AurelioAquino

AurelioAquino

n. 1952 BR BR

Deixo-me estar nos verbos que consinto, os que me inventam, os que sempre sinto.

n. 1952-01-29, Parahyba

Perfil
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Das larguras do tempo

Teço a vida
como alegoria
dos futuros que intrometo
pelos dias
 
o tempo
é só detalhe
dos favores do espaço
em que se cabe
 
o presente é só uma nesga
entre o futuro e o passado
que a gente enche de tudo
nas larguras em que se cabe.
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Biografia
nascido em 1952, paraibano, autor de "Verbos de dizer nem sempre" e "Da vida em desalinho", obras premiadas em concursos.

Poemas

749

dos olhares e tanto

que se admita:

ao homem é dado o olho
e a vista

e no entanto

não se permita

que o olhar seja maior
que a coisa dita

porque em sê-lo

o olho desvirtua

o que apenas verbo
desabita a rua

é que aos olhares

não se admite

que sejam reticências

de algum alvitre

porque em tê-los luz

em compreensão exata
nada lhes retire

o aval da prática

que consolida o olho
enquanto instrumento
de medir a vazão

de todo pensamento
 
ao olho

nunca reste
a noção
 de que retrata

tão somente perscrute

o que indaga

e se pousa na língua

como verbo inflacionado

há que perdurar um tanto

na condição de projeto incalculado
 
 
ao olho

em todas as vias

resta uma feição de atalho
da alegria

porque baldio

mesmo reticente

o olho é janela

de inventar a gente
 
ao olho

em desoras
cumpre um tempo

de demoras

pois ao restar na face
como farol incauto
o olhar demonstra avessos
dentro da alma
 
ao olho contudo

é dada a serventia

de inventar-se em noites
mesmo dia.
 
eis a razão:

o olho deve sempre caber
na palma da mão.
3 255

dos meus tempos e das minhas desmedidas

A manhã

me contradita

tudo que me amanhece

é uma noite irrestrita

todas as horas do meu sono
olham um tempo

em que me amanheço

em contradita
 
a razão de ser um modo
humano em sua dita
sempre deixa meu tempo
numa cota resumida
eu sempre sou o que digo
apesar da desmedida
 
homem é sempre um tempo
de todas as medidas
121

dos métodos e divisões da alma

subversivo
sobrevivo
entre mim

e o que digo
 
nada da ordem

me desonera

de ver no horizonte
o sentido das pedras
 
subversivo

me desfaço

nas léguas do povo
em que me acho
 
e as almas que tenho
amiúde

apontam todos os nortes
do que pude.
138

dos largos e da convivência

o que às vezes
não consigo

é viver

sem todos os meus mortos
 e todos os meus vivos
 
não que o que projeto

seja assim incontrolado
mas uma tática que guardo
no mais fundo do que ardo.
 
e se há vivos mortos

e mortos desenfreados

não há como senti-los

sem a estranha defasagem

que há entre a morte viva

e a defunta vida dos que jazem.
90

dos ilimites do futuro

Eis a síntese:

tudo que acontece

finge

um lado é fato

o outro crise

o sonho é apenas a versão
do que insiste

ainda que a razão

me tenha triste.
 
sonhar é só palavra
de um verbo farto
que às vezes voa

na sola dos sapatos.
99

dos limites da certeza

a vida
 
nunca é pouca

quando o futuro nos olhos 
e a palavra na boca
 
sonhar é só um jeito 
de guardar a vida
o espaço e o tempo 
dentro do peito. 
 

140

dos ganhos e das perdas em singelo enredo

ganho 
o que perco

o que resta em mim

é apenas o que meço
tudo que não seja tanto
por ser de menos

o que prezo
 
a vida, enfim
,
é exatamente
tudo que o peito
grava na gente.
 
não há avesso
naquilo que se sente.
137

dos esconderijos recorrentes

A felicidade

é compacta
nada lhe mede
além da prática
 
se, às vezes, tarda
diz-se tão frequente
como se escondesse tudo
no meio da gente
 
a felicidade

em contradita

é apenas um jeito
que se dá na vida.
93

dos dizeres sobre a vida e outros

sobro

de tudo que me cabe

a vida é sempre maior
do que se sabe

e nem lhe resta

a contradição

de conformar-se cedo
com o que é tarde:

o tempo nem lhe cobra
os trâmites da liberdade.
94

dos dizeres em regra

Eu me explico
em tudo aquilo
que não digo

é que fazer
é quase tanto
daquilo em que vivo
91

Comentários (8)

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É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.

Boa noite meu caro poeta;;; AurelioAquino - muito lindo quando falaste sobre as memórias e as trazem sempre na alma.

Carlos Marques
Carlos Marques

Aurelio Aquino, "viver é ser todos os outros..." e quantos mais somos, mais vivemos. Nada óbvio e muito verdadeiro.

Pinto
Pinto

Abração !

AurelioAquino

Honrado