A morte é somente uma vida diferente o morto vive nos outros assim tão impunemente que nos alvoroços do tempo e nas paredes da mente a gente sonha por ele ao invés da gente
morrer é só viver aquilo que não se sente.
127
poema do amor provecto
a Lane Pordeus
meu amor é avesso ao tempo tudo que lhe mede é invento da razão de tê-la cerzida, assim, às alegrias todas do que penso
meu amor é um grande comício de todos os tempos que ouso nos ombros dos sentidos.
111
Das encruzilhadas dos sentidos
Dou-me a um infinito: nas curvas do que sinto, todos meus ancestrais habitam meu grito.
Por que não faze-los hóspedes das larguras do meu riso?
130
Da franja exata da certeza
ao povo de-se a metragem de léguas tão consentidas que dizem como nascentes os matadouros da vida e que por te-lo ausente da simetria do tempo possa cabe-lo impune por fora do pensamento
ao povo de-se a vontade de um verbo reticente que saiba mais ser um braço de matéria competente pra construir os futuros que a história leva urgente assim cerzida ao discurso nos ombros desses viventes.
188
Indagação
por que suicida se eu morro em mim milhões de vidas?
por que calar se a palavra insiste em ser um mar?
por que fugir dessa disputa e não trançar pelo peito o tricô da luta?
121
Do verso em flagrante andar
exerço o verso como me cometo coisa de palavra e som ou quase jeito de inventar a vida num degrau do peito
exerço o verso como que inverso de tudo que não digo e ainda meço
exerço o verso urgentemente como se fora um tempo em que me esqueço coisa de não ser diverso das conjunturas e sentidos de tudo que projeto
115
Das medidas e dos enredos
a medida de mim é sempre o povo tudo que me faz humano é o jeito do outro e uma ligeira compreensão do que é novo.
76
Das lonjuras do ser
na morte me definitivo tudo que resta é coletivo meu singular é apenas o que vivo
eis o artifício da vida o geral é tão vário que me infinita.
136
Das navegações e outros rumos
navegante, nenhum mar é tanto que não caiba no nado do meu canto é que braçadas há em cada descaminho como se ondas houvessem em todos os sentidos coisa de nem ser urgente na urgencia do que digo
navegante, lanço velas a todo vento como se fora jangada cada pensamento
navegante, todo mar é porto nada do que é mais infindo é mais ofício que a escravatura do grave exercício de navegar a vida em cada indício
navegante, basta-me a lida de consumir enormes as ondas todas da vida.
107
Da confluência da vida
Do lado esquerdo do peito nada como ser subversivo e gastar o jeito da vida nas léguas todas do riso.
O futuro é uma bandeira exata para quem vive ajeitando o infinito
É caro poeta...AurelioAquino...toda palavra que é dita , se transforma em alguma coisa... trabalho, alegria, tristeza , pois toda palavra é bendita... acho eu que antes de abrirmos a boca devemos pensar na sua reação... parabéns. boa tarde ademir domingos zanotelli. teu seguidor.
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.