AurelioAquino

AurelioAquino

n. 1952 BR BR

Deixo-me estar nos verbos que consinto, os que me inventam, os que sempre sinto.

n. 1952-01-29, Parahyba

Perfil
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procura

os olhos
caçam na noite
rastros da lua
estrelas afoitas
o céu
edredom pulsante
salpica a matéria
pelo horizonte
o homem
enroscado na saudade
salpica de sonho
a paisagem
quase chega em si
mesmo tarde

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Biografia
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.

Poemas

749

Memorando da consolação

eu boiei no teu corpo

como uma fragata constrangida
e habitei várias guerras
perdido no rumo com que lidas
 
eu me tangi na noite

com a descompostura dos prazeres
e nunca me tive como tanto
tiveste de mim nos teus haveres
 
e me amanheci noturno

sob as pálpebras do mundo

por tão apenas te sentir sem fim
e eu, concluso, tão sem prumo
 
eu mergulhei no dia

como um peixe descabido
naufragado impunemente

nas desfaçatez dos teus sentidos
 
e me rememorei em ti

em cada franja das calçadas

e tão sem peito, o coração em punho
discursando o verbo em toneladas
 
e rascunhei poemas

em cada ruga da estrada
perdidas as rebeliões

no leito avulso das palavras
 
e quase sem fôlego

tropecei nos advérbios

que teimas em derramar assim

na esteira cadente do meu cérebro
137

memento

Nem mais uma excelência
entre no paraíso

sem antes que provar se tenha
que haja combatido
 
nem mais uma excelência
entre no paraíso

sem antes que provar se tenha
que exerça os sentidos
 
nem mais uma excelência
se preste ao exercício

de fabricar da pele alheia
as premissas do seu riso
 
e que assim seja

pela noite resumida

por todos os dias que o povo perca
do vão de suas vidas.
 
109

madrugada a tempo solto

os galos

noticiam o dia

com a postura indefinida
de jornalistas da rotina
 
e construindo as horas

no fundo dessa América Latina
eu ouço o jornalismo inato

das aves de minha pátria.
 
87

itinerário avante

ao riso

dê-se a fala

de quem habita inteiro
sua alma
 
ao povo

dê-se a palavra
de quem cogita
todas as praças
 
ao mundo

dê-se a vontade
de habitar impune
a liberdade
 
 
155

Inversão

inverto.

sou aquilo

que nem me conheço.
 
invento.

sou o contrário
do meu medo.
 
intento.

ouso amar-me
como invento.
60

Interlóquio matinal

súbita

a manhã nem é tanta
que me cubra o peito
de esperança
 
súbita

a manhã nem é humana

que esconda o ranger de dentes
e a inconstância
 
sórdida

a manhã nem se levanta
no estandarte do peito
de quem desama
 
sólida

a manhã se inflama
se se constrói a razão
por que se ama
 
116

Insinuações impatrióticas e alguns senões

frequentemente

desalinhavo o destino nas manhãs

e destravo a vida tão impunemente

que o futuro é como se fora um edredon
por onde cabem todos os viventes.

e nesses alinhavos

desvencilho- me da nação em desalinho
o universo sempre é a pátria

de todos os meus caminhos.
123

índios sentidos

indígena
quase me permito 
trazer a vida

no que digo
 
palavras

tão a destempo

que melhor vivê-las avulsas 
na felicidade do que penso
 
indígena
transmito
-me
com a mesma compreensão 
do que nem grito
 
humano

quero-me indígena

nú de todos os obstáculos 
do que sinto

57

Indagação II

e tudo está claro

a vida e as mãos

apenas sobrevivem

onde nunca estão

pois por mais que no corpo estejam
envoltas no tempo e nas luvas
ninguém consegue entendê-las
no espaço exato em que as usa.
94

indagação adverbial do mar

água em sono

quem te constrange
a não te dares por rio
mas um mangue?
 
rio em concordata

que compreensão terias
se te fizessem credor
de alguma alegria?
 
teu primado

em tudo rebenta

jeito de onda morena

que meu olhar

amanhecia

jogo de homem urgente
devedor da alegria

saldo de coisa que a gente
teima em dizer
da valentia
 
teu primado

dá-me a compreender os olhos
como instrumento

de te fazer serventia

como flecha

que destrava o arco

nas manhãs sem garantia
 
teu primado

está presente

em cada onda

que cometes

num desfastio freqüente
 
o mar

nem bem parece

os rios que não se cruzam
das mágoas todas da gente
 
no teu cartório de águas

nem lavras a certidão

de que te compreendem vasto
apesar de tanto não
água que nem comentas

o que de sólido urdistes
quando em meu peito dissestes
o teu jeito de triste

quase de alguidar

quase de louça

que me truncasse a razão

no vão da boca
 
meu corpo

não intenta

engenho maior

que me contenha

morte que me seja tanta
nos bordados da consciência
84

Comentários (8)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

AurelioAquino

Honrado