da passeata geral de todos
no desvão da história eis o carma: decretar o mundo pela alma cavalgar os fatos como um rocinante que perdeu as rédeas dos horizontes e atracar nas ruas todos os discursos tecendo o futuro em valor-de-uso
Dos 70 chegantes em complacente operância
aos setenta deixo-me à deriva abraçado com o futuro e navegando a vida, nos mares todos que possa, em vias todas que vivam farto, dou-me ao desplante de viver infinitos em instantes o tempo é só um abuso dos espaços em que me lanço
Da assassina gestão do lucro
o caminhão grávido de lixo é o lauto jantar dos oprimidos tácita a lógica regurgita a podre concepção imposta à vida o sistema, em decúbito assassina o povo no lucro
das chuvosas manhãs e camponesas lutas
a chuva, como uma lágrima recorrente, inventa o jeito camponês de construir-se semente o homem, nos meandros de si, plantando a vida, engole os temporais em que tramita chuva e homem, enlaçados adredemente, inventam todos os roçados de todos os viventes nada como plantar-se em chuvas na contramão das correntes
Do Negro Almirante em mar aberto
negro, o almirante inventa todos os mares que convenham o horizonte é só a energia que pulsa no caráter de quem monta a vida João Cândido assim revolto é só o melhor abraço das carnes do povo
Os pendores autistas do universo
o universo opera em si o costume de ser sujeito de todos os meandros da energia e seus efeitos fluindo assim em atos explodido e contrito deixa-se ficar criança brincando de infinitos e flui já no cérebro como um astronauta que suspendesse o gesto de deixar-se em órbita
A compleição da ordem e das coisas
a ordem é só um resumo das escaramuças da crise nas costas do mundo mantê-la aparente como completa engaveta o futuro em sua gesta é que a ordem é sempre um transe que o tempo nos empresta
futuros em energéticos transes
a matéria veste a vida como energia tanta, desmedida tudo é espaço montado no tempo e habita as relaçōes como um invento descobrir seu futuro é nosso pensamento
Rasos da vida em flutuante demanda
nos rasos de mim mergulho o mundo como se fora onda das águas de tudo e cato-me vivente nos naufrágios da vida habitante de jangadas alegremente construídas basta-me lançar as âncoras em aventuras coletivas
Dos todos de mim em larga cena
tudo de mim são todos espalhados em atos como desculpa única dos limites dos braços a inexatidão do gesto em que me desabraço é quase uma rebelião ao coletivo trato há que se ser multidão em todos os espaços
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.