É que no curso da fala o tempo se espreguiça e tange os rumos do verbo pelos descampados da vida.
113
A vida em descampados
E no meio do descampado como se fora um repente a vida parece um sonho atravessando a gente.
92
Do Rio Sanhauá em rápida trama
Deitado no colo da terra o Sanhauá é bandeira desfraldada dos sonhos que a gente inventa nas costas da madrugada.
86
Das lagoas dos viventes
Que esse espelho de águas pareça assim a vertente dos rios que a gente nada atravessando a gente.
131
Paisagens, janelas e viventes
No ombro das janelas como uma bandeira repousa qualquer pátria nos olhos e nas veias
janelas e viventes apenas comentam pela tarde aquilo que das ruas aos poucos nos invade
homens e janelas também fingem as paisagens.
198
Das ânsias militantes pelo futuro
a ânsia estratégica de punir a tática é quase uma lembrança de uma distância imaginária é que o final da luta é um caminho largo nada do que lhe tanja pode ser pulado.
113
da filosófica contração do mundo
no trajeto entre mim e a razão sou apenas transeunte da contradição nada do que está posto deixa de ser em vão
é que são relativos os absolutos na mão.
168
Do verso em razões
antigo meu verso não diz mais do que eu consigo é que dizê-lo tanto é mais indício de que a palavra é sempre um precipício onde descambam verbos e infinitos
contrito meu verso nunca é mais do que eu digo é que lhe falta o jeito e a prática de ser mais explícito coisa de ser palavra que diga mais do que é preciso
baldio meu verso inaugura espaços e tempos e nem cuida das permanências da vida e das distâncias da rua antes é mais avulso que as primaveras um tempo incontido de descuidos e esperas
invicto meu verso derrota as mágoas que entorno em minhas portas como se fosse um vendaval de verbos incontidos que palmilhassem comigo todos meus sentidos
transeunte meu verso caminha aos solavancos como se fora um barco num mar de espantos navegante de si adredemente se conjuga aos gritos das praças aos ruídos da luta
enfim, meu verso nunca é mais do que eu digo é que palavras só viajam na constância dos sentidos.
94
Da passeata no vão da crise
A luta bruta sua a praça com suores e verbos, andarilhos e astronautas montados no sonho urgente de abraçar a pátria
a luta consome as léguas de povo que adredemente prolata costurando os verbos da vida no peito infante da massa
e o grito da multidão ecoando pelas marquises é a construção escalonada das arquiteturas da crise.
155
Fidel hasta siempre
Morto Fidel indica que a história é apenas um degrau da vida
tudo que lhe leva fica a revolução é sempre gesto de permanecer invicta
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.