Meu vínculo é o que sinto ditas que sejam tantas as razões desse exercício e dos misteres tais que exercito construindo em verbos o que digo.
Meu vínculo é o que persigo na eficiência do abraço a que me permito. Dou-me, assim, ao interstício de fazer-me perto do que acredito.
Meu vínculo eu transmito a cada palmo de mim que é legítimo na proporção exata do que luto e grito.
104
Da esperança em tons
No sono a saudade do futuro alinhava um tempo que discurso
é como se fora um rio sem curso tudo que lhe leva é meu impulso e a certeza de tê-lo tempo de todos os usos a luta é somente combustível de todos os futuros.
98
Poema acerca da recorrência e dos abusos
O tempo nunca é lucro falta-lhe a essência de parecer-se avulso e derramar-se na vida a qualquer custo
o tempo frequentemente tem-se inadimplente das tentativas e dos usos de torná-lo moenda de suores e abusos
o lucro nunca é hora apesar dos cálculos que o dão pela história assim uma simples competência de quem maneja o açoite pelas consciências
é que lhe falta o jeito de um quê humano se dependesse apenas da vontade do dono
o que lhe regra constantemente é a necessidade bruta de fazer-se público e tornar-se de poucos o que se fez de muitos
o tempo nunca é lucro por sobre sua cabeça pesa o futuro e a compreensão de que todos constroem seu imenso curso
143
Das culpas pandêmicas do lucro
a terra e os homens, assim como de repente, respiram as culpas orquestradas monetariamente
adredemente conjugados humanos não pressentem que a terra não é um cifrão de contabilidade urgente
a terra é só o colchão dos futuros todos da gente.
116
Do coração em regras e repiques
praça de guerra meu coração permite a contrição e a fartura de todos os limites é que de usá-lo avesso ao que em mim insiste possa traze-lo avante a tudo que é triste e descompassá-lo amiúde nos desvãos da vida como uma razão adrede, avulsa e infinda
meu coração é apenas indício da contradição do seu ofício: amar a longo curso como se fora pouco o infinito
103
Do amor e outras apreciações
O amor nem sempre é tão vasto que não tropece pelas avenidas nem nunca seja, assim, por gasto que deixe de prender-se à vida vive-lo é não apenas sorrir mas mantê-lo sempre com tal sossego como o construir-se pelo ser amado a extrema aventura de nós mesmos.
120
Do poema como autor
O poema é só um disfarce um jeito de arrumar lembranças nos ombros da saudade
tudo que comenta preenche a vontade de permitir-se em versos construir a liberdade
a palavra é só trejeito dos sentimentos e atos em que cabe.
127
Do infinito em medidos subterfúgios
O infinito instiga a vê-lo nos palmos com que medimos a vida
é que o espaço é um tempo disfarçado que cabe em cada mão que saiba olhá-lo.
125
Das viagens de mim em cosmos largos
Vigia de mim guardo-me noturno nos dias que invento pelo mundo
e laço as madrugadas como um astronauta avulso que pousa suas naves nas costas do futuro.
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.