Das amarguras em projetos e crises
estoco as amarguras pelo dorso da vida como uma prateleira inerte fugaz e inconsumida e as lanço no pensar como um indício de que a alegria é um projeto de engolfar seus artifícios e as consumo avaro e as liberto no riso como um gesto histórico adredemente construído
terrenas contrações do lucro
a terra vergastada, em decúbito, debruça o tempo nos seus sustos e o horizonte dilacera seu semblante como uma chaga exposta, irrazoável e itinerante o sistema regurgita pleno os lucros de seu plano
Poema em declarada constância
o poema só ausculta os ventos do coração a calmaria da luta. Como não marchar pelas bocas nos versos claros das ruas? a palavra cabe inteira no asfalto das avenidas como um aceno verbal no discurso da vida
Vivências em tempos delatados
nas noites de mim desamanheço como um tempo avaro em que me esqueço e compilo as tardes em que anoiteço para raiar os sóis das manhãs que meço a utopia é só um futuro a que me aconchego
Da solidão em largas penas
a solidão é só um desajeito uma vontade de fugir de dentro do peito e vivê-la intacta sem contraditas é construir-se incauto pelas avenidas a gente esquece de si quando resume a vida
Da fome em bruscas paragens
a fome consome os indícios de paz do homem e grava, bruta, na memória partículas das culpas pela história e a vontade escreve no espaço um resto de vida jogado no prato
Originária performance em declarada margem
ao vácuo quântico dê-se a ilação da urgência do ser em revolução plástico vigore infinito nas contrações do mundo em exato rito e flua nos desvãos da vida como um carnaval infindo de todos os matizes.
Das manhãs em tempos avaros
das manhãs assim estranguladas possa o tempo reescrevê-las nos ombros da prática e armada de homens ressurja a circunstância de construir uma estrada de coletivos instantes mas nem por isso deixe a vida de trazer-se em mãos como individual medida
Temporal em vivência desatada
Idoso nada me afasta de querer um tempo maior sem matemáticas que apenas some o sentir a tudo que me baste
Bonde em tráfego displicente
do bonde a lua não se avista talvez apenas uma nesga dos sonhos do maquinista do bonde avista-se a calma e uma ligeira impressão de que se transporta, moderadamente, a alma os rompantes nos trilhos são, apenas, soluços da máquina
Belos versos... em poemas e suas poesias,parabéns.
obrigado, honrado.
Simplesmente perfeitos, seus poemas são uma perfeição inexplicável, realmente, eu amo seus poemas. Continue criando lindos poemas.