácitos
a prática divide a suficiência do fato e a humana crise
a prática, como que avisa, tudo que é verdade é matéria prima
e lúdica no desdizer da vida a prática ensina a luta em suas oficinas
90
Versos em deslavada assintonia temporal
molho meu poema de suor e vontade como transeunte verbal da liberdade
livre, concluo por sobre os muros as insuficiências de mim nas nervuras do futuro
e o verso, líquido, posto em drama, isenta todos os presentes dos passados que declama
132
Das palavras do povo em sintaxe exata
uso a palavra guardada em cachos assim como em árvores de uma extensa mata
o verbo me semeia numa ilusão exata de que homens cavalgam os rumos das palavras
e exatamente público engulo as gramáticas que meu povo planta pelas praças
76
da wiphala em grávida fala
a wiphala assim tangida é índio e alma de povo da pátria grande e das pátrias do novo
estandarte não se presta à lida de enrolar-se em mastros mas nos braços da vida
a wiphala é um discurso adredemente colorido que se deita pelos Andes inventando avenidas
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.