de qualquer modo a vida é sempre um jeito de construir o novo dentro do peito basta dar ao coração a liberdade e o direito
84
dos coletivos e das vertentes
a cada um sou todos desbragadamente como tão farta aja a forma na singularidade explícita de gente é que me cabe o desapego de não tanger a vida impunemente mas concebê-la em cada norma como exercício implícito de tudo que se sente
a cada um sou todos tão completamente que nada do que me falta seja tão latente que desborde do coração tão simplesmente como se fora condição de ser um único inadimplente
a cada um sou todos tão flagrantemente como uma notícia estampada no frontispício de vivente
87
dos caminhos insurgentes
O destino é só um âmbito de estar-se em trânsito
é que lhe sobra um jeito de ser subversivo tudo que lhe guia é a vontade e o infinito
o destino, impunemente, é só um tempo avaro que o peito as vezes joga nos minutos da gente
109
dos barcos de mim
Dos mares que velejo impunemente perdido assim em teu abraço tolerarei as ondas que não meça dividirei os tempos assim farto e de nada-los assim sem medo talvez consiga em teu encalço restar infinito em teus segredos na complacência exata dos teus braços
59
dos anacronismos e dos rumos
tudo que era a guerra virou assim, de repente uma paz desse tudo no quase nada da gente é que a vontade obedece a quem é, assim, coerente e constrói as portas do novo por aquilo que se sente.
e se não der a vontade de um só, em desalinho, junte a vontade de outros sempre no mesmo caminho e construa a razão como quem mede esse grito com todas as léguas da gente estendidas no infinito.
106
dos 70 Maria em anos
aos setenta nenhuma catarata embotará o rumo que o riso marca assim Maria quis o exercício que dela não fosse o caos mas um grande armistício
porque de sê-la tanto não possa o vão vivente aguentar a química exata de tê-la como presente
99
dos 62 em anos
Aos 62 tanjo a vida na mesma direção das desmedidas tudo é tanto e tão restrito que me resto na contradição do que morro e vivo
aos 62 meço-me menino nas léguas de mim que adivinho e o riso é uma bandeira escancarada nas portas do que digo
aos 62 invento a tarde na manhã em que me invado e vivo tudo de mim desenfreado.
56
Dom Quixote
língua de seda lança de angústia lavra Dom Quixote sua luta
bóiam no campo ávidos misteres estraçalhados vãos dos seus prazeres
rola na barba uma frescura inata de sua alma precoce de astronauta
amanha no riso lavoura adequada aos afazeres que a paz escreve em arma.
52
do tempo e mais dizentes
o tempo é um disfarce da alma tanto mais agora tanto mais acalma não que fuja da lógica dos números e dos nadas mas que tenha a compreensão de que não tarda
o tempo é ofício de tanger a calma e descobrir o vau dos rios da alma.
o tempo é invólucro do espaço e toda hora e lugar em que me abraço
não tem do rio qualquer semelhança pois o rio nunca para na lembrança
não tem da rua a mesma simetria pois passos não lhe andam apesar de via
o tempo rói a intenção como um rato que quisesse roer o seu retrato pois falta-lhe a concisão de parecer-se uno quando imagem não seja o que degluta mas a própria carne que desusa.
78
do sonho e sua imanência
o sonho é sempre coletivo tudo que lhe tange é infinito
e mesmo particular dá-se ao desplante de parecer viés de todos os horizontes
é que lhe sobra uma nesga de matéria itinerante que passeia coletiva nos sonhos de quem cante
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.