sósia de mim me desconheço nos outros tantos eus em que me teço
é que viver é só um jeito de trazer multidões dentro do peito
165
Pequena digressão acerca do dia
que aquilo que alinhavo pela vida na extensão inteira do seu curso possa dizer exatamente tanto quanto de verbo tenha meu discurso
pois por te-la assim sob medida em todos os seus vãos desenfreada admita a hipótese de morrê-la com a certeza de todas as estradas
é que o fato de te-la assim disposta é um terçar de armas diuturno em que o braço quase sempre tenta atravessar o vão do seu discurso
e a meta de vivê-la fartamente nos contornos mais simples da vontade é quase um exercício dos abraços nas avenidas do país que se abrace
e assim caminhe verbo e vida pelas estradas grávidas do povo construindo o futuro que vigia a plenitude de tudo que é novo.
108
pequena dialética
nada do que é pronto me convoca se não trago o caminho como resposta
é que caminhar é todo o encontro de dizer construído o que escondo
nada do que é a vida nasce pronto andar é sempre o sentido de todo meu encontro.
74
da negritude em áfrica vertente
as áfricas que trazes em ti são intifadas negras razões de tua fala verbo itinerante de batalhas que ainda trovejam nos ombros das palavras.
as áfricas que exercitas nos desvãos da tua carne são os músculos atentos de quem se arma com a certeza da vida e a exata compreensão das insuficiências da tarde
as áfricas que habitas na noite de tua face é a bandeira que inaugura a humana eficácia e a certeza irrestrita da vitória que montaste
136
pequena consciência
primeiro era tanto de se dizer que possa um animal inconseqüente transcender a norma de parecer-se singular como eventual resposta
primeiro era tanto de se dizer monera vínculo de tudo que a vida era sobra de outro tanto indizível primavera
primeiro era tanto de se dizer latência do fluídico fato da consciência embora ainda indisposto às razões da desavença
primeiro era tanto de se dizer inteira mesmo denominador de frações urgentes que menos lhe queriam como só número de qualidades tão presentes
primeiro era tanto de parodiar-se outra como substância imanente e de feição avara que teima em ser de um mesmo quando vária primeiro era tanto de se dizer de tudo que nada fosse verbo quando não fosse o mundo subtraído das entranhas dos planos e dos tudos
primeiro era tanto de se dizer adaga alçada à palma da mão com a mesma lavra com que a boca diz um beijo sem dizer qualquer palavra
primeira era tanto de não se parecer verbo que funcionasse como química de tudo que é eterno e que apenas se joga no mundo com a suposta imanência do ego
primeiro era tanto de não conter variedade mas que permanecesse inconsútil nessa singularidade que trava os desvãos do homem num vão que nem lhe cabe
e dito assim presente nas quadras de tal matéria fez-se o homem subjacente a tudo que não lhe dera o feitio mais urgente da mais ingente primavera
era-lhe o siso mais assente a um equilíbrio inverso que quanto menos lhe sabia mais fluía seu interno nas coisas que não vivia e que na vida eram verbo
era-lhe o amor mais ausente tanto mais se considere que o sentimento é uma ponte de prumo urgente e adrede que se joga sobre o rio de tudo que se percebe e que não se tem a custo de químicas mais trabalhadas que devam ser construídas num singular em que não caiba a multiplicidade urgente de todas as nossas almas
amor que não seja tanto que destempere a medida de confluir nossos risos no sentido da vida que se abre em todo peito em cada veia, em muitas vias mas que seja controlado na medida do infinito que cabe quase sem jeito nas bordas do nosso umbigo e que teimamos em mantê-lo do tamanho apenas dos sentidos
primeiro seja o homem de tudo e tanto assemelhado a tudo que não seja único mas que também não seja vário por pertencer a uma noção que se mantém incendiária de que o homem é bandeira de tremulação planetária que sabe a revolução no seu íntimo mais preciso como os cheiros de sua infância que lhe sobram nos sorrisos
e tanto assim finalmente se diga o homem construído com a mesma urdidura com que vigem os edifícios nos andaimes todos da gente na precisão dos ofícios que antes de se dizer ave de indizível equilíbrio seja um bólide que inverta os rumos de seus sentidos
71
pequena concisão da vida
a vez que nascer é quase tanto que morrer
e desde viver que não se finja de prazer
o quanto morrer da sempre luta de nascer.
195
Pequena Balada Jungiana
dentro de mim vivem todos desde sempre e tudo de novo se inventa
o que penso nunca é apenas a manhã é que por tanta ainda orienta um dia de sentidos e dilemas
dentro de mim vige a multidão como um deposito de todos meus senões e arrumá-los todos é um ofîcio imanente de quem traz a vida no meio dos dentes
dentro de mim caminham muitos passos em pés que nem adivinho como inventar outro de mim pelos caminhos?
dentro de mim todas as soluções e uma leve compreensão de que eu sou um pelo rumo de minhas mãos trançadas todas as vias traçadas as rebeliões em que eu me invento quase todos em plena revolução
140
pequena alusão ao meu País
lavro a esperança com a mesma magnitude com que a chuva cria os mares que não pude e se não me estranho é que me permito ser um impatriota com todas as nações em riste.
é muito pouco ser brasileiro quando vai pela alma o mundo inteiro.
118
Patriótica
o raciocínio não medra quando a bruta fome ensina a sofreguidão de todas as pedras que vige tão latente e intestina qual a definitiva pose como se fora definitivo o que não houve
e rói o peito da pátria a pan-nacional sentença de que cada pátria é apenas um instante da hora definitiva da humana consciência
e há de viger o coração no brasileiro drama imbuído nesse pulsar da exausta consciência que pulsa em vão todos os sentidos
124
Palavras ao georgiano Stalin com cópia para o Camarada Maia
no vão da resolução a emoção flutua e a Geórgia bóia na liquidez da rua
e é difícil saber se pela rua os perdões caminham à luz da lua
mas é preciso saber que a emoção é gasta quando consome a razão sem matemática.
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.